Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Vernizes: Formulações com secagem UV desbancam as convencionais

Marcelo Furtado
24 de junho de 2004
    -(reset)+

    O consumo dos vernizes com cura por luz ultravioleta cresce 10% ao ano em razão da agilidade e da qualidade que esses revestimentos de brilho e proteção trazem aos processos gráficos e de madeira

    Química e Derivados: Química e Derivados: Se há um segmento do ramo das tintas com histórico recente de crescimento, tanto em termos comerciais como tecnológicos, é o de vernizes, estas composições não pigmentadas empregadas para formar uma película brilhante e transparente em variadas superfícies e assim garantir características estéticas e de proteção mecânica e à umidade. Embora seja uma família de produtos formulada com muitos tipos de resinas, desde as poliuretânicas mais comuns e as de nitrocelulose, até as acrílicas e as alquídicas, com bases solvente e em menor volume aquosas, o desempenho acima da média desse mercado se deve de modo especial ao uso cada vez maior dos vernizes acrílicos, isentos de solventes, e com cura por radiação em luz ultravioleta.

    Química e Derivados: Vernizes: Mercado de vernizes UV ( 2003) total - 654 toneladas - Fonte - Estimativa ATBCR sobre dados da Abitim. ©QD

    Mercado de vernizes UV ( 2003) total – 654 toneladas – Fonte – Estimativa ATBCR sobre dados da Abitim.

    Há uma estimativa no mercado de que o consumo dessas formulações sem compostos orgânicos voláteis (VOCs) cresça a uma média de 10% ao ano. Mesmo não tendo o mesmo volume de vendas dos vernizes base solvente, representando “apenas” por volta de 20% do total do segmento, ganham importância crescente no universo dos fabricantes de tintas por serem produtos com grande valor agregado (são até quatro vezes mais caros).

    A importância só não é maior em razão de suas limitações técnicas, ou seja, o verniz UV apenas terá aplicação industrial e em unidades dispostas a investir em um sistema de lâmpadas e demais acessórios (os chamados túneis). Isso significa que consumidores não-industriais, como os marceneiros, por exemplo, nunca poderão cooperar com a tendência.

    O setor industrial com maior parcela de responsabilidade pela ascensão dos vernizes UV é o de artes gráficas, incluindo aí os mercados off-set de revistas, serigráfico, de cartonagem (off-set e flexográfico), de etiquetas, sacos multicamadas, formulários e metalgráfico. No caso do uso gráfico, aliás, a taxa de crescimento anual chega a 12%. Segundo estimativa da Associação Técnica Brasileira de Cura por Radiação (ATBCR), esse setor representaria 50% do total do mercado brasileiro de vernizes UV. Superaria assim as aplicações em madeira, responsáveis por 30% do bolo, e as utilizadas em outros variados setores, como no envernizamento de compact discs (CDs), lentes de óculos, cédulas plásticas de dinheiro e fundo de refletores de faróis, que ficariam com os restantes 20%.

    Juntando-se a essa estimativa da ATBCR um dado estatístico da Associação Brasileira das Indústrias de Tintas de Impressão (Abitim) torna-se possível ter uma idéia do tamanho do mercado. Segundo a Abitim, uma das únicas associações brasileiras a conseguir coletar números sobre produtos do setor representado, o mercado de vernizes por secagem UV para impressão gráfica em 2003 somou 327 toneladas. Se para a ATBCR, entidade que reúne praticamente todos os envolvidos em UV no Brasil, o setor gráfico abrange a metade do mercado total, é fácil supor que o dobro desse volume, ou 654 toneladas, seria uma estimativa próxima da realidade para mensurar o setor de vernizes UV no País.

    Química e Derivados: Vernizes: Comparação entre as formulações . ©QD

    Comparação entre as formulações.

    Vantagens – As taxas de crescimento do setor refletem as vantagens que a aplicação desses revestimentos oferecem para os usuários. Apesar de precisarem investir com equipamentos e acessórios, os ganhos com a radiação por luz ultravioleta aparecem rapidamente. Para começar, o rendimento desses vernizes, apesar de mais caros, é três a quatros vezes maior do que os de base solvente. Por não conter componentes voláteis, em razão do solvente da formulação (o monômero) também participar do revestimento, cerca de 95% da formulação fica impregnada no substrato como acabamento. Isso significa, além de economia de processo, ainda vantagens ambientais, pelo motivo óbvio de não haver VOCs no local da operação.

    Química e Derivados: Vernizes: Rotta - cura UV demanda menos nas fábricas. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Rotta – cura UV demanda menos nas fábricas.

    Atrai ainda a mudança para os processos por UV o fato de as unidades serem muito menores do que as convencionais por processo térmico, com estufas de secagem. Essa vantagem física é aumentada pelo motivo de os vernizes UV possuírem cura instantânea. Isso porque, além de diminuir o tempo de revestimento, essa característica também demanda espaços menores para armazenagem e secagem. “O cliente passa a ter vantagens na expedição das mercadorias, que podem ser embaladas e transportadas imediatamente”, afirmou o presidente da ATBCR, Albio Rotta, também diretor da Renner Sayerlack, de Cajamar-SP, importante produtor nacional de vernizes UV para madeiras. A declaração do dirigente ganha força tendo em vista que os fabricantes de móveis populares, atendidos pela Renner, vêm cada vez mais aderindo ao UV justamente para ter maior rapidez em suas volumosas entregas.

    Outro ponto considerado ao se optar pelo envernizamento UV é a cura ser realizada em temperatura ambiente, representando grande economia de calor, ao contrário do ocorrido nas secagens convencionais, onde há necessidade de se operar com estufas em temperaturas desde 100ºC até 250ºC. Isso porque a cura UV não precisa do processo térmico para evaporar solventes, visto que o revestimento ocorre por meio da reação entre duas resinas da formulação, garantindo também um filme com boas propriedades técnicas.


    Página 1 de 512345

    Recomendamos também:









    1. CIRINEU SABINO

      Boa tarde qual o verniz de cura UV por lâmpada que adere bem ao metal tipo alumínio e também o pvc ou ps alguém sabe me informar um.


    2. ROMUALDO SEROQUE

      Todos oligomeros para formulações de tintas e vernises para cura por radiação UV são fabricados no Brasil sem exceções,e empregados em larga escala para produção de produtos equivalentes aos importados.Eu mesmo desenvolvi a linha completa que esta em produção a mais de 5 anos,atendendo grandes empresas.



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *