Vernizes: UV desbancam as convencionais.

Formulações com secagem UV desbancam as convencionais.

O consumo dos vernizes com cura por luz ultravioleta cresce 10% ao ano em razão da agilidade e da qualidade que esses revestimentos de brilho e proteção trazem aos processos gráficos e de madeira

Se há um segmento do ramo das tintas com histórico recente de crescimento, tanto em termos comerciais como tecnológicos, é o de vernizes, estas composições não pigmentadas empregadas para formar uma película brilhante e transparente em variadas superfícies e assim garantir características estéticas e de proteção mecânica e à umidade.

Embora seja uma família de produtos formulada com muitos tipos de resinas, desde as poliuretânicas mais comuns e as de nitrocelulose, até as acrílicas e as alquídicas, com bases solvente e em menor volume aquosas, o desempenho acima da média desse mercado se deve de modo especial ao uso cada vez maior dos vernizes acrílicos, isentos de solventes, e com cura por radiação em luz ultravioleta.

Há uma estimativa no mercado de que o consumo dessas formulações sem compostos orgânicos voláteis (VOCs) cresça a uma média de 10% ao ano.

Mesmo não tendo o mesmo volume de vendas dos vernizes base solvente, representando “apenas” por volta de 20% do total do segmento, ganham importância crescente no universo dos fabricantes de tintas por serem produtos com grande valor agregado (são até quatro vezes mais caros).

A importância só não é maior em razão de suas limitações técnicas, ou seja, o verniz UV apenas terá aplicação industrial e em unidades dispostas a investir em um sistema de lâmpadas e demais acessórios (os chamados túneis).

Isso significa que consumidores não-industriais, como os marceneiros, por exemplo, nunca poderão cooperar com a tendência.

O setor industrial com maior parcela de responsabilidade pela ascensão dos vernizes UV é o de artes gráficas, incluindo aí os mercados off-set de revistas, serigráfico, de cartonagem (off-set e flexográfico), de etiquetas, sacos multicamadas, formulários e metalgráfico.

No caso do uso gráfico, aliás, a taxa de crescimento anual chega a 12%. Segundo estimativa da Associação Técnica Brasileira de Cura por Radiação (ATBCR), esse setor representaria 50% do total do mercado brasileiro de vernizes UV.

Química e Derivados: Vernizes: Mercado de vernizes UV ( 2003) total - 654 toneladas - Fonte - Estimativa ATBCR sobre dados da Abitim. ©QD
Mercado de vernizes UV ( 2003) total – 654 toneladas – Fonte – Estimativa ATBCR sobre dados da Abitim.

Superaria assim as aplicações em madeira, responsáveis por 30% do bolo, e as utilizadas em outros variados setores, como no envernizamento de compact discs (CDs), lentes de óculos, cédulas plásticas de dinheiro e fundo de refletores de faróis, que ficariam com os restantes 20%.

Juntando-se a essa estimativa da ATBCR um dado estatístico da Associação Brasileira das Indústrias de Tintas de Impressão (Abitim) torna-se possível ter uma idéia do tamanho do mercado.

Segundo a Abitim, uma das únicas associações brasileiras a conseguir coletar números sobre produtos do setor representado, o mercado de vernizes por secagem UV para impressão gráfica em 2003 somou 327 toneladas.

Se para a ATBCR, entidade que reúne praticamente todos os envolvidos em UV no Brasil, o setor gráfico abrange a metade do mercado total, é fácil supor que o dobro desse volume, ou 654 toneladas, seria uma estimativa próxima da realidade para mensurar o setor de vernizes UV no País.

Química e Derivados: Vernizes: Comparação entre as formulações . ©QD
Comparação entre as formulações.

Vantagens – As taxas de crescimento do setor refletem as vantagens que a aplicação desses revestimentos oferecem para os usuários. Apesar de precisarem investir com equipamentos e acessórios, os ganhos com a radiação por luz ultravioleta aparecem rapidamente.

Para começar, o rendimento desses vernizes, apesar de mais caros, é três a quatros vezes maior do que os de base solvente.

Por não conter componentes voláteis, em razão do solvente da formulação (o monômero) também participar do revestimento, cerca de 95% da formulação fica impregnada no substrato como acabamento.

Isso significa, além de economia de processo, ainda vantagens ambientais, pelo motivo óbvio de não haver VOCs no local da operação.

Atrai ainda a mudança para os processos por UV o fato de as unidades serem muito menores do que as convencionais por processo térmico, com estufas de secagem.

Essa vantagem física é aumentada pelo motivo de os vernizes UV possuírem cura instantânea. Isso porque, além de diminuir o tempo de revestimento, essa característica também demanda espaços menores para armazenagem e secagem.

Química e Derivados: Vernizes: Rotta - cura UV demanda menos nas fábricas. ©QD Foto - Cuca Jorge
Rotta – cura UV demanda menos nas fábricas.

“O cliente passa a ter vantagens na expedição das mercadorias, que podem ser embaladas e transportadas imediatamente”, afirmou o presidente da ATBCR, Albio Rotta, também diretor da Renner Sayerlack, de Cajamar-SP, importante produtor nacional de vernizes UV para madeiras.

A declaração do dirigente ganha força tendo em vista que os fabricantes de móveis populares, atendidos pela Renner, vêm cada vez mais aderindo ao UV justamente para ter maior rapidez em suas volumosas entregas.

Outro ponto considerado ao se optar pelo envernizamento UV é a cura ser realizada em temperatura ambiente, representando grande economia de calor, ao contrário do ocorrido nas secagens convencionais, onde há necessidade de se operar com estufas em temperaturas desde 100ºC até 250ºC.

Isso porque a cura UV não precisa do processo térmico para evaporar solventes, visto que o revestimento ocorre por meio da reação entre duas resinas da formulação, garantindo também um filme com boas propriedades técnicas.

O princípio – Para se compreender as vantagens do processo de cura UV para vernizes é preciso entender os princípios de funcionamento das formulações.

Diferenciado dos convencionais na forma pela qual se impregna no substrato, esse verniz UV possui composição genérica similar à de qualquer outro sistema líquido de revestimento, contendo veículo (resina), solvente e cargas.

Mas, no seu caso, o veículo é um oligômero, o solvente, um monômero, e as cargas são aditivos acrilados. A fórmula inclui ainda um catalisador chamado de fotoiniciador.

A diferença substancial, porém, de um sistema com cura por UV é a resina e o solvente da formulação, ambos compostos acrílicos, ter a capacidade de reagir entre si por meio de duplas ligações ativas presentes nas extremidades ou ao longo do composto.

Ao contrário dos vernizes bases solvente e água, na qual a quase totalidade dos diluentes evapora para permitir a formação do filme da resina no substrato, nos produtos UV ocorre um processo de polimerização iniciado pela radiação de luz ultravioleta.

Mas, para essa reação acontecer, é necessária a presença do componente fundamental, o chamado fotoiniciador.

Esse composto orgânico é sensível à luz ultravioleta e, quando exposto à radiação com comprimento de onda entre 200 e 400 nanômetros, ele se decompõe.

Como resultado da decomposição, são formados radicais livres, partículas altamente instáveis e reativas que rompem as duplas ligações dos demais componentes, ou seja, os oligômeros (resinas) e os monômeros (solventes), gerando novas espécies propagadoras da reação em cadeia.

Resumindo: essas ligações abertas passam a se unir umas às outras até não existir mais duplas ligações, ou fotoiniciadores inteiros, formando um filme coeso e entrelaçado no substrato.

O processo ocorre em décimos de segundo e não permite a volatilização de nenhum componente, tendo em vista todos participarem da secagem.

Os componentes – Os compostos acrílicos empregados nas formulações são fundamentais para o bom funcionamento da cura.

Os chamados oligômeros, ou pré-polímeros, com o mesmo papel das resinas ou veículos nas tintas ou vernizes convencionais, são responsáveis pelo maior porcentual médio nas formulações, cerca de 60%.

São assim chamados por serem polímeros de baixo peso molecular e, necessariamente, são insaturados (com duplas ligações) para que possam reagir com o monômero (solvente) da formulação e daí dar início à reticulação polimérica, ou seja, a cura. (A insaturação do oligômero é conseguida na fase da sua produção por meio de reações controladas com monômeros acrílicos ou metacrílicos.)

Química e Derivados: Química e Derivados:

Os tipos principais de oligômeros são as resinas epóxi acriladas, obtidas por reação de resinas epóxi e óleos epoxidados com ácido acrílico ou metacrílico; e os poliésteres acrilados, com origem na reação também desses ácidos com o poliéster.

Embora estes sejam os principais, há também outros tipos, como vinil acrilados, óleos acrilados e uretanos acrilados.

Por serem fruto de reações controladas que visam, além da insaturação, também manter uma certa estabilidade para permitir a cura em condições pré-determinadas, os oligômeros são produzidos apenas no Exterior.

Uma dificuldade na preparação do pré-polímero, que inviabiliza sua fabricação local, é evitar sua polimerização antes do tempo, o que demanda o uso de inibidores e o controle rígido da temperatura em nível o mais baixo possível.

No Brasil, os oligômeros são importados por empresas como Sartomer e Grupar Química.

Já os monômeros reativos, com a função de solvente para diluir e reduzir a viscosidade do produto, são moléculas mais simples e representam 30% da formulação do verniz.

Os mais comuns, obtidos por meio da esterificação do ácido acrílico com um poliálcool, são o TPDGA (diacrilato de tripropileno glicol) e o TMPTA (triacrilato de trimetilpropano), mas ainda há outros como o HDDA (1,6-diacrilato de hexametilenoglicol) e o DDA (diacrilato de dianol).

Ao contrário dos oligômeros, de síntese mais cuidadosa, os monômeros são fáceis de ser produzidos no Brasil, nas empresas equipadas com reatores para esterificação. Mas a maior parte em uso no País ainda provém de importação.

O coração do UV – Como já dito, o principal componente do produto UV, considerado o seu “coração”, é o fotoiniciador.

Seu percentual na formulação, apesar de representar apenas 10%, possibilita a chamada reticulação polimérica provocada por sua sensibilidade à luz ultravioleta.

Isso não significa que os oligômeros e os monômeros não sejam sensíveis à radiação. Pelo contrário, por serem insaturados, podem curar quando submetidos à energia ultravioleta.

Ocorre que a velocidade de polimerização seria muito baixa sem a presença do fotoiniciador para acelerar o processo para um padrão industrial.

O fotoiniciador pode ser uma única substância ou uma mistura delas. Em comum, esses produtos, cujas bases mais usuais são a benzofenona, acetofenona e a tioxantona, sofrem mutação química ao absorver a energia radiante, gerando intermediários reativos (os radicais livres) com a propriedade da polimerização.

Normalmente, os fotoiniciadores ainda precisam ser adicionados de outros aditivos para se ter melhor controle da cura. São os fotossensibilizadores, substâncias capazes de absorver a radiação e depois transferi-la para o fotoiniciador; e os fotoativadores, aminas usadas para melhorar a reação.

Um fornecedor importante no Brasil, tanto de fotoiniciadores como de seus aditivos de suporte, é a Ipiranga Química, representante da taiwanesa Chitec Chemical, um dos maiores fabricantes mundiais de fotoquímicos.

Segundo o gerente comercial da Ipiranga, Antonio Carlos Slongo, a linha da Chitec inclui todos os tipos de fotoiniciadores para cura UV, não só os empregados em vernizes ou adesivos transparentes, como também os utilizados em sistemas pigmentados de tintas ou vernizes e em aplicações ópticas.

Química e Derivados: Vernizes: Slongo - linha completa de fotoiniciadores. ©QD Foto - Cuca Jorge
Slongo – linha completa de fotoiniciadores.

“Os específicos para sistemas transparentes são as benzofenonas líquidas (Chivacure LBP), de baixo odor. Normalmente entram nas formulações conjugados com outros grades, como o Chivacure TPO, para aumentar a velocidade de cura.”

Além disso, da mesma empresa, a Ipiranga distribui estabilizantes de luz, também de uso nesses sistemas. Para definir o uso dos fotoiniciadores, a Ipiranga conta com os serviços técnicos de seu laboratório de aplicações em Guarulhos-SP.

Esse mercado de fotoiniciadores, por tratar-se de produto de alto valor agregado, com preços desde US$ 8 o quilo até US$ 100 (em casos específicos para o setor gráfico), tem atraído o interesse de outros distribuidores de produtos químicos.

A Carbono Química, de São Bernardo do Campo-SP, do ramo de solventes e de vários outros insumos para tintas, segundo o seu diretor comercial, Victor Maluf, vai em breve representar uma linha de fotoiniciadores chineses.

Química e Derivados: Vernizes: Maluf quer entrar no mercado com chineses. ©QD Foto - Cuca Jorge
Maluf quer entrar no mercado com chineses.

“Já fizemos testes em clientes e o produto foi aprovado; devemos lançá-lo no mercado ainda neste ano”, diz.

A aposta no mercado de vernizes UV da Carbono, que já vende solventes para a linha de vernizes convencionais, vai além dessa nova representação.

Ainda segundo o diretor, uma alternativa levada em consideração pela empresa para o futuro próximo é passar até a fornecer monômeros. Nesse caso, Maluf aposta no lançamento de produtos próprios.

A opção seria terceirizar a produção em empresas especializadas. “Há reatores ociosos no Brasil”, alerta ele.

Fornecer mais produtos UV, além do fotoiniciador, facilita o envolvimento da empresa com os clientes. Um exemplo de empresa já com esse espírito de verticalização é a Grupar Química, de São Paulo.

Além de representar uma linha de fotoiniciadores da americana Aceto Corporation, a empresa comercializa no Brasil monômeros e oligômeros da coreana Miwon e da suíça Rahn.

Controle da luz – Outra aposta recente de verticalização da Grupar Química é representar uma linha de radiômetros da americana EIT. Segundo o responsável pelo marketing da Grupar, Sérgio Medeiros, esses equipamentos são fundamentais para se aproveitar da melhor maneira possível a radiação das lâmpadas UV.

Operando com sensores, o radiômetro controla a dose (por mJ/cm2) e a intensidade (mW/cm2) da radiação, fazendo a cura transcorrer dentro dos parâmetros exatos exigidos pela formulação.

Química e Derivados: Vernizes: Medeiros - radiômetro evita perda material. ©QD Foto - Cuca Jorge
Medeiros – radiômetro evita perda material.

“Evita-se perda de material”, diz. Conforme Medeiros, os radiômetros da EIT são os únicos a fornecer resultados em faixas definidas do espectro UV (UVA, UVB, UVV e UVC).

Essa preocupação da Grupar em conjugar a tecnologia química com a dos equipamentos (a empresa também indica aos clientes um fornecedor de lâmpadas, a UVPS) tem uma explicação convincente.

Para se completar o processo fotoquímico em um parâmetro aceitável de qualidade, é necessário ter controle sobre a operação e o estado das lâmpadas.

Isso porque os comprimentos de luz UV devem ser compatíveis com a absorção dos fotoiniciadores e com intensidade adequada para a camada depositada. A falta ou o excesso de radiação compromete substancialmente a cura.

Fornecidas por empresas como Fusion UV, Germetec e Otiam, as lâmpadas UV se disponibilizam normalmente em potências de 80 a 220 watts/cm. A mais comum para uso em impressão off-set é de 160 watts/cm, 240 para serigrafia e 320 para flexografia.

Apesar de ser sempre melhor adquirir um equipamento apropriado para a secagem UV, a vantagem dessas lâmpadas é elas poderem ser adaptadas em estufas convencionais e em qualquer máquina de aplicação e impressão dos vernizes.

Verniz batizado – Apesar de ser um mercado relativamente novo, e de tecnologia complexa, pode-se afirmar que o Brasil já conta com uma estrutura setorial madura para manter uma curva de crescimento dos vernizes UV nos próximos anos.

Há uma boa gama de fornecedores, tanto de matérias-primas e acessórios como do produto final, e já existe até uma associação técnica responsável pela congregação de todos os envolvidos no setor, a ATBCR, que mantém um calendário dinâmico de cursos, seminários e trocas de experiência.

Essa evolução do mercado criou também um clima bastante acirrado de disputa entre os fornecedores de matérias-primas e tem feito o número de produtores de vernizes crescer de forma exponencial.

Neste último caso, várias empresas menores passaram a incomodar os “gigantes” do ramo, grupos como o americano Flint Ink e a suíça Sicpa, no segmento de vernizes gráficos, ou a holandesa Akzo Nobel e a brasileira Renner Sayerlack, de vernizes para madeira.

Além do aumento da competição, junto com esse crescimento do setor também começaram a surgir problemas.

De um tempo para cá, o mercado tem identificado falsificações perigosas nos vernizes UV. Para reduzir custo, há alguns fornecedores substituindo nas formulações os monômeros reativos acrilados por solventes convencionais, como o acetato de etila ou o toluol.

De acordo com Marcos Silveira, diretor técnico da Flint Ink, com fábrica em Cotia-SP e segunda maior produtora mundial de tintas e vernizes de impressão, os falsários com essa atitude lucram bem mais (o solvente sai por US$ 0,50 o quilo, contra US$ 5 do acrilado), mas colocam em risco as instalações do cliente e a credibilidade da tecnologia UV.

Química e Derivados: Vernizes: Silveira alerta sobre o perigo dos vernizes batizados. ©QD Foto - Cuca Jorge
Silveira alerta sobre o perigo dos vernizes batizados.

“Há o risco de explosão, como já ocorreu em uma gráfica no interior de São Paulo”, alerta Silveira.

Um complicador desse verniz “batizado” é ele não alterar a aplicação. O substrato revestido terá a mesma aparência caso tivesse sido empregado o produto correto UV. Mas, apesar de ser inflamável e ferir o princípio da tecnologia UV de não conter componentes voláteis, o seu preço no mínimo 15% mais barato atrai muitos clientes.

Fenômeno similar ao ocorrido com a costumeira adulteração de gasolina no Brasil, essa falsificação, segundo Marcos Silveira, é exclusividade nacional. “Na Europa e nos Estados Unidos, nunca houve caso parecido”, diz.

Especialidades – Apesar do problema da adulteração, preocupação crescente entre os fornecedores que além de perderem mercado correm o risco de ver a imagem do setor maculada, os aspectos positivos do mercado são um pouco maiores. Se por um lado há esse atraso brasileiro com o uso crescente dos solventes nas formulações solventless, por outro há fornecedores locais atualizando o País com a oferta de vernizes UV especiais de tecnologia bastante avançada em termos globais.

Um exemplo interessante de oferta dessas novidades ocorre na americana Sovereign, com filial em Vinhedo-SP. A empresa está tentando aos poucos convencer gráficas a utilizar um vasto portfólio de vernizes com texturas e efeitos diferenciados, conseguidos por meio de aditivos e cargas especiais.

Para começar, a Sovereign possui alternativas de revestimentos foscos, em contraste com o tradicional alto brilho oferecido pela maioria dos vernizes.

Química e Derivados: Vernizes: Silvana e Bueno (abaixo) - Sovereign lança vernizes especias no Brasil. ©QD Foto - Cuca Jorge
Silvana e Bueno (abaixo) – Sovereign lança vernizes especias no Brasil.

“Há muitas gráficas, sobretudo no mercado de revistas, criando efeitos desse tipo”, afirmou a gerente geral da Sovereign, Silvana Reis.

Mas os grades mais especializados da linha, já em uso difundido nos Estados Unidos, vão além do aspecto brilho.

Há um tipo de verniz que cria a possibilidade no papel de, ao sofrer atrito, dar a aparência de ter desaparecido com a imagem impressa por baixo do verniz. Chama-se comercialmente de write-and-wipe (escreve e apaga).

Um segundo, denominado glow-in-the-dark (acende no escuro), permite que a impressão seja realçada na escuridão, como se tivesse sido iluminada.

Um terceiro é termocrômico, com atrito torna-se mais claro; e outro é magnético, um verniz UV que torna o papel imantado. Isso sem falar de um tipo com a propriedade de dar efeito de couro ao papel, outro com purpurina (glitter) na formulação e, por fim, um verniz com efeito de alto relevo (high profile).

A gerente geral da Sovereign confessa que, por enquanto, os contatos e fornecimentos envolvendo esses vernizes são pontuais, mas devem com o tempo passar a ser mais utilizados pelas boas gráficas do ramo.

Para ela, além dessas especialidades, outro fator favorável para aumentar a versatilidade dos vernizes UV são pesquisas da matriz americana para permitir o emprego da tecnologia em um mercado até então restrito. Ela se refere ao setor de embalagens flexíveis.

Isso porque a agência norte-americana de controle FDA (Food and Drug Administration), com poder de influência mundial, não permite o uso de vernizes ou tintas UV em embalagens de alimentos, grande consumidor dos laminados flexíveis.

A Sovereign, por meio de seu centro de desenvolvimento em Buffalo, Nova York, lidera um projeto de pesquisa, envolvendo fornecedores de matérias-primas e universidades, para tornar viável o uso da tecnologia UV em laminados de alimentos.

De acordo com o gerente técnico, Amauri Bueno, isso significa alterar matérias-primas – oligômeros, monômeros e fotoiniciadores – para que elas tenham residuais adequados aos padrões FDA.

Química e Derivados: Vernizes: amauri.. ©QD Foto - Cuca Jorge
Amauri Bueno, da Sovereign

“A energia ultravioleta não é potente suficiente para curar 100%; sempre haverá um residual das matérias-primas na embalagem, que podem migrar para o alimento”, diz Bueno.

Dentre os três principais insumos, o mais tóxico e com odor intenso seria o fotoiniciador.

Essa limitação em alimentos não impede que o verniz UV seja utilizado em embalagens flexíveis. Sua versatilidade de aplicação em filmes plásticos e de papel permite aplicações onde não há contato direto com alimentos (como o filme plástico que envolve garrafas PET, por exemplo) e também em embalagens para outros produtos, como sabonetes e demais cosméticos.

Feixe de elétrons – Nesse esforço da Sovereign para permitir o emprego dos vernizes UV em embalagens alimentícias, também há um desejo implícito de se criar uma alternativa menos custosa para revestimentos de laminados por radiação.

Isso porque a própria Sovereign possui uma linha de vernizes que utilizam uma outra tecnologia de radiação, o chamado feixe de elétrons, ou no inglês eletron beam (EB), cujo investimento inicial de aquisição do equipamento é muito alto e por enquanto impeditivo.

Essa tecnologia, porém, tem potência suficiente para deixar os residuais dos polímeros nessas embalagens a faixas de ppb. Ao contrário da luz ultravioleta, trata-se de uma radiação ionizante com aprovação total do FDA.

O equipamento EB é um acelerador de elétrons, baseado em uma espécie de reator cilíndrico de titânio, por meio do qual uma corrente elétrica em alta voltagem passa por filamento de tungstênio que gera os elétrons livres (radioativos) responsáveis pela polimerização do verniz na linha de secagem. Por ser de alta potência, esse sistema não demanda da formulação do verniz o fotoiniciador.

A própria radiação ionizante se encarrega de desintegrar parcialmente as moléculas dos oligômeros e monômeros, formando radicais livres, para em seguida reagir com as duplas ligações e formar as ligações cruzadas responsáveis pela cura do revestimento.

Essas vantagens do EB não param aí. Também ocupa pouco espaço e, no longo prazo, representará economia com aquisição de vernizes, pois ao não precisar do fotoiniciador a formulação tem seu preço reduzido.

Isso sem falar que o revestimento por EB possibilita uma cura mais densa e pode revestir nos dois lados do substrato ao mesmo tempo, porque os elétrons o atravessam em raio X. O EB, segundo o gerente da Sovereign, só tem um problema.

“O alto custo do equipamento, que pode chegar na casa dos US$ 300 mil.” Mas Amauri Bueno confia na tendência de queda de preço nos sistemas, o que pode torná-lo mais viável no futuro.

Não compartilha do mesmo otimismo com relação ao eletron beam o presidente da ATBCR, Albio Rotta. Para ele, o sistema só se justificaria em máquinas com sistema de cura com velocidades muito grandes, em unidades gráficas ou de madeira com escalas mundiais, peculiaridade não existente no mercado brasileiro.

“Visitei uma fábrica na Holanda que usava o EB para pintar portas a uma velocidade tal que só precisava operar três dias por semana”, informa Rotta.

A explicação para essa necessidade de o EB operar com altos volumes de produção tem relação também com o prazo maior necessário para amortizar o alto investimento inicial.

No Brasil, aliás, havia uma máquina dessas em operação industrial na Tetrapak, para secagem da impressão off-set de suas embalagens.

Mas em 1999 foi desativada quando a empresa passou a usar impressão flexográfica. Há uma outra de escala laboratorial no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo.

Madeira – Mesmo sem contar com unidades fabris equipadas com máquinas de secagem UV com a velocidade citada pelo presidente da ATBCR, um setor muito importante para o mercado, o de madeira e movelaria, ganha com o passar dos anos uma escala industrial respeitável.

Também fortemente exportador, e por isso acostumado a conviver com exigências maiores de qualidade e de caráter ambiental, esse setor estimula os fornecedores locais de vernizes a correr atrás de novas tecnologias.

Um exemplo dessas exigências ocorre com o mercado europeu, que incentivado inicialmente por normas alemãs, passou a restringir as compras de madeiras e móveis com risco de liberação de formol. Isso pode ocorrer quando o substrato é revestido com vernizes que utilizem o chamado sistema SH, composições baseadas em nitrocelulose, resinas alquídicas e uréia, ou melamina, e cujo processo de cura é pela via ácida.

Química e Derivados: Vernizes: Bruno - Akzo Nobel vende verniz anti -risco para madeira. ©QD Foto - Cuca Jorge
Bruno – Akzo Nobel vende verniz anti -risco para madeira.

“A alternativa tecnológica mais viável para atender a essas normas é o sistema UV”, explica o gerente de desenvolvimento de produtos para madeira da Akzo Nobel, Eduardo Bruno.

Bruno acredita que essas exigências, aliadas a opções de processo dos clientes, têm feito a indústria de madeira do Brasil migrar de forma surpreendente para o UV.

Essas opções, para ele, têm bastante relação com o ganho de espaço fabril que as unidades passam a ter com os sistemas. “As unidades tradicionais chegam a ter 10 metros de comprimento, contra 3 metros do UV”, diz o gerente.

Para Bruno, o espaço é o maior ponto positivo do UV, quando comparado com outros sistemas de verniz base água também fornecidos pela Akzo Nobel. Isso porque em termos de velocidade e de custo por metro quadrado aplicado, as tecnologias se equivalem.

Até mesmo em qualidade, o gerente vê algumas vantagens no base água, que proporcionaria um revestimento mais flexível, em comparação com a estrutura molecular muito rígida do envernizamento por UV, criando o problema de gretamento (geração de fendas) nas madeiras.

“O ideal é fazer um blend das duas tecnologias, aproveitando o que cada uma tem de melhor; no caso do UV o brilho, e do base água, a flexibilidade”, diz.

Para remover os problemas do verniz UV a Akzo Nobel, com fábrica em Guarulhos-SP, também se esmera em pesquisas.

Recentemente, por exemplo, o grupo lançou no mercado brasileiro um verniz transparente vítreo, com a vantagem de resistir ao risco. Formulação alterada por aditivos mantidos em segredo, esse produto tem sido comercializado com sucesso junto a clientes fabricantes de móveis populares.

“Eles tinham uma perda muito grande por riscos ocorridos durante longos transportes”, explica Bruno. Aliás, esse tipo de fabricante, no estilo Casas Bahia, é um grande adepto da secagem UV.

A rapidez e a agilidade logística e de armazenagem da tecnologia caem como uma luva para os grandes volumes comercializados por essas empresas.

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5 Comentários

  1. Boa tarde qual o verniz de cura UV por lâmpada que adere bem ao metal tipo alumínio e também o pvc ou ps alguém sabe me informar um.

  2. Todos oligomeros para formulações de tintas e vernises para cura por radiação UV são fabricados no Brasil sem exceções,e empregados em larga escala para produção de produtos equivalentes aos importados.Eu mesmo desenvolvi a linha completa que esta em produção a mais de 5 anos,atendendo grandes empresas.

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