Verdezyne – leveduras modificadas capazes de transformar ácidos graxos

Empresa start-up localizada em Carlsbad, na Califórnia, a Verdezyne desenvolveu leveduras modificadas capazes de transformar ácidos graxos – inclusive borras e misturas de ácidos brutos – em diácidos carboxílicos.

Os rendimentos volumétricos – um dos parâmetros fundamentais na avaliação econômica de qualquer processo biotecnológico – são elevados, acima de 100 g/l de mosto de fermentação.

Os primeiros investidores no projeto foram os fundos de venture capital, mas, agora que a tecnologia parece estar se aproximando de uma possível comercialização, tem aumentado o interesse de investidores “estratégicos”, isto é, gente do ramo.

Há três plataformas em desenvolvimento:

• Ácido adípico: mercado mundial de umas 4.0 milhões t/ano, no qual prepondera (~80%) o consumo cativo.

Em relação ao adípico, a Verdezyne prevê uma estratégia mista: licenciamentos para produtores cativos, e participações em projetos que visam o mercado livre – produção de polióis-poliéster, resinas para tintas em pó, produtores (não integrados) de náilon 6/6.

Ácido sebácico: demanda mundial de quase 80 mil t/ano. Produção predominantemente chinesa. Obtido de óleo de mamona – matéria-prima sabidamente problemática. Usado para fazer poliamida 6/10.

Ácido dodecanodioico: na intimidade, “ácido triplo-D” – intermediário do náilon 6/12. O triplo-D é feito com o butadieno, em três etapas:

Ciclização, dando ciclododecatrieno (CDT);

Hidrogenação, em ciclododecano (também ponto de partida para produzir lauril lactama à náilon 12);

Daí para frente, o processo se assemelha à produção de adípico, utilizando o cicloexano.

O processo é delicado – em 2012, a oferta mundial foi seriamente perturbada pela explosão de uma unidade de CDT da Evonik, na Alemanha, deixando alarmada a indústria automobilística, que consome o grosso do náilon 12, o grande derivado do CDT.

A Verdezyne está pesando os prós e os contras. Por um lado, os produtores de poliamidas bem que gostariam de ter uma fonte mais fiável de “triplo-D”, mas, por outro lado, algumas de suas aplicações parecem ter sido conquistadas irreversivelmente pelos derivados do ácido sebácico. E ainda há aqueles que acreditam na intercambiabilidade, a prazo bastante curto, das poliamidas derivadas de sebácico e triplo-D.

A Verdezyne se vê, por conseguinte, diante de diversas opções – desenvolver o C12 como produto próprio e deixar o C10 para a indústria de mamona seria uma delas. Mas há outras, pois nesse meio tempo o mercado deu uma respirada com a recuperação da unidade alemã de CDT, e com o surgimento de um produtor chinês (Victory).

O que favorece a ideia de uma nova rota para o sebácico, mais econômica e menos problemática do que a atual.

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