Venda de máquinas cresce para permitir atualização do setor

Transformação

As vendas de máquinas para a indústria do plástico vão muito bem, obrigado.

O desempenho estimado das empresas do setor em 2021 foi em torno de 12% superior ao do ano anterior.

O resultado deve ficar muito próximo do que já havia sido registrado no ano de 2020.

As informações são de Amilton Mainard, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para Indústria do Plástico da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Para este ano, a expectativa do dirigente é de que os resultados devem ir pelo mesmo caminho.

Venda de máquinas cresce para permitir atualização do setor - Transformação ©QD Foto: iStockPhoto “A carteira de pedidos está alta, a produção do primeiro semestre das empresas já está comercializada e existem casos de espera de até um ano”.

Como explicar um quadro tão positivo em paralelo a um cenário econômico bem menos animador? Para Mainard, a resposta se deve a uma conjunção de fatores. Um deles é apontado como fundamental.

“O parque fabril brasileiro é muito antigo, com produtividade muito reduzida”. Isso explica uma corrida dos compradores por máquinas mais eficientes.

“Um equipamento atual apresenta maior velocidade de produção, com maior qualidade e grande economia de energia”.

Outros motivos têm ajudado o setor. Entre eles se encontram a forte desvalorização da moeda brasileira e a crise mundial de logística, o que tornou a vida dos importadores mais difícil. Os juros aumentaram de forma significativa nos últimos meses, mas não assustam tanto o dirigente.

“Taxas de juros mais reduzidas ajudariam, é verdade. Mas os compradores de máquinas de plástico não recorrem muito aos financiamentos oferecidos pelo mercado, a maioria recorre a capital próprio ou a outras soluções que independam das instituições financeiras”.

De quebra, alguns segmentos da economia foram beneficiados pela pandemia.

“Um exemplo foi a crescente procura por produtos descartáveis, o que obrigou empresas do ramo a ampliar suas capacidades produtivas”.

Lógico que existem os casos negativos. Os fornecedores da indústria automobilística, por exemplo, nos últimos dois anos sofrem com a queda na produção de veículos novos verificada com o surgimento da pandemia.

Números – A Abimaq não dispõe de números específicos do desempenho da indústria do plástico. Os dados da indústria de máquinas e equipamentos como um todo, no entanto, foram bastante positivos.

A receita líquida total do setor em 2021 foi de R$ 222 bilhões, valor 21,6% superior ao do verificado em 2020.

O percentual é próximo do verificado no aumento da produção física das fabricantes do setor. Do total, R$ 168 bilhões foram para vendas internas, número que representa 25,3% a mais do que o alcançado no ano anterior. As exportações alcançaram US$ 9,3 bilhões, com crescimento de 34,2%.

José Velloso, presidente executivo da Abimaq, acredita em crescimento para 2022. As estimativas são de evolução da receita total de 6%, com avanço da produção física de máquinas e equipamentos na casa dos 4,5%.

O mercado interno deve responder por 3% do aumento da receita total e o incremento nas exportações está calculado em 15,6%. Para o presidente executivo, o principal fator do otimismo também recai sobre a necessidade de modernização das plantas.

“Há um número estimado pelo mercado de que o parque fabril brasileiro tem idade média de 17 anos. Há 17 anos estávamos começando a falar em automação, hoje já estamos na indústria 4.0.

Independente da evolução do PIB do país nos próximos anos, há muito o que investir em produtividade e ganho de tecnologia”.

Ele justifica sua tese apresentando dados de uma pesquisa feita todos os finais de ano junto à indústria pela entidade para saber a intenção de realizar investimentos.

“O resultado de 2021 surpreendeu. A pesquisa feita no final de 2020 mostrou os investimentos previstos estavam na casa dos R$ 8,6 bilhões e o número alcançado chegou aos R$ 14,5 bilhões, valor 68,6% superior ao esperado”.

Desse total, 38,2% foi destinado a modernização tecnológica, 34,3% foi para a ampliação da capacidade industrial e 19,1% para a reposição de máquinas depreciadas; outros motivos ficaram com 8,4%.

“Devemos levar em conta que a ampliação da capacidade industrial também é obtida com a aquisição de máquinas modernas”, ressalta. Para 2022, as empresas têm a intenção de investir R$ 15,4 bilhões, valor em torno de 4% superior ao investido no ano passado.

Importações – Dados da Abimaq também mostram números relativos a importações de máquinas e equipamentos pela indústria nacional. Ao todo, elas chegaram a US$ 21,1 bilhões, com evolução de 23,4% em relação a 2020.

Não existem dados específicos sobre o segmento do plástico. Os números das máquinas do setor, no entanto, estão inseridos no item máquinas de bens de consumo, contemplado pela pesquisa.

Nesse quesito, a evolução das importações foi de 22,5% em relação ao ano passado.

Christopher Mendes, diretor responsável pelos equipamentos para a indústria de plástico da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos (Abimei), ainda não conta com dados relativos ao desempenho dos associados da entidade em 2021.

Diretor da importadora Brásia, que traz ao Brasil máquinas para diferentes segmentos industriais, entre eles a indústria do plástico, ele fala de sua experiência pessoal.

Venda de máquinas cresce para permitir atualização do setor - Transformação ©QD Foto: iStockPhoto “Na área do plástico, não apresentamos bom desempenho, tivemos melhores resultados nas vendas de máquinas voltadas para a indústria do papel. Pode ser que alguns fornecedores, de acordo com o tipo de máquina que operam e com o nicho da economia atendido, tenham apresentado resultados mais positivos”, ressalta.

De forma geral, ele aponta algumas dificuldades vividas pelos importadores de máquinas no último ano.

“Além da desvalorização do real, problema recorrente para nossa atividade, houve alta significativa e muitas dificuldades para a realização dos fretes, aumento do custo do dinheiro e as dificuldades geradas pela pandemia aos nossos clientes”.

Ele se mostra apreensivo em relação ao desempenho esperado para 2022. “A economia não mostra sinais de crescimento, há desemprego, inflação e problemas fiscais, o governo está gastando muito acima da meta.

Ainda teremos eleições e se a campanha presidencial for muito acirrada o dólar pode chegar aos R$ 7,00 ou até a R$ 8,00”.

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