Equipamentos e Máquinas Industriais

Tubos – Encontro discute saídas para a crise – Tubotech

Quimica e Derivados
24 de fevereiro de 2016
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    Revisão de modelo

    Antonio Guimaraes, secretário executivo do IBP e diretor de Upstream da Shell Brasil, lembrou que antes de estabelecer regulação para o setor é necessário atentar para as transformações do panorama global do petróleo. A oscilação cíclica dos preços internacionais é um dos fatores que devem ser levados em conta na projeção de investimentos. “Em 2008, por exemplo, o preço do barril de petróleo estava no patamar de US$ 100 dólares. Hoje, está em torno de US$ 40 e não há perspectivas de que seu preço se elevará no curto prazo”, alertou.

    Crítico do atual modelo de política para o setor, Guimaraes disse que há outras razões, além da crise econômica, que travam os investimentos em petróleo e gás no Brasil. “Governo e empresas devem investir para atender à demanda de bens e serviços, em bases internacionalmente competitivas. O modelo vigente no País precisa ser aperfeiçoado para acompanhar os desafios globais. Hoje temos um único operador no polígono do pré-sal. A Petrobrás conseguiu descobrir 40 bilhões de barris. É louvável. Mas se tivéssemos mais três ou quarto operadores na mesma área, estudos apontam que o Brasil poderia superar a casa dos 100 bilhões de barris”.

    O executivo também defende a estabilidade tributária e regulatória. “É preciso respeito e manutenção às regras e condições econômicas que balizam os investimentos para não prejudicar os negócios”. Disse ainda que o País precisa ter um calendário fixo de rodadas de licitação para estimular os investidores e o planejamento de longo prazo. Antonio Guimarães acrescentou que dos mais de US$ 1 trilhão de investimentos globais em 2013 para exploração e produção de petróleo no mundo, apenas 4% foram destinados ao Brasil. “Pela riqueza de nossas reservas e capacidade dos nossos técnicos, especializados em águas profundas, poderíamos estar, no mínimo, no patamar de US$ 80 bilhões de investimentos”.

    Outros setores

    Outra palestra relevante do I Congresso Brasileiro do Setor de Tubos foi a do engenheiro Marcelo Mafra Borges de Macedo, que falou sobre a nova regulamentação de dutos submarinos, com enfoque na segurança das instalações. “O Brasil possui uma vasta rede de sistemas submarinos, com várias unidades em operação que datam das décadas de 1970 e 1980, que precisam ser atualizadas”. O novo regulamento para o Sistema de Gerenciamento de Segurança Operacional de Sistemas Submarinos SGSS, será editado até o final de 2015 e terá um período de adequação de dois anos.

    No setor naval, o vice-presidente executivo do Sinaval, Franco Papini, demonstrou preocupação com a redução da demanda por tubos, conexões e válvulas em razão da retração de investimentos da Petrobrás em novas plataformas de petróleo, sondas e rebocadores. “Hoje mais de 14 mil empregados estão fora do mercado, isso representa uma redução de 18% do efetivo da indústria naval”, observou, acrescentando que a crise da Petrobrás já resultou na queda de demanda dos estaleiros de 367 para 274 unidades, entre barcaças, navios de apoio marítimo, petroleiros e navios de patrulha. “Estamos com muitas atividades paralisadas, nossa expectativa é que a retomada do crescimento gere condições de demanda para atrair novos investidores que possam dar impulso ao setor naval brasileiro”.

    Cesar Prata, presidente do Conselho do Óleo e Gás da Abimaq – Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos, por sua vez, mostrou-se preocupado. Com faturamento da ordem de R$ 80 bilhões/ano o setor de máquinas e equipamentos tem sido um dos mais afetados com a crise econômica. Ele destacou que quando foi anunciada a descoberta do pré-sal, entre 2003 e 2004, o setor de máquinas tinha grandes expectativas em oferecer à Petrobras produtos de valor agregado. O diretor da Abimaq, entretanto, reconhece que o cenário atual é diferente e desafiador.

    Texto: Marcia Mariano



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