Tubos: Retomada acelerada dos negócios no país

Química e Derivados - Tubos: Retomada acelerada dos negócios ©QD Foto: iStockPhoto

Fornecedores apontam retomada acelerada dos negócios no país – Tubos

Os efeitos do coronavírus e os preços do petróleo abalaram a produção de tubos e acessórios. A boa notícia é que, entre perdas e danos, há quem está fazendo do limão uma limonada neste segmento fundamental para um leque de indústrias, como química e petroquímica, óleo e gás, saneamento, papel e celulose e construção civil, entre outras.

Nascimento: anos anteriores já registraram vendas baixas ©QD Foto: Divulgação
Nascimento: anos anteriores já registraram vendas baixas

O diretor presidente da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), Idarilho Gonçalves Nascimento Neto, comenta que “as empresas fornecedoras para óleo e gás vêm sofrendo duplamente, tanto pela pandemia quanto pela queda dos preços do petróleo, o que fez com que a maioria das operadoras de petróleo cortassem investimentos em capex (capital expenditure, a quantidade de recursos financeiros alocados para a compra de bens de capital), previstos inicialmente para 2020”. O Brasil registrou uma queda no PIB de 9,7% no segundo trimestre, sendo que o setor industrial apresentou declínio de 12,3% em comparação com o primeiro trimestre de 2020.

Nascimento cita que as exportações setoriais do primeiro semestre tiveram uma queda de 54% versus o mesmo período de 2019 (240 mil toneladas ante 552 mil t), resultado da retração internacional causada pela pandemia e pela queda nos preços do petróleo.

As importações, nas mesmas condições de comparação, sofreram um recuo de 26%, porém em quantidades muito menores, porque o Brasil tem capacidade suficiente para atender a demanda interna: 81 mil t em 2020 contra 108 mil t em 2019.

“No mercado interno, a situação é complexa. Mesmo diante da crise nos primeiros seis meses, 2020 não é pior do que 2019 e 2018, a demanda já vem muito deprimida desde 2018, pela falta total de investimentos em infraestrutura, habitação, indústria automotiva e óleo e gás”, agrega.

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“O Governo tem um plano econômico liberal, quer promover a abertura de mercado e diz que a indústria nacional é improdutiva, o que não é verdade”, destaca Nascimento. “Temos um jargão: somos muito competitivos do portão para dentro; isso quer dizer que a indústria investiu em tecnologia e inovação para sobreviver. Porém, a carga tributária com todos os seus impostos, encargos sociais e contribuições, somado ao alto custo de energia, falta de infraestrutura de transporte, custo de capital e queda da demanda, afetam duramente. Não podemos promover uma abertura comercial unilateral, algumas vezes até mesmo contrariando regras da Organização Mundial do Comércio sem antes promover toda a arrumação necessária para a busca da competitividade nacional”, critica.

Nascimento ressalta que a sensação “é que chegamos ao fundo do poço e daqui para frente a perspectiva é de recuperação. O ramo siderúrgico já dá sinais de retomada, puxada principalmente pelo crescimento da construção civil, automotivo e agroindustrial, somado a um aumento da demanda de distribuição no último mês de agosto, que vinha com níveis de estoques muito baixos”.

A expectativa, prossegue, “é que esse aumento seja gradual e que o crescimento em V seja específico para alguns setores. Ainda há um déficit muito grande de investimentos de longo prazo e, principalmente, em infraestrutura, o que permite ao industrial planejar as suas inversões, gerar empregos qualificados e renda para os brasileiros, evitando mais gastos do Governo com planos assistenciais, que no momento em que vivemos são essenciais”.

PEAD – O presidente da Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE), Adriano Meirelles Cunha, declara que “o advento da pandemia trouxe, para alguns mercados, um atraso nas contratações dos serviços e uma diminuição na produção de materiais. Mas, por outro lado, as empresas de saneamento aproveitaram a diminuição de fluxo de carros no trânsito das cidades para imprimir maior velocidade em suas obras, o que aumentou o consumo de material”.

Cunha: tubos feitos de resinas confirmam demanda crescente ©QD Foto: Divulgação
Cunha: tubos feitos de resinas confirmam demanda crescente

Os tubos de PEAD (polietileno de alta densidade), apesar de estarem se tornando solução técnica em algumas áreas (como o saneamento), e, portanto, para alguns diâmetros e classes de pressão, uma commodity, para outros segmentos ainda se trata de produto feito “sob encomenda”, observa.

De forma geral, o comércio de tubos de PEAD tem crescido ano a ano, e em 2020 não está sendo diferente. A ABPE tem o objetivo de divulgar e intensificar o uso de tubos e conexões plásticas em polietileno e polipropileno, assim como ordená-los normativamente em função de suas inúmeras aplicações.

Cunha está “muito esperançoso’ com o novo marco do saneamento. “As metas de atendimento de água tratada e de coleta e tratamento de esgoto trazem consigo a necessidade de tubos de PEAD, tanto os lisos como os corrugados”. Esses tubos apresentam “grandes vantagens técnicas” sobre outros materiais, como durabilidade, leveza e atoxidade.

Por isso, cada vez mais, os tubos de PEAD têm conquistado mercado de outros materiais, principalmente dos metálicos e dos de concreto. “O volume de investimento a ser realizado até 2033 certamente terá um impacto relevante, podendo dobrar o volume hoje realizado”, comemora.

Há novidades em aplicações, segundo Cunha: o PA 11 é utilizado em tubulações de gás na Austrália. O PA 12 veio depois. Ambos são muito utilizados na indústria automobilística, nas tubulações de combustível, freios, etc, e reservatórios dos motores de veículos.

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Entre as suas vantagens, alta resistência e impermeabilidade ao gás natural e combustíveis; poder ser fornecido em bobinas; maior MRS, podendo ser dimensionado para pressões de gás de até 18 bar, contra 10 do PE 100; alta resistência química; ser soldado e instalado da mesma forma que os tubos de PEAD, por eletrofusão ou topo.

Ele garante que os tubos feitos de materiais poliméricos possuem boa relação custo-benefício para substituir tubos de aço no transporte de gás a médias pressões, evitando proteções catódicas, etc. Dado que esse material pode trabalhar com pressões superiores, as companhias distribuidoras de gás têm optado por eles em detrimento aos tubos de aço (para diâmetros até 200 mm).

Indagado sobre investimentos, responde que as empresas têm feito a sua parte para o desenvolvimento do comércio: “Houve importação de novos equipamentos para a produção de tubos de grandes diâmetros, além da abertura de três novas plantas de produção, sendo duas delas na região Nordeste”.

Cunha é diretor vice-presidente comercial da FGS Brasil e foi eleito presidente da ABPE, fundada em setembro de 1994, no dia 13 de agosto: “A Associação tem uma nova pauta a ser discutida, onde definirá suas prioridades. Posso afirmar, contudo, que ela deverá concentrar seus esforços em alguns nichos distintos, onde há espaço para um crescimento exponencial para o uso dos materiais poliolefínicos. Obviamente, cada mercado demanda uma ação específica”.

Expectativas – No saneamento, “daremos maior atenção ao desenvolvimento dos tubos corrugados. Buscaremos, junto ao mercado de gás, promover o uso da PA 12 (poliamida). Para o ramo industrial, promoveremos o uso maior do PP (polipropileno), e por fim, para mineração, um maior uso dos materiais em PEAD para transporte de polpa e de produtos químicos”.

“Em que pese todas as dificuldades e desafios trazidos pela pandemia, o ano de 2020 (salvo alguma alteração de curso diametralmente oposta à que vemos hoje, trazida por uma política de preços e de abastecimento restritiva) deverá ser muito parecido com 2019, o que, convenhamos, já é uma conquista”, salienta Cunha.

“Para 2021, temos uma carteira de projetos espalhados pelo país que devem garantir um aumento de volume de, ao menos, 20% em comparação com 2020. Há de se considerar que as novas plantas do Nordeste deverão também criar uma demanda que antes não existia, ajudando a potencializar os volumes hoje existentes”, arremata.

Xin: produtividade crescerá de 25% a 30% em 2021 ©QD Foto: Divulgação
Xin: produtividade crescerá de 25% a 30% em 2021

Empresas – O gerente de vendas da Engemasa, Chan Chao Xin, calcula que a produção vai encolher em torno de 10% a 15% em 2020, em comparação ao ano passado. Atualmente, os negócios estão divididos ao meio entre os consumidores nacionais e internacionais. “Diante das notícias relacionadas à pandemia, já em fevereiro projetávamos um cenário pessimista, pois muitas empresas seriam obrigadas a parar, por falta de demanda ou pelo coronavírus mesmo”.

O gerente de marketing da Kanaflex, Eduardo Bertella, recorda que, nos dois primeiros meses da pandemia, março e abril, “o mercado se retraiu muito. Mas, aos poucos, foi retomando e, atualmente, apresentamos crescimento em comparação com o mesmo período do ano passado”.

O período é de “muita cautela”. Apesar dos novos desafios, “a Açotubo não parou”, afirma Carlos Figueira, gerente executivo/projetos – tubos e conexões. “Estamos com crescimentos consideráveis em algumas linhas, o que nos fez aumentar os investimentos em infraestrutura e tecnologia. No primeiro quadrimestre houve bastante instabilidade. Hoje, vivemos um novo momento. Pretendemos sair desse episódio mais forte do que entramos. Isso é fato!”, manifesta-se, confiante.

O setor de tubos tem sofrido com a crise da Covid-19, agravada pela crise internacional do petróleo. “No caso da Vallourec, em que o segmento de óleo e gás é extremamente importante, estamos passando pelo que se denomina de crises gêmeas. Começamos a enfrentar a crise do petróleo, internacionalmente falando, antes mesmo da pandemia. Dessa forma, os efeitos são bastante relevantes, tanto interna quanto externamente, haja vista que a operação no Brasil é o principal hub de exportação”, analisa Hildeu Dellaretti Junior, superintendente de relações institucionais das empresas do grupo no Brasil.

Antes, ele esperava um excelente 2020: “Infelizmente, as crises gêmeas afetaram drasticamente a produção mundial de petróleo. Num primeiro momento, a guerra de preços entre árabes e russos contra os americanos forçou uma queda bruta de preço. No segundo trimestre do ano, agravado pela crise da Covid-19, o petróleo chegou a ser negociado com valores negativos – fato inédito – despencando de US$ 65/barril para US$ 29, em média. Agora está na faixa entre US$ 40 e US$ 45 por barril. Isso afetou fortemente toda a cadeia produtiva de óleo e gás, inclusive a Vallourec”.

Bertella pondera que há sinais de recuperação: “A Kanaflex está calejada com o sobe e desce do mercado em que atua. Logicamente, a pandemia é um caso à parte, nunca visto antes, mas acreditamos que o pior já passou”.

Figueira: distribuidor sairá mais forte dessa crise ©QD Foto: Divulgação
Figueira: distribuidor sairá mais forte dessa crise

O novo cenário econômico impôs adaptações urgentes. Xin relata que a Engemasa decidiu tomar medidas para fortalecer a carteira de pedidos e poder suportar os meses difíceis que viriam pela frente: diminuição das margens de lucro, aumento da atuação no exterior, desenvolvimento de novos fornecedores e busca por financiamentos públicos, como o Finame, para alongar os prazos de pagamento dos clientes nacionais.

Figueira descreve que a dinâmica encontrada para manter a operação e as entregas na Açotubo foi a montagem de um comitê de prevenção ao Covid-19 com uma visão 360º, que considera diversos cenários, possibilidades e atores envolvidos. “Além de seguir à risca todas as recomendações dos órgãos oficiais de saúde, agimos de maneira muito rápida para medidas que consideram os espaços, as rotinas de clientes, fornecedores, prestadores de serviço e nossos colaboradores e suas famílias”, comunica.

Diversos procedimentos internos foram adotados, como a criação de grupo de gestão de risco que reúne a alta liderança; monitoramento diário da situação externa, das operações e dos colaboradores; adiamento de treinamentos, eventos e entrevistas de recrutamento e seleção; operações de recebimento, vendas, faturamento e expedição estão mantidas, mas com redução de quadro, conforme demanda. A Açotubo dispensou para férias, home office ou banco de horas as pessoas do grupo de risco, que têm dificuldade de deslocamento, administrativo e mães que precisam cuidar dos filhos por suspensão das aulas.

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Dellaretti confessa: “Tivemos que fazer alguns ajustes de produção. Hoje estamos com uma expectativa melhor para o segundo semestre. O consumo interno apresenta alguns leves sinais de reação, porém ainda tímidos para óleo e gás. A construção civil começou a sinalizar uma melhora, assim como o automotivo. O primeiro semestre de 2020 vai ser referência de dsempenho ruim para toda a economia brasileira”.

Dellaretti: setor de petróleo sofreu impacto duplo em 2020 ©QD Foto: Divulgação
Dellaretti: setor de petróleo sofreu impacto duplo em 2020

Modelo – A Vallourec criou um novo modelo de fornecimento de soluções tubulares inteligentes, que combina serviços físicos e tecnologias digitais: o Vallourec.smart. “Desenvolvidas de forma colaborativa – em parceria com o cliente –, as soluções atendem as reais necessidades e são entregues de forma ágil e contínua e, em vários casos, em tempo real. Isso significa soluções que estão sempre em evolução e que podem ser adaptadas a cada nova demanda, atendendo às especificidades de cada novo projeto”, pontua Dellaretti.

Dentre as soluções oferecidas para a linha de produtos Line Pipe (PLP), ele narra que foi desenvolvido o Digital Data Book: é um sistema hospedado em nuvem que disponibiliza, por celular e/ou web, todos os dados reais relacionados aos processos de produção do tubo – desde as barras de aço ao acabamento.

Além disso, é capaz de integrar todas as informações do escopo de produtos e serviços oferecidos pelo grupo, feito internamente ou através de parceiros – como os Line Pipes, curvas, revestimento e solda – apresentando-os em uma interface digital única e amigável, o que agiliza as aprovações técnicas e proporciona aos clientes mais eficiência na gestão de projetos e ativos.

No momento, a Engemasa não apresenta novidades em termos de tecnologia e produtos e os investimentos que havia foram suspensos diante da crise sanitária: renovação de equipamentos laboratoriais, equipamentos produtivos (fornos para usinagem) e automação de solda de tubos, revela Xin.

Bertella prefere salientar que as tubulações de parede lisa de PEAD mostram força no mercado industrial e de mineração, e a Kanaflex conta com uma linha vasta de soluções.

Figueira antecipa que a Açotubo está fazendo análise mercadológica de alguns produtos específicos, porém, momentaneamente, quer manter tudo em sigilo até que chegue o dia de fazer uma divulgação completa. Mesmo com o cenário anômalo, a “maior distribuidora no atendimento ao ramo siderúrgico da América Latina”, está dando continuidade a uma série de investimentos programados para este ano.

Anunciou a inauguração de uma nova área para a divisão Conexões, que nasce com o objetivo de ser uma unidade modelo em organização, processos e redução de custos. Com 15 mil m² e tecnologia de ponta para agilizar a operação e controlar estoque, Conexões tem foco em economia e otimização logística. “Tivemos em 2020 um ganho significativo em market share e entendemos que 2021 não será diferente”, afiança Figueira.

Metas – “Os resultados de vendas até hoje indicam que estamos na direção correta”, assevera Xin, da Engemasa. Apesar da diminuição da produção em torno de 10% a 15% este ano, ele acredita que os negócios deverão fechar 2020 com um crescimento de 10% em relação aos números de 2019, o que coincide com a meta fixada. E, para 2021, as perspectivas são ainda melhores: “Teremos aumento de produtividade de aproximadamente 25% a 30%, em comparação com 2020, e vendas 10% superiores às deste ano”.

Na opinião de Bertella, acredita-se na Kanaflex que este ano será fechado com crescimento, em relação a 2019, de 10% a 15% no faturamento. “Antes da pandemia, a percepção que tínhamos era de uma retomada forte em 2020, o que poderá acontecer em 2021”, indica.

Figueira relata que, baseado em todos os investimentos da Açotubo, há confiança na retomada de alguns setores específicos, entre eles, óleo e gás, que tem trazido resultados interessantes: “Seguiremos mantendo um forte engajamento em novas tecnologias e, principalmente, capital humano. Pretendemos fechar 2020 de maneira positiva e com boas perspectivas, embora acreditamos que o aumento mais expressivo nos volumes venha a partir de 2021, onde seguiremos entregando soluções competitivas”.

A situação da Vallourec no Brasil é boa, divulga Dellaretti. “A mineração tem contribuído bastante. No exterior, a organização tem parceiros muito fortes, em particular um banco francês e um grupo japonês, que se encontra entre os maiores produtores de aço do mundo. Além disso, temos a expectativa de uma melhora do mercado. O que vimos no mundo e no Brasil neste ano foi totalmente inesperado. Estamos contando que a recuperação aconteça o mais rápido possível”.

“Recentemente” – continua – “tivemos os contratos com a Petrobras renovados. Há bastante tempo temos conseguido renovar o contrato de fornecimento de tubos da linha OCTG e a Petrobras está dando mais uma prova de confiança nessa parceria. A expectativa é aumentar a produção. As empresas diminuíram as atividades. O Brasil chegou a ter 55 sondas rodando no ano, há dois anos havia 15 sondas”.

“A operação do petróleo no Brasil deu uma arrefecida. Vimos agora novos leilões e essas empresas estão em fase de exploração. O projeto, depois que se adquire o bloco, demora por volta de cinco anos para entrar na fase de desenvolvimento. Os dois primeiros são de planejamento e exploração. A expectativa é positiva. A Petrobras ainda continuará sendo a locomotiva”.

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Qualidade – Bertella enfatiza um tema fundamental: mesmo em um mercado instável, não se pode abrir mão da qualidade, flexibilizando as condições de fornecimento e alterando as caraterísticas dos produtos. “Os produtos fabricados pela Kanaflex têm aplicação técnica. Precisam atender as normas vigentes no país. O departamento de P&D está atento às novas solicitações dos clientes e adequações dos produtos às exigências específicas”.

Fundada no Japão em 1952 por Shiro Kanao, a Kanaflex conta com 19 unidades fabris, distribuídas pelo Japão (11), Brasil (3), Estados Unidos (2), China (2) e Espanha (1). “No Brasil desde 1973, tornou-se sinônimo de qualidade e cumpridora dos prazos. Com fábricas em Embu das Artes-SP e Itu-SP, e outra recentemente inaugurada no Ceará, atende as demandas de infraestrutura elétrica, saneamento, mineração, drenagem pluvial e subterrânea, petroquímica, alimentícia, agrícola, industrial e de energia limpa (solar e eólica)”, acentua.

Fábrica da Kanaflex instalada em Embu das Artes-SP ©QD Foto: Divulgação
Fábrica da Kanaflex instalada em Embu das Artes-SP

A Engemasa é uma fundição com 44 anos de tradição que fornece produtos de alta qualidade sob encomenda para indústrias de bombas, válvulas, turbinas, papel e celulose e óleo e gás. A especialidade são produtos engenheirados em ligas inoxidáveis, duplex/superduplex, refratárias e especiais. A fundição estática produz os fundidos tradicionais, enquanto que a centrifugação gera produtos com geometrias simples, como, por exemplo, os tubos sem costura.

Xin explica que a produção de tubos em ligas refratárias não é possível por métodos tradicionais, como os tubos laminados ou extrudados, devido ao alto teor de carbono presente neste tipo de liga. Portanto, a centrifugação é uma alternativa viável.

A centrifugação consiste basicamente no processo de se verter o aço líquido dentro de uma coquilha (um molde metálico com um furo interno) que está girando a altas rotações por minuto (rpm) e, devido à força centrípeta, o aço é deslocado para a superfície do molde formando o tubo. Devido a essa força, o material de maior densidade tende a ocupar a superfície externa (diâmetro externo) e o material de menor dureza a superfície interna (diâmetro interno). Nesse caso, podemos considerar que o aço ocupa a parte externa e as impurezas a parte interna, sendo a uma porção desta removida por usinagem.

As ligas refratárias normalmente não são normatizadas. É necessário que o fabricante desenvolva, através de ensaios, todas as características e comportamento da liga em temperatura ambiente, em alta temperatura e ao longo do ciclo de vida. Os ensaios de longo prazo, como fluência, podem ser conduzidos por até 100 mil horas, sendo este um dos motivos de não haver outro fornecedor no Brasil para essa aplicação a não ser a Engemasa, que investe há anos em pesquisa e desenvolvimento de ligas refratárias.

Ainda conforme Xin, o setor alvo para as ligas refratárias são as indústrias petroquímicas, refinarias e de fertilizantes (amônia), que se utilizam normalmente das ligas E2535Nb-MA, E3545Nb-Ma e E2032Nb, todas com alto teor de cromo e níquel em suas composições.

Figueira considera que, “com um dos portfólios mais completos, seja para o atacado ou varejo (tubos de aço carbono e inox, conexões, aços e chapas de inox)”, a Açotubo está atenta às futuras oportunidades. “Cada segmento responde dentro da sua velocidade. Com isso, mantemos o departamento comercial conectado em diversas áreas de atuação, evitando qualquer centralização e minimizando riscos”.

Produção de tubos da Kanaflex em Itu-SP ©QD Foto: Divulgação
Produção de tubos da Kanaflex em Itu-SP

A Vallourec oferta uma gama muito ampla de produtos para diversos segmentos, como óleo e gás, industrial, geração de energia, automotivo e estrutural. “A inovação sempre foi um ponto forte, está no nosso DNA. Estamos aliando inovação, prestação de serviços e tecnologia aos produtos”, avisa Dellaretti.

A unidade do Barreiro, fundada em 1952, é uma usina referência. “Em 2011, iniciamos a planta de Jeceaba, uma das usinas mais modernas do mundo para produção de tubos de aço sem costura. Barreiro tem mais versatilidade na produção, enquanto Jeceaba é focada em grandes projetos para óleo e gás, tanto para consumo interno quanto externo”, de acordo com o porta-voz.

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“A unidade Florestal tem 22 fazendas, com aproximadamente 220 mil hectares de área total e 110 mil de área plantada. No total estão consideradas as áreas de preservação permanente, reserva legal, áreas de manejo de produção e infraestrutura. A função principal é fornecer carvão para a produção de aço”.

“Temos ainda duas unidades de serviços, localizadas no Rio de Janeiro e em Vitória-ES, as quais são voltadas, principalmente, para os setores de óleo e gás. Temos também a unidade Mineração, em Brumadinho-MG, que fornece minério e pelotas para consumo próprio e para o mercado. O segmento continua aquecido, com preços internacionais elevados e beneficiado pela cotação atual do dólar. A mineração realmente vive um momento diferenciado”.

Dellaretti difunde que o investimento na mineração mantém o cronograma original e está dentro do prazo. Irá aumentar a capacidade de produção e possibilitar o beneficiamento abaixo dos 45% de teor de ferro que se opera atualmente.

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