Uréia – Produção local volta em 2021 para suprir mercados

Produção local volta em 2021 para suprir diversos mercados, de fertilizantes a cosméticos

Segmentação de mercado – O uso da ureia como fertilizante agrícola é de longe o mais relevante. “Dessas 5,7 ou 5,8 milhões de t, o setor de fertilizantes fica com 4,7 a 4,9 milhões de t, enquanto a ureia pecuária gira entre 200 e 250 mil t e os demais usos, como o industrial e a premium, por volta de 500 mil t”, avaliou Souza. “A Unigel vai atuar em todos os tipos de ureia, para todos os mercados”, ressaltou.

A ressalva se justifica. A unidade que produzia ureia pecuária no Brasil era a de Araucária, mas nada impede que ela seja fabricada em Sergipe ou Camaçari. “A linha de produção é a mesma para todos os tipos, o que muda é o grau de pureza e a forma de apresentação”, disse Souza.

As unidades arrendadas usam o processo tradicional de duas etapas (formação de carbamato de amônia e sua posterior desidratação para obtenção da carbamida, que é a ureia), sempre em fase líquida. “A purificação da ureia é feita ainda na forma líquida, antes da secagem, feita em spray dryer”, salientou o diretor comercial.

Como explicou, a ureia fertilizante é comercializada a granel, em grandes quantidades, com transporte feito a longas distâncias e sob condições geralmente desfavoráveis – a ureia é higroscópica, por exemplo. “Para evitar que o produto ‘empedre’ durante o transporte e armazenamento, adiciona-se à ureia fertilizante um aditivo, o concentrado ureia-formol (CUF), que é indesejável para os usuários da ureia técnica ou premium”, comentou. Esses produtos mais sofisticados são armazenados separadamente, embalados em sacaria ou big-bags e enviados rapidamente aos compradores.

Há relatos de uso indevido de ureia fertilizante em aplicações mais nobres, mas isso é desaconselhado pelo fabricante. “Os rebanhos não deveriam consumir ureia com resíduos de formol, por exemplo”, alertou. Mais grave ainda é o uso de ureia fertilizante na formulação do agente redutor líquido de NOx automotivo, o Arla 32.



“O Arla 32 é uma solução a 32% de ureia de alta pureza, denominada premium, em água desmineralizada; o uso de ureia agrícola atrapalhará a catálise dos gases da combustão do óleo diesel e prejudicará o desempenho e a durabilidade do motor, causando graves prejuízos”, ressaltou.

O uso de Arla 32 para neutralização das emissões de NOx originados na combustão automotiva do óleo diesel foi instituído em 2012 para motores com tecnologia SCR, da fase P7 do Proconve (versão local do padrão Euro 5). O comando eletrônico, ao identificar o uso de Arla 32 fora da especificação, reduz automaticamente a potência do motor e pode até mesmo travá-lo. A fiscalização dos produtores de Arla 32 é rigorosa e eles podem ser descredenciados caso sejam identificadas irregularidades nos produtos ou processos.

“Produziremos em Camaçari a solução de Arla 32, com a ureia premium fabricada lá, para atendimento ao mercado regional, vendendo o insumo de alta pureza para formuladores de outras regiões”, afirmou. “A planta de Camaçari já tem instalações adequadas que eram usadas para isso.”

O mercado de ureia técnica industrial é bem variado, explicou Souza. Há demanda significativa na produção de painéis de madeira, que usam resina ureia-formol como aglomerante, mas também existem clientes que produzem aminas, assim como produtos cosméticos e farmacêuticos. “O mercado industrial está muito concentrado nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais”, salientou.

Atenta à evolução dos negócios, a companhia está desenvolvendo canais de atendimento ao mercado, promovendo reuniões com clientes que consomem ureia. “Estamos avaliando usar distribuidores para atender alguns mercados, porém sem conceder exclusividade”, disse Souza.

No momento, a companhia estuda importar ureia técnica para fazer operações de pré-marketing com clientes industriais. No caso da ureia fertilizante, não é preciso fazer pré-marketing, mas pode ser necessário importar alguma quantidade desse tipo para formar um estoque de segurança. “Laranjeiras tem previsão de partida para janeiro e Camaçari deve entrar em produção, no mais tardar, em 1º de abril”, adiantou.

O ponto nevrálgico da produção de amônia/ureia é o preço e a disponibilidade de gás natural, responsável por 60% a 70% do custo de produção. “O preço do gás nos Estados Unidos é de US$ 2,60 a US$ 2,70 por milhão de BTU, se recebermos gás por US$ 5, seremos muito competitivos”, avaliou.

Souza acredita que a abertura do mercado de gás natural vai ampliar a concorrência nesse mercado e reduzir o preço. Isso também exigirá contar com estruturas para recebimento do gás natural liquefeito (GNL) e sua regaseificação, além de uma rede robusta de dutos de transporte.

Na configuração atual, as unidades arrendadas serão supridas pela Petrobrás, que possui infraestrutura operacional em Camaçari-BA, interligada à malha nacional de dutos, que também chega à unidade de Laranjeiras-SE. Com isso, essas plantas podem receber moléculas de gás até da Bolívia. “A Petrobras tem sido uma boa parceira para nós”, disse Souza.

Em Sergipe, a Golar já opera uma estrutura de recebimento de GNL para suprir uma termoelétrica local. “Não existe um duto ligando essa estrutura com a fábrica de amônia/ureia, mas isso poderá ser construído no futuro”, considerou.

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