Tubos Industriais – Demanda cresce e lota as fábricas, mas importações em alta preocupam

Química e Derivados, Miguel Avellar, Gerente de vendas internacionais, Tubos Industriais - Demanda cresce e lota as fábricas, mas importações em alta preocupam
Avellar: exportações representam a metade do faturamento

O inox, informa Maceiras, tem um custo inicial entre duas e três vezes maior que o aço carbono. “Mas, mesmo assim, para várias aplicações, apresenta uma relação custo/benefício vantajosa.” A principal vantagem do material, como é de domínio geral, é sua maior resistência à corrosão. Esta vantagem permite, primeiro, a produção de tubos com paredes mais finas e, portanto, mais leves, reduzindo o consumo de aço e facilitando sua manipulação. Como é mais resistente, o inox exige menor esforço de manutenção e aumenta a longevidade da tubulação. O material, por ter uma superfície que não descasca, é ausente de substâncias residuais, que podem, em alguns casos, comprometer a qualidade final do produto. “Esse conjunto de vantagens faz do inox um material bastante adequado para aplicação em processos fabris de indústrias de produtos delicados, como alimentos e bebidas, farmacêuticos, químicos, açúcar e álcool, papel e celulose e higiene e limpeza”, afirma o executivo. Manolo Verde, gerente-comercial da Inox Tubos, maior fabricante da América Latina, com capacidade de produção de 18 mil toneladas/ano de tubos inoxidáveis, relata que, até junho deste ano, o segmento realmente vinha batendo recordes de produção. Mas que um aumento substancial do custo do níquel, matéria-prima do inox, freou o ritmo de negócios no segundo semestre. No final de outubro, Verde afirmou: “Hoje o mercado está esperando a estabilização dos preços para confirmar os investimentos programados.” O executivo acredita que, no momento, a principal tendência de mercado para o tubo inox é o segmento de arquitetura e decoração.

Offshore – Mas é um outro segmento, o offshore, onde os negócios com tubos inox estão ganhando impulso e é alvo de novos investimentos fabris. Neste mercado, o principal investimento em andamento é o realizado pela alemã Schulz. A empresa está erguendo três unidades fabris em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. A primeira fábrica entrou em operação em maio deste ano, produz conexões tubulares e exigiu um investimento de R$ 60 milhões para uma capacidade de 1 milhão de peças por ano. A segunda unidade a entrar em operação, prevista para janeiro de 2008, é a de tubos com costura, acima de 10 polegadas, com capacidade para 6 mil toneladas/ano, que exigiu um investimento de R$ 44 milhões. E será a primeira no Brasil a produzir tubos inox com esses diâmetros.

A terceira unidade também apresenta uma proposta inédita no Brasil, a produção de tubos sem costura com materiais especiais bimetálicos, combinando inox com aços carbonos ou com ligas, como a de níquel. A fábrica terá capacidade de produzir 10 mil tonelada/ano e o início da construção será em 2008, sendo que a primeira fase está prevista para entrar em operação no final do mesmo ano, após investimentos de R$ 100 milhões. Os tubos sem costura são de pequeno diâmetro, adequados para aplicação em equipamentos que trabalham em alta pressão e alta temperatura, como fornos.

“Com esses investimentos, estamos fechando lacunas na cadeia de fornecimento do inox no Brasil, substituindo importações”, diz o diretor executivo da Schulz, Marcelo Bueno. Os tubos da Schulz são, como se diz no jargão do setor, “engenheirados”, ou seja, produzidos sob projeto. O principal foco da Schulz é o mercado brasileiro offshore, para onde deve se destinar 35% da produção. “O óleo brasileiro contém níveis elevados de ácidos e é altamente corrosivo, exige tubos de alta resistência, como os que vamos fabricar no País”, diz Bueno.

A empresa também vê espaço para seus tubos em outros segmentos do setor de energia, como biodiesel, etanol e nuclear – os tubos Schulz, importados, equipam Angra I e II. A Schulz também vê espaço para seus produtos nas indústrias petroquímicas, em refinarias de petróleo e na indústria de papel e celulose. Mas a projeção é de que por volta de 45% do faturamento da empresa seja obtido em exportações, principalmente para os mercados norte-americano, latino-americano e alemão. “Nossa previsão é de ocupar, de imediato, 80% a 100% da capacidade das fábricas. Fato que já ocorre na unidade de conexões”, afirma Bueno.

Outra empresa com investimentos em andamento, visando o mercado brasileiro, mas também com o objetivo de fortalecer sua presença no exterior, é a Engemasa, de São Carlos, no interior paulista. A empresa produz tubos em aço inoxidável e ligas especiais sem costura pelo processo de centrifugação, material que é principalmente destinado para a produção, na própria Engemasa, de serpentinas de irradiação e colunas petroquímicas, equipamentos utilizados em refinarias, na indústria de fertilizantes e na indústria petroquímica.

A estimativa da Engemasa para 2007 é crescer 31% em relação ao ano anterior, registrando um faturamento na casa dos US$ 50 milhões, sendo que a metade por meio de exportações, principalmente para os mercados norte-americano, europeu e do Oriente Médio. No Brasil, os principais negócios da companhia neste ano estão relacionados aos projetos de expansão da Petroquímica União-SP e das refinarias da Petrobrás, especificamente a Gabriel Passos (Regap) e a Henrique Lage (Revap). A empresa ainda participa de uma licitação para atender à expansão da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar).

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