Válvulas industriais – Demanda pela atualização dos equipamentos

Necessidade de automação dos processos puxa a demanda pela atualização dos equipamentos

Mesmo com a pressão das importações chinesas e a desaceleração de grandes consumidores, como os produtores de petróleo e gás, os fabricantes de válvulas industriais vêm superando a escassez de matérias-primas e dando sinais de crescimento.

A sustentação da demanda deriva do bom momento de pelo menos outros três segmentos, estimulados por fatores conjunturais e até legais, com destaque para celulose e papel, minerometalúrgico e saneamento básico, de acordo com representantes de grandes fabricantes de válvulas brasileiros e estrangeiros atuantes no país.

Em parte, a expansão da oferta se deve “à consolidação da indústria 4.0, que cria a necessidade de termos válvulas automatizadas e com mais tecnologia embarcada”, afirma Rodolfo Garcia, diretor da Thermoval.

Atualmente, cerca de 30% do portfólio da companhia, composto de válvulas solenoides, é voltado para esse perfil de consumidores, informa o executivo, que também é diretor da Câmara Setorial de Válvulas Industriais (CSVI) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O próprio desempenho do setor de máquinas, cujo crescimento estimado no primeiro semestre deste ano foi de 40%, vem impactando positivamente os negócios de toda a cadeia, acredita o gerente geral de vendas da área industrial da Gemü do Brasil, Mateus Souza.

Química e Derivados - Válvulas industriais - Demanda pela atualização dos equipamentos ©QD Foto: Divulgação/Gemü
Marco Souza, gerente nacional de vendas da Gemü

“O forte crescimento da Gemü no último ano – fabricante de diversos modelos de válvulas e sistemas de medição e controle – é prova disso”, argumentou o executivo, que trabalha com a expectativa de que máquinas e equipamentos fechem 2021 com receita entre 18% e 20% acima do patamar do ano passado.

Em sua opinião, qualquer aplicação que envolva fluidos depende de válvulas, pois são peças fundamentais para controlar sua passagem, a quantidade a ser liberada e o momento de interromper o fluxo.

Elas estão na mira principalmente de cadeias produtivas que buscam eficiência energética, maior disponibilidade de planta, segurança operacional, melhor desempenho e longa vida útil sem paradas para manutenção, complementa Alejandro Hube, CEO e diretor da Durcon-Vice.

Para Hube, os anos de 2015 e 2018 foram marcantes para o segmento, mas por motivos conjunturais inversos.

Após a crise brasileira ocorrida no primeiro ano, segundo ele, quase todos os novos projetos em andamento, que dependiam do fornecimento de válvulas, foram interrompidos, deixando o mercado sem perspectiva de outros empreendimentos.

Com a desaceleração, o setor se reestruturou, já que vários concorrentes internacionais deixaram o Brasil e muitos nacionais foram obrigados a encerrar suas atividades.

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Alejandro Hube, CEO da Durcon-Vice

Em 2018, acrescenta, “o mercado se equilibrou com aquisições muito menores do que as de 2014, porém, com menos concorrentes e ainda com poucos novos projetos para sustentar a oferta. Foi um período muito duro, mas a crise nos ensinou como cortar custos e ganhar produtividade”, afirmou Hube.

O aprendizado serviu também para impulsionar o setor nos últimos cinco anos, complementa Ronald Paulo Siciliano Neto, diretor de vendas da Hitter.

Nesse período, a indústria de válvulas industriais ganhou musculatura para acompanhar a trajetória do PIB, diz Siciliano Neto, tomando por base a evolução do faturamento de sua empresa, produtora de válvulas de controle e on-off lineares e rotativas, entre outras.

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Rodolfo Garcia, da Thermoval

De fato, segundo Garcia, da Thermoval, a produção seguiu em frente, mas em um ritmo aquém das necessidades do mercado, pois a insegurança econômica e política vigente no país não permitiu que fosse desenhada uma trajetória mais robusta, lembrando ainda que, por ser intermediário, o mercado de válvulas industriais depende do desempenho das demais cadeias produtivas.

Ele acrescenta que, por conta do descompasso entre a atual capacidade instalada dos fabricantes dessas peças e a demanda efetiva dos clientes, o crescimento das áreas de reposição, manutenção e de atualização de plantas superou o de novos produtos.

Contudo, a ascensão dos negócios nesse rol de atividades, conhecido pela sigla MRO (manutenção, reparos e operação) não foi linear, tendo sofrido abalo nos últimos dois anos.

“Em alguns segmentos, notamos uma maior cautela nos dispêndios, após a eclosão da pandemia do coronavírus” afirma Luiz Vieira Machado, diretor geral da Flowserve, responsável por um vasto portfólio de válvulas destinadas a várias aplicações.

A oscilação também foi percebida por Victor Nalin, CEO da Axpr Valve Science, representante no Brasil da Masoneilan e das válvulas de segurança da Consolidated, marcas tradicionais atualmente sob o comando da americana Baker Hughes.

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Victor Nalin, CEO da Axpr Valve Science

“Principalmente na manutenção, o volume das operações se tornou mais tímido, porém equilibrado, estável e resiliente, movimento que foi acontecendo ao longo dos últimos anos”, observa Nalin.

Sujeitos também a altos e baixos, os mercados internacionais de válvulas dos países desenvolvidos se contraíram e os fabricantes chineses buscaram ampliar espaço em outros locais, inclusive no Brasil, oferecendo condições de financiamento muito competitivas, aponta Marco Souza, gerente nacional de vendas da Neles.

A volatidade sistêmica acabou desencadeando um crescente movimento de fusão e aquisição de empresas, em âmbito global, inclusive no Brasil.

Nos últimos quatro anos, várias companhias nacionais trocaram de mãos, ao serem arrematadas por multinacionais, informa Souza.

Não por acaso, metade do quadro de associados da Abimaq é formado atualmente por companhias estrangeiras.

Saneamento, siderurgia e fertilizantes puxam a demanda – A aprovação do novo Marco Regulatório do Saneamento, em 2020, e a elevação dos preços do aço foram decisivas para animar a produção de válvulas industriais no Brasil.

Mas, segundo os representantes do setor, essa corrente também contou com elos de outras cadeias produtivas, a exemplo dos fertilizantes, cuja expansão da oferta foi impulsionada pelo agronegócio, e também pela produção química e petroquímica, responsáveis por uma fatia de 10% a 22% da demanda geral por válvulas industriais no Brasil, conforme estimativas das empresas entrevistadas.

Os números resultam das negociações e vendas de válvulas efetivamente faturadas para clientes do setor químico, por conta de suas operações normais.

Mas existe um movimento nesse mercado capaz de provocar uma forte onda de consumo de válvulas, prevê Alejandro Hube, da Durcon-Vice.

A expectativa do empresário é baseada tanto na possibilidade de fomento causado por novas organizações societárias envolvendo o setor químico e petroquímico como por investimentos em grandes projetos de descarbonização, com foco na produção de hidrogênio verde.

Por hora, a “bola da vez”, como definiu Mateus Souza, da Gemü do Brasil, é o saneamento básico, tendo em vista a demanda crescente por válvulas industriais para suportar a expansão do acesso à água tratada, viabilizado por empresas privadas que conseguiram entrar na área com o novo Marco Regulatório.

O gerente geral de vendas da área industrial da companhia também ressaltou a alta no consumo de fertilizantes, “cuja demanda está tão alta que a produção nacional não dá conta e depende de importações, o que impacta positivamente o setor de válvulas para suprir ampliações de capacidades instaladas”, afirmou.

O setor de celulose e papel, que mantém projetos em andamento, inclusive para atender necessidades especiais resultantes da crise sanitária, tornaram-se também grandes aliados dos produtores de válvulas industriais, segundo Victor Nalin, CEO da Axpr Valve Science.

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Axpr representa e dá suporte para produtos Masoneilan no Brasil

Por sua vez, a indústria siderúrgica, que ganhou fôlego com o aumento da cotação e do consumo do aço, precisou correr para adaptar sua estrutura produtiva às novas demandas, segundo ele.

Com isso, entrou também na corrente favorável ao setor de válvulas, impulsionando a produção e o consumo.

A siderurgia e os produtores de amônia poderão protagonizar demandas ainda mais significativas de válvulas industriais nos próximos cinco anos, prevê Nalin.

As aplicações serão destinadas a projetos voltados à construção de um ecossistema que faça uso do hidrogênio verde tanto na produção de aço como na de amônia, com foco em sustentabilidade e bioeconomia.

O gargalo na produção de energia, provocado pelo impacto negativo da crise hídrica, deverá também criar mais oportunidades para a indústria de válvulas industriais no Brasil, segundo ele.

Elas virão por conta de soluções alternativas de power plants, que serão diferenciadas, em comparação com as hidroelétricas, que, por si só, não conseguem garantir o suprimento energético no país.

Por outro lado, a necessidade de o Brasil fazer o que precisa ser feito, em termos de investimentos em inovação, na busca de tecnologias mais avançadas, também deve ser vista como fator de estímulo à indústria de válvulas, ressalta Rodolfo Garcia, da Thermoval.

Se essa tendência se confirmar na prática, ele acredita que o segmento se consolidará cada vez mais, tanto em seu parque fabril quanto na oferta de produtos disponibilizados ao mercado.

“Na realidade, esta é uma necessidade de todas as cadeias, pois do contrário teremos um aprofundamento da desindustrialização em nosso país.

É muito importante que os governantes criem um ambiente mais adequado, em que nossas empresas concorram em igualdade com os demais players do mercado”, concluiu.

Produção depende de know-how e vocação inovadora – O tipo de válvula que a indústria vem produzindo e oferecendo ao mercado resulta tanto da vocação de cada empresa, em termos de know-how, como do nível de competitividade e da capacidade de inserção nas cadeias produtivas de seu interesse.

Algumas dispõem de um portfólio diversificado, enquanto outras apostam suas fichas em um produto premium com maior possibilidade de ganhos.

Há também os que optam por uma mescla, ofertando produtos e algum tipo de serviço pós-venda ou de caráter mais amplo, visando fidelizar o cliente ou ampliar o leque de receita.

A Gemü, cujas vendas para o setor químico representam aproximadamente 22% de sua divisão industrial (não contabilizada a divisão farmacêutica), produz uma gama de válvulas e sistemas de medição e controle.

Dentre esses, destacam-se os modelos diafragma, borboleta, globo e esfera, com aplicações nas áreas industrial em seus diversos segmentos, como informa o gerente geral de vendas da área industrial, Mateus Souza.

A filial brasileira foi selecionada como Centro de Competência Mundial na produção de diafragmas de vedação para válvulas de vários tipos, em todo o grupo, sediado na Alemanha.

Souza relata que esse status foi alcançado em 2020, após a validação de amostras enviadas para o polo de qualidade da matriz, onde os diafragmas passaram por diversos testes em conformidade com o padrão europeu.

Nos últimos anos, o setor químico representou entre 6% e 8% do faturamento da Flowserve, segundo o diretor geral Luiz Vieira Machado.

Mas, em setembro de 2021, as vendas para o segmento, em termos de volume, representaram cerca de 13% do total de negócios da companhia.

Seu portfólio inclui válvulas de controle, on-off e manual dos tipos globo, esfera, macho, borboleta, plug excêntrico, esfera segmentada, entre outras para aplicações específicas.

Perto de 18% da demanda pelas válvulas da Hiter, de tipo controle e on-off lineares e rotativas, redutoras de pressão, dessuperaquecedoras e condicionadoras de vapor também vieram da indústria química, segundo o diretor de vendas Ronald Paulo Siciliano Neto.

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Válvula tipo globo de grande porte, da Micromazza

A mesma destinação é dada para um volume entre 10% e 15% da produção da Micromazza, que inclui válvulas industriais em aço dos tipos esfera, gaveta e globo, com acionamento manual e automatizado, segundo Jackson Felipe Camana, diretor administrativo.

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Válvulas atuadas com seus acessórios, da Micromazza

A produção da Neles se distribuiu no setor químico da seguinte forma: esfera 40%; borboleta 20%; globo 15% outras, 25%, informa Marco Souza, gerente nacional de vendas.

A Durcon-Vice tem 12% de sua procura igualmente vinculada ao setor químico. “Fabricamos muitos tipos de válvulas, mas a nossa estrela é a válvula borboleta tri-excêntrica, com vedação estanque metal-metal para bloqueio e controle de fluidos”, afirma Alejandro Hube.

Por não dispor de um produto com sua marca, a Axpr Valve Science se destacae no mercado de válvulas com um volume de negócios que corresponde a 70% de serviços, 30% de distribuição, incluindo equipamentos novos e peças sobressalentes.

Sua inserção específica no setor químico gera uma receita linear, entre manutenção e distribuição de equipamentos, na casa dos 20%, segundo o CEO Victor Nalin.

A empresa realiza manutenções de válvulas (manuais ou automáticas e de segurança) em suas oficinas e presta atendimento direto em paradas programadas ou não junto aos clientes, incluindo serviços de diagnóstico, medições de campo etc.

Para isso conta com oficinas em Indaiatuba-SP, Camaçari-BA e Ipojuca-PE, informa Nalin.

A demanda por distribuição e serviços é liderada, segundo ele, tanto pelas cadeias produtivas bem-posicionadas no mercado, apesar da crise, e as que preferem válvulas de primeira linha.

Esses mercados são disputados também por tradicionais fabricantes de válvulas, como a Flowserve, cujo volume total de vendas, nos últimos anos, teve uma participação entre 9% e 12% de serviços relacionados a válvulas, segundo Machado.

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Válvula de controle é um dos carros-chefes da Flowserve

O atendimento ocorre tanto em oficinas próprias, em São Caetano do Sul-SP ou em Três Lagoas-MS, como nas instalações dos clientes em todo o Brasil.

A Hiter também aderiu a essa opção de atendimento aos clientes, que hoje representa 8% do seu faturamento.

A iniciativa busca, de alguma forma, neutralizar os efeitos da concorrência dos produtos chineses em algumas linhas, por meio do fornecimento de soluções agregadas a serviços.

Entre elas, destacam-se o comissionamento e acompanhamento de instalação, como explicou o Ronald Paulo Siciliano Neto.

Gargalos, tendências e perspectivas de mercado – Produtos com alta confiabilidade e processos tecnológicos alinhados com a Indústria 4.0 compõem a receita das empresas para neutralizar os efeitos da concorrência chinesa e as incertezas do ambiente político e econômico.

A estratégia se baseia na necessidade de calibrar a oferta conforme as diversas aplicações das cadeias produtivas, gerando valor tanto para os negócios dos clientes como das próprias fabricantes de válvulas.

“O mercado de válvulas no Brasil está se adequando à nova regra em que os projetos são privados e buscam a eficiência e preço o que acontece somente em segmentos vocacionados no país”, justifica Alejandro Hube, CEO da Durcon-Vice.

Ele acrescenta que há mais de 15 anos vem acompanhando os bastidores das relações entre compradores e fabricantes, tendo concluído que a demanda por válvulas commodities seria atendido pela China.

No entanto, a procura por produtos de alto desempenho, com qualidade internacional, só seria atendida por quem se dispusesse a investir pesado em P&D e adquirir licenças para desenvolver válvulas, tendo como benchmarking as marcas líderes mundiais.

“Precisamos nos aparelhar com softwares de última geração, análises dinâmicas de fluidos, laboratório de performance, suporte técnico e equipe especializada. Montamos sistema de gestão de qualidade, atendendo requisitos regulamentares, bem como normas nacionais e internacionais, a fim de produzirmos válvulas que superam as exigências requeridas por nossos clientes”, afirmou

À medida que os clientes foram se adaptando aos conceitos da Indústria 4.0, os fabricantes de válvulas também tiveram que reinventar seus processos, agregando inteligência aos produtos.

“Com a necessidade cada vez maior de monitoramento e diagnóstico, muito setores buscam hoje malhas de controle equipadas com posicionadores, transmissores e controladores remotos. Com isso é possível verificar, mesmo à distância, se uma válvula está operando corretamente”, explica Siciliano Neto, da Hitter.

Trazendo um pouco a discussão para o lado prático, Souza, da Gemü, adequa a válvula ao bom desempenho esperado nas aplicações.

Destinado a controlar o fluxo de um fluido, a construção de uma válvula requer materiais resistentes a qualquer substância contida nesse fluido, como é o caso dos resíduos da produção de fertilizantes.

“Outro exemplo são as estações de tratamento de água, que incluem pequenas plantas periféricas para dosagem de produtos químicos utilizados no processo – cada um desses insumos requer diferentes materiais. Para o uso do cloro, o sanitizante mais comum, são necessárias válvulas com corpo feito de plástico e diafragma de resina termoplástica, de forma a evitar a corrosão e consequentes vazamentos. Qualquer problema em equipamentos utilizados em tratamento de água ou no agronegócio pode significar um grande desperdício”, comentou Souza.

Seguindo essa linha de raciocínio, Nalin, da Axpr, chama a atenção para aplicações em outras cadeias.

“Quando falamos de termelétricas, estamos nos referindo a válvulas com ligas específicas, capazes de operar sob alta pressão e temperatura, no manuseio do vapor e com grande expectativa de vida útil da vedação, das turbinas etc. Nas indústrias químicas, podemos destacar a compatibilidade química com essas válvulas, lembrando que a competitividade e o combate ao desperdício dependem dessa confiabilidade”.

A Flowserve tem conseguido melhorar o padrão de desempenho de seus produtos em conformidade com as ferramentas da Indústria 4.0, graças ao diagnóstico sistemático de ferramentais inteligentes, como informou o diretor geral Luiz Vieira Machado.

Além disso, segundo ele, a empresa tem inovado em projetos de válvulas para aplicações específicas, visando disponibilizar equipamentos que proporcionem menor tempo de parada planejada.

Machado acrescenta que a empresa também adotou medidas que otimizam o giro de estoques e, em alguns casos, estabelecem contratos de venda com previsão de prazos de consumo.

A estratégia visa, de um lado, amenizar os efeitos de gargalos na área de suprimento e, de outro, tornar mais assertivo o planejamento de produção, sem comprometer compromissos com os clientes.

A cadeia de suprimentos brasileira aumentou muito os prazos de entrega, confirma Souza, da Gemü, o que por vezes, segundo ele, resulta em atrasos.

Por precaução, sua empresa também reforçou o planejamento logístico, revendo previsões e, quando necessário, fazendo antecipação de pedidos.

Nalin considera vitais esses ajustes na gestão das operações a fim de evitar repasses de custos extras aos clientes.

Em sua opinião, o setor como um todo já opera pressionado por uma série de fatores econômicos, como preços, inflação, juros altos e oscilação cambial.

“O próprio preço das commodities, que é volátil, também nos impacta diretamente” afirma.

Contudo, a Axpr tem ambição global no segmento do aftermarket e vem se movimentando para atuar como agente consolidador desse mercado.

“Em 2021, expandimos nossa operação com as oficinas no Nordeste. Em 2022, teremos nova expansão no Brasil e planejamentos chegar no mercado externo, dentro de dois anos. Nossa obrigação é sempre estar na vanguarda, com respeito à tecnologia, inovação e melhores práticas, para beneficiar o mercado. Prezamos muito pela disseminação e maturação do conhecimento sobre válvulas, o que nos permite uma posição confortável dentro do ambiente competitivo”, justificou Nalin.

Mas seus principais concorrentes também se preparam para alçar voos mais altos.

A Durcon-Vice, cujas exportações para Europa, Estados Unidos, Ásia, América do Sul e Central representam 25% do seu volume de negócios, investe 5% do faturamento em P&D e, em 2022, pretende aumentar em 20% as vendas domésticas, conforme prevê Hube.

“Alcançaremos o resultado aperfeiçoando nosso processo de produção, tornando-o mais eficiente, aprimorando a cadeia de suprimentos e a relação com os nossos clientes e fornecedores, buscando suprimentos internacionais”, detalhou.

“Por exemplo: temos parceria com empresa de válvulas nos Estados Unidos e Europa, para troca de tecnologia”, afirmou Hube.

Ao se preparar para o futuro, a gaúcha Micromazza, parece ter observado à risca o mote “não tá morto quem peleia” (preceito típico da cultura regional) como inspiração para lutar contra os efeitos negativos da imprevisibilidade da demanda e da entrega de insumos, que afeta o setor de válvulas.

Além de ter exportado, até setembro, entre 10% e 15% do faturamento, contornando os danos da desaceleração do mercado interno, ela também se beneficiou com a inovação em sua estrutura de funcionamento, como explicou o diretor administrativo Jackson Felipe Camana.

“A empresa possui processo industrial totalmente verticalizado, da matéria-prima à pintura final, com fundição própria, usinagem de precisão e com desenvolvimento de vedações resilientes”.

Camana acrescentou que a estratégia se soma a outras iniciativas, como a prestação de serviços acoplados à venda, que variam entre 5% e 10% das transações comerciais da companhia, cujo carro-chefe é o setor de petróleo e gás, responsável por 40% de seu mercado de atuação.

A compra de novas injetoras de alta tecnologia, que facilitam a produção em escala, estão entre os investimentos da Gemü, para enfrentar os novos desafios e tendências da produção de válvulas.

Além de automáticos, os equipamentos dispõem de sistemas avançados, capazes de proporcionar maior controle e rapidez nas operações da companhia, como informou Souza.

Ele acrescentou que, nos últimos anos, a companhia vem investindo o equivalente a 15% de seu faturamento em P&D.

A Flowserve segue nessa pegada, ao investir US$ 500 mil na reestruturação de uma célula de montagem de válvulas de controle em sua unidade fabril de São Caetano do Sul-SP, segundo Luiz Vieira Machado.

O dinheiro foi aplicado em bancadas e equipamentos e dará condições para a empresa atender ao mercado de válvulas de controle de uso geral com prazos de entrega rápidos e condições comerciais competitivas.

Contudo, o deslanchar efetivo do setor e da própria recuperação econômica do País está umbilicalmente ligado ao controle efetivo da pandemia, adverte Marco Souza, da Neles.

A empresa já fez sua lição de casa, como focar novos mercados, aumentar a cobertura de vendas e proteger a base instalada.

Mas se o Brasil ficar à mercê de uma terceira ou quarta onda do vírus, haverá a continuação de uma atividade do tipo “anda e para” em vez de uma recuperação em V, como todos esperam, diz o executivo.

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