Tubos Industriais: Não-metálicos aproveitam para crescer

Investimentos, inovação tecnológica e aperfeiçoamento de estratégias também são as palavras de ordem no segmento de tubos não-metálicos para aplicação industrial e de infra-estrutura.

Alguns dos principais movimentos estratégicos estão ocorrendo no segmento de tubos produzidos com o compósito formado por resinas plásticas e fibras de vidro (PRFV).

Em outubro, por exemplo, a norte-americana Ameron adquiriu a mineira Polyplaster e já anunciou novos investimentos no País.

A Polyplaster é uma empresa instalada em Betim com 37 anos de atividade, que tem seu principal foco de atuação no mercado de tubos de vinil-éster e fibra de vidro, produto utilizado principalmente nas indústrias químicas, de papel e celulose, álcool e açúcar e de fertilizantes.

Os novos controladores, porém, anunciaram a ampliação do leque de atuação da empresa, com a construção de duas novas unidades em Betim.

Uma instalação será destinada à produção de tubos de fibra de vidro Centron e a outra será dedicada à produção de tubos de fibra de vidro e resinas epóxi, as ERFV, utilizados pela indústria petrolífera para a condução de petróleo cru, gás, água de processo e água de recuperação e em redes de incêndio.

Entrar nesse segmento de mercado, informa Carlos Marques, diretor-comercial da empresa, era um antigo projeto da Polyplaster.

A Ameron, segundo comunicado da diretoria norte-americana ao mercado, informa que sua estratégia será utilizar sua nova base brasileira para atender a América do Sul.

Os tubos em PRFV apresentam duas grandes vantagens em relação aos tubos metálicos.

A primeira é sua grande resistência à corrosão.

Um tubo em PRFV, dependendo de sua composição, pode durar cinqüenta anos, exigindo baixa manutenção, enquanto que um tubo metálico, exposto a ambientes agressivos, forma incrustações, o que exige manutenção constante e reduz sua vida útil, conforme informações de Luiz Correa, gerente-comercial da Tecniplas.

A vida útil de um tubo PRFV, segundo informação dos fornecedores, é, em média, sete vezes maior que a de um tubo de aço carbono ou de ferro fundido.

Em relação aos tubos inoxidáveis, a vantagem do PRFV é seu custo, três vezes menor.

A segunda vantagem, segundo o executivo da Tecniplas, é sua leveza, um tubo de PRFV pesa 1/3 do peso de um tubo de aço, por exemplo.

Esta característica faz com que o custo de instalação de um tubo PRFV seja mais baixo, exigindo menos máquinas e equipamentos mais leves.

“Os tubos de PRFV, principalmente em aplicações expostas a ambientes agressivos, são muito mais econômicos que os similares metálicos”, afirma o executivo.

Essas vantagens dos tubos PRFV têm sido assimiladas com rapidez entre os compradores industriais, principalmente dos segmentos de papel e celulose, açúcar e álcool, petróleo, mineração e nas indústrias químicas e petroquímicas.

Na Tecniplas, relata Correa, a expectativa é de um crescimento nos negócios de 20% neste ano.

Já nos segmentos de obras públicas, como adutoras e saneamento, a aceitação dos tubos de PRFV ocorre de forma mais lenta.

Roberto Roselli, diretor da Amitech, fabricante de PRFV feitos com poliéster, com foco nesses segmentos de mercado, avalia que 2007 será um ano de estagnação. Primeiro, pela lentidão dos investimentos em saneamento no País.

Segundo, porque há uma resistência dos contratantes de obras públicas em conhecer e cotar o material.

Química e Derivados, Roberto Roselli, Diretor da Amitech, Tubos Industriais: Não-metálicos aproveitam para crescer
Roselli: PRFV vence concorrência em saneamento básico

“O setor público tradicionalmente é conservador, pouco aberto a inovações. Mas os primeiros sinais de mudança já estão ocorrendo”, diz o executivo.

Recentemente, a Amitech informou ter fechado “o maior contrato de fornecimento de tubos de PRFV já realizado no Brasil”, após vencer uma concorrência pública realizada pela Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará.

O contrato, no valor de R$ 24 milhões, prevê o fornecimento de19 kmde tubos para a quinta etapa de construção do Canal de Integração, obra que reforça o abastecimento de água da região metropolitana de Fortaleza e Pecém.

A Amitech, relata Roselli, está tendo maior sucesso ao desbravar o mercado de fornecimentos para pequenas hidrelétricas, as PCHs.

A empresa completou dois fornecimentos de tubos com até3 metrosde diâmetro para PCHs no País, possui um terceiro fornecimento em fase de instalação e já conta com três contratos assinados para o ano que vem.

“Além da ausência de corrosão, os tubos em PRFV apresentam uma economia de até 35% nestas aplicações”, diz o executivo.

Os segmentos de irrigação e condução de vinhoto, material altamente corrosivo, entre usinas e plantações de cana-de-açúcar, são duas outras apostas da Amitech no Brasil.

Em julho, a Amitech, originalmente de capital saudita, teve 70% de seus negócios adquiridos pelo grupo colombiano Inversiones Mundial, o maior produtor latino-americano de tubulações de PRFV.

Roselli acredita que a nova configuração acionária trará vantagens competitivas para a unidade brasileira, que atuará de forma integrada com as unidades da Inversiones na Colômbia, México e Argentina.

“Teremos condições de unir esforços e atender a qualquer projeto na América Latina inteira”, diz o executivo. O novo grupo conta com uma capacidade instalada para produzir 600 km de tubos por ano.

No Brasil, a Amitech está investindo US$ 9 milhões para ampliar a capacidade de sua fábrica em Ipeúna, no interior paulista, de 120 km/ano de tubos para 300 km/ano a partir de 2008.

A brasileira Edra também está investindo em expansão da capacidade de produção e desenvolvendo uma estratégia de atuação latino-americana.

A Edra tem duas especializações: os tubos de FRP em poliéster reforçados com fibra de vidro e os tubos de PVC reforçados com fibra de vidro, os PRVCs.

Os tubos de PRFV, informa o diretor Ciro Zanatta, possuem como principais características alta resistência mecânica e química, sendo o PVC uma barreira química.

A Edra desenvolve projetos de tubulação, fabrica os tubos e faz a montagem.

O principal mercado para os PRVCs da Edra é o setor sucroalcooleiro, principalmente na condução de vinhaça.

Zanatta informa que há uma grande perspectiva de novos negócios no setor, principalmente pela substituição de canais de irrigação por tubulações.

“Apenas esta substituição deve gerar encomendas de um milhão de metros de tubos nos próximos dez anos.”

Já os tubos FRP são voltados para o mercado offshore, em tubulações para condução de água e esgoto em plataformas de petróleo.

A Edra, diz Zanatta, apresenta em 2007 um faturamento mensal na casa dos US$ 4,5 milhões, num crescimento de 10% em relação a 2006.

A empresa está investindo US$ 2 milhões para expandir sua capacidade produtiva em 30% a partir de maio de 2008.

Atualmente, 5% do faturamento da empresa vem de exportações para países da América Latina. Mas a empresa tem um plano ousado para aumentar sua participação no mercado externo.

“Estamos fechando uma parceria internacional para erguer, em 2008, uma nova fábrica no exterior”, diz o executivo.

Polietileno – O mercado de tubos de polietileno de alta densidade (PEAD) também está aquecido.

Adriano Meirelles, presidente da Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE), relata que, em 2006, foram convertidas 24 mil toneladas de polietileno em tubos e a expectativa é de que este número cresça para 27 mil toneladas em 2007.

O índice de perda na fabricação de tubos é de 6%.

Os mercados que mais contribuem para o crescimento das encomendas são os de distribuição de gás, distribuição de água, saneamento, telecomunicações, mineração e a indústria sucroalcooleira.

Química e Derivados, Adriano Meirelles, Presidente da Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas(ABPE), Tubos Industriais: Não-metálicos aproveitam para crescer
Meirelles: tubos plásticos são competitivos em baixa pressão

“O plástico é altamente competitivo em dutos com pressão abaixo de30 kg”, diz o executivo.

Meirelles informa que os tubos de PEAD apresentaram um aumento de demanda contínuo na última década, o que ele julga ser conseqüência do desenvolvimento tecnológico das resinas plásticas.

Os tubos em PEAD, por exemplo, tradicionalmente são confeccionados com a resina PE 80, que permite o uso, dependendo do fluido a ser carregado, em tubulações com pressão de até 20 bar.

Recentemente, porém, chegou ao mercado a resina PE 100, fabricada desde 2006 no Brasil pela Ipiranga. A nova resina é capaz de atender a pressões de até 25 bar, ampliando o leque de atuação dos tubos de PEAD.

A Brastubo, empresa na qual Adriano Meirelles é diretor da divisão de tubos plásticos, comercializou, até outubro, 5,2 mil toneladas de tubos de PEAD.

No ano de 2006, foram 5,5 mil toneladas vendidas. “Tivemos um início de ano duro, mas os negócios estão bastante aquecidos neste final de ano. Vamos superar com folga o desempenho de 2006”, afirma o executivo.

O aumento das vendas da divisão de plásticos da Brastubo em 2007 está relacionado com uma estratégia de maior agressividade no exterior, iniciada em 2006, quando a empresa exportou 60 toneladas.

Neste ano, a empresa já exportou 500 toneladas de tubos, sendo que o principal contrato foi para o fornecimento para a rede de distribuição de gás de Montevidéu, no Uruguai.

Também no setor de tubos plásticos, onde os custos de transportes dificultam as transações de comércio exterior, as empresas desenvolvem estratégias para se tornarem players internacionais e ganhar escala.

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