Logística, Transporte e Embalagens

Variação cambial exige mais eficiência do setor – Distribuição

Marcelo Fairbanks
1 de outubro de 2018
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    Química e Derivados, Variação cambial e restrições de oferta global de químicos exigem mais eficiência do setor - Distribuição

    Os distribuidores químicos do Brasil têm apenas uma certeza: jamais morrerão de tédio. Como se não bastassem o encurtamento da oferta global de vários itens, as dificuldades normais de operar no país e a recente desvalorização do real frente ao dólar, a paralisação dos caminhoneiros interrompeu o fluxo de insumos e produtos finais nas duas últimas semanas de maio. Com isso, esse mês que havia começado com boas expectativas de vendas terminou com números ruins.

    Ainda não é possível dimensionar as perdas provocadas pela paralisação dos transportes rodoviários. Nem se pode prever quando a cadeia de abastecimento voltará ao ritmo normal. Mas já se percebe uma deterioração no ambiente de negócios, pois a Copa do Mundo de Futebol começa em junho e habitualmente deprime a atividade econômica. Depois dela, começará a campanha eleitoral, durante a qual as expectativas de mercado pulam do céu ao inferno com a divulgação de pesquisas que favorecem um ou outro candidato.

    No front externo, a economia dos Estados Unidos avança muito bem. Tão bem que o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) iniciou a elevação dos juros primários naquele país para conter a inflação. Embora suave, a elevação dos juros arrasta muitos recursos financeiros globais para os títulos americanos, deixando os mercados secundários (como o brasileiro) a pão e água. A saída dos investidores estrangeiros impulsiona a alta do dólar em relação ao real.

    Somando as pressões internas e externas, a taxa cambial que iniciou o ano em calmos R$ 3,20/US$, avançou velozmente aos R$ 4,00/US$ para depois recuar para R$ 3,70/US$ em junho, mas ameaça chegar a R$ 5/US$, segundo alguns analistas, dependendo do vencedor da corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto.

    Química e Derivados, Medrano: investimento em TI é fundamental para distribuição

    Medrano: investimento em TI é fundamental para distribuição

    “Aos distribuidores químicos, o maior problema é a variação cambial que pode gerar grandes prejuízos, seja no fechamento do contrato de câmbio, seja por não conseguir repassar adiante o custo da mercadoria”, comentou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim). Ele salientou que o setor químico também enfrenta problemas com a elevação do preço internacional do petróleo, que se reflete nas cotações dos insumos.

    A combinação do petróleo mais caro com o real desvalorizado é tóxica para a distribuição, por implicar maior consumo de capital de giro. Medrano considera favorável contar com juros primários (Selic) de 6,5% ao ano, muito menores que os de anos anteriores, mas critica as taxas praticadas pelo mercado financeiro local. “Os juros de mercado ainda não refletem a redução da Selic, eles prejudicam a atividade empresarial como um todo”, apontou.

    Na avaliação do dirigente setorial, o comércio químico fez sua lição de casa, fato evidenciado por não ter havido falências ultimamente. “As empresas estão líquidas, porém lhes falta capital para crescer, e pode ser que não consigam acompanhar o aumento de demanda quando ele vier”, salientou. É possível que a redução nos juros pagos pelos títulos do governo leve os investidores a olhar com mais interesse alguns projetos na atividade produtiva, incluindo a distribuição química.

    Como ressaltou, a aplicação intensiva da tecnologia da informação já apresenta efeitos expressivos em todas as atividades econômicas, inclusive no comércio químico mundial. “O Brasil está atrasado nisso, as empresas nacionais lutam para manter a liquidez, precisam se preocupar com impostos, obrigações acessórias e aspectos regulatórios; nesse quadro, o setor fica atrasado em relação aos europeus e americanos que já fazem a integração de seus sistemas com os dos clientes e fornecedores”, comentou. As ferramentas de TI permitem entender melhor as novas tendências de consumo e facilitam a negociação com clientes e fornecedores. “Mas é preciso ter uma equipe capaz de interpretar o fluxo de informações para melhorar os relacionamentos e se antecipar às novas demandas, isso exige investimento”, comentou.

    A presença crescente de companhias internacionais no mercado local reflete um novo patamar de negócios. “Elas contam com capital lá de fora, muito mais barato que o daqui, ainda há bom negócios para comprar no Brasil com preço relativamente baixo”, considerou.

    As empresas nacionais, por sua vez, ainda são ligadas à figura de seus proprietários e mostram envelhecimento dos quadros diretivos. “Os jovens buscam realização profissional com o uso de tecnologias mais avançadas, ainda distantes do comércio nacional”, disse, ressaltando a permanência da questão sucessória no setor.



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