Tubos e Conexões: Indústria volta às compras

Demanda aquecida faz esquecer uma década de estagnação e exige mudanças para enfrentar a maior oferta de materiais alternativos e concorrentes globais

O mercado brasileiro de tubos projeta aumento de vendas para este ano e seguintes, decorrência direta de investimentos em setores diversos, desde saneamento básico até petroquímica, passando pelo florescente ramo de celulose e papel.

O bom momento contrasta com o período entre 1985 e 1995, quando houve redução drástica dos pedidos e redução de atividade setorial, provocando movimentos de fusão e o fechamento de empresas menos rentáveis.

É possível afirmar, com certeza, que os fabricantes nacionais de tubos tornaram-se mais eficientes e competitivos em escala mundial.

Apesar disso, importações diretas com origem na Ásia, somadas ao ingresso de tubos no mercado dentro de equipamentos comprados em regime de turn key ou build-operate-transfer (BOT) – a exemplo de caldeiras e trocadores de calor – causam preocupação no setor.

Além da briga com concorrentes estrangeiros, agravada pela obesa tributação brasileira, o setor evidencia de forma ímpar o processo de substituição de materiais construtivos, orientado pela busca das melhores alternativas técnicas e econômicas para lidar com a condução de fluxos.

Nesse ponto os materiais sintéticos revelam fôlego para ocupar espaços não só em aplicações singelas, como a condução de esgotos em regime de baixa pressão, mas também nas linhas de produtos altamente corrosivos, desbancando as caras e tormentosas ligas especiais. Até mesmo os tubos de vidro revelam-se imbatíveis em nichos de mercado como a síntese de fármacos de alta pureza.

Aço em transformação – A evolução do mercado de tubos de aço no Brasil supera o desempenho do PIB, mas fica abaixo do PIB industrial por causa da importação de equipamentos, segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), José Adolfo Siqueira.

Ele criticou o programa Repetro, criado para estimular investimentos de empresas estrangeiras e da Petrobrás para a exploração de petróleo em alto mar (off shore). Pelo Repetro, os investidores podem importar equipamentos sem recolher os impostos de importação, de produtos industrializados (IPI) e de circulação de mercadorias (ICMS).

Química e Derivados: Tubos: Bernardes - tubo inoxidável nacional tem custo competitivo.
Bernardes – tubo inoxidável nacional tem custo competitivo.

Para compensar a vantagem tributária dessas importações, o governo criou o mecanismo de exportação ficta, pela qual os fabricantes nacionais venderiam equipamentos e serviços para as plataformas instaladas no Brasil, usando um regime igual ao da exportação.

“Isso não está funcionando porque alguns governadores não aceitaram a eliminação do ICMS e impediram o benefício”, comentou Siqueira. “Vai ser difícil trabalhar com as petroleiras.”

Além dos tributos excessivos, ele mencionou a dificuldade de relacionamento com os potenciais compradores estrangeiros, agravada pelo baixo índice de nacionalização exigido oficialmente, por volta de 20% do valor total, cumprido quase exclusivamente com serviços. “Nessas condições, tirar o imposto de importação é muito prejudicial aos fabricantes locais, até pior que a Alca, pois esta ainda permite alguma proteção local”, afirmou.

Na opinião do dirigente, o Repetro seria excelente se contemplasse os produtos de uso realmente temporário, como plataformas de perfuração. “Admitir que um equipamento que fique funcionando por mais de 20 anos seja uma importação temporária é demais”, disse.

A situação ainda pode piorar, pois os acordos permitem a importação favorecida também de componentes e peças adicionais. Siqueira ressalta que os tubos rígidos não foram incluídos no Repetro, mantendo negócios. Mas, no campo dos flexíveis a perda de mercado foi notável.

Tirando a desvantagem tributária, a Abitam considera os tubos de aço brasileiro competitivos inclusive em âmbito internacional. “O preço do aço está compatível com o do mercado externo, apesar dos reajustes que foram feitos”, considerou. “Só não dá para comparar com o preço do aço de alguns países do Leste Europeu”, afirmou.

Química e Derivados: Tubos: Tubos de aço inox com solda longitudinal sem adicionar material.
Tubos de aço inox com solda longitudinal sem adicionar material.

Enquanto trabalha com preços realistas, o setor pretende aprimorar o requisito qualidade. “A Abitam está desenvolvendo ações para estimular a qualidade dos tubos nacionais”, comentou o diretor-executivo.

Essas ações começaram com a exigência de os fabricantes de tubos de aço imprimirem seu nome e identificação do produto nas paredes externas dos tubos. Além disso, os associados estão em processo de certificação de sistemas produtivos e de produtos nos requisitos da ABNT.

Além das exigências técnicas, a associação se uniu às usinas siderúrgicas para desenvolver um programa de marketing junto aos escritórios de engenharia, projetistas e designers, com o intuito de divulgar as vantagens do uso do aço em várias situações. Além da condução de fluidos, existem aplicações estruturais e decorativas que representam interessante fatia de mercado.

Essas iniciativas atendem à necessidade de responder ao avanço de materiais alternativos, sobretudo os sintéticos. “Nos últimos vinte anos, os tubos feitos de plásticos evoluíram muito em tecnologia e qualidade”, reconheceu. “Alguns aços especiais também evoluíram, mas não com tanta intensidade.”

Apesar de notar o avanço desses materiais, Siqueira limita seu emprego a uma faixa restrita de aplicações. Nas linhas de condução de fluidos comuns, como instalações prediais de água, combate a incêndio e gás, os plásticos levam vantagem. Já nos diâmetros maiores que 20 polegadas, o aço permanece soberano. “Embora tenha vantagem de custo de instalação menor, os tubos de plástico perdem em resistência mecânica”, afirmou.

Química e Derivados: Tubos: Setton - “apagão” pode ampliar negócios com termoelétricas.
Setton – “apagão” pode ampliar negócios com termoelétricas.

O setor de tubos, por abranger aplicações diversas, mostra-se muito dinâmico. Segundo Siqueira, mais de 70 empresas atuam na transformação do aço para usos industriais diversos, inclusive a produção de tubos para autopeças, estruturas mecânicas, entre outros.

Já houve um processo de concentração, pois, desse total, cerca de 14 companhias respondem por 80% das vendas. Já no campo dos tubos especializados, construídos sob normas rígidas, como a API (do American Petroleum Institute), atuam no Brasil sete empresas, nas linhas de grandes e pequenas diâmetros, com ou sem costura. Na linha de aços inoxidáveis especiais, restaram somente três fabricantes no Brasil.

“Houve necessidade de concentração de empresas para reduzir custos”, atesta Siqueira. Isso foi feito depois da abertura comercial de 1990, que ampliou a exposição internacional da economia brasileira. Além disso, a formação do Mercosul obrigou a concorrer com as congêneres argentinas.

Inox reformulado – Maior fabricante de tubos de aço inoxidável no Brasil, a Inoxtubos exemplifica o processo de consolidação de negócios. A empresa, formada no dia 1º de novembro de 1997, pela fusão dos interesses da Acesita (que já havia comprado essa área de negócios da Sandvik), Tequisa, Tubra e Tubinox, passou a deter de 60% a 65% das vendas nacionais. Dos acionistas iniciais (grupos Amorim, Feital, Losango e Acesita), a Acesita/Sandvik reforçou sua participação comprando a parte do grupo Amorim e assumindo, mediante acordo, a gerência dos negócios.

A partir da fusão, foi possível concentrar as linhas de fabricação na unidade da antiga Tequisa, em Ribeirão Pires-SP. Até o final de 2001, a empresa pretende transferir para lá a última unidade isolada, no bairro da Mooca, na zona leste paulistana. A fábrica de Ribeirão Pires deverá receber também investimentos de R$ 5,5 milhões até meados de 2002, com o objetivo de reduzir custos e ampliar a capacidade produtiva das atuais 10 mil t/ano de tubos para 15 mil t/ano, até 2005.

“Somos plenamente competitivos em custos em relação aos concorrentes dos Estados Unidos e América Latina”, afirmou José Marcos Bernardes, gerente de vendas da Inoxtubos. Tanto assim que a exportação, equivalente a 20% do faturamento anual de R$ 80 milhões em 2000, deve ser ampliada para 25% nos próximos anos. O gerente também espera aumento no total de vendas, estimado em 12,5%, chegando a R$ 90 milhões em 2001.

Química e Derivados: Tubos: Verde - seção quadrada é aplicada em móveis e estruturas.
Verde – seção quadrada é aplicada em móveis e estruturas.

Os maiores concorrentes internacionais para os tubos de aço inox são os asiáticos. “Eles tratam os tubos como commodities, trabalhando com baixos preços, enquanto nós procuramos nichos de mercado que exigem tratamento de especialidades”, explicou. Dessa forma, já é possível para a empresa sustentar exportações para investimentos açucareiros na região do Caribe e até fornecimentos para a própria Ásia.

Os negócios da Inoxtubos estão fortemente centrados nos tipos 304, 304 L, 316 e 316 L, os mais consumidos no Brasil, embora também possa fornecer tubos feitos nos tipos 310 e 321.

“Estamos testando o desempenho da produção e do mercado com a liga especial SAP 2205, que era trabalhada pela Sandvik”, afirmou o gerente de qualidade Elie Setton. “No passado nós já fizemos tubos com esse material, portanto sabemos da viabilidade técnica, mas dependemos das encomendas.”

Outras ligas da Sandvik, como a 2RK65 e a 253MA já foram consumidas no Brasil, em outros tempos, sem previsão de retorno.

Um problema do negócio de tubos de aço inox é a sazonalidade do consumo de determinados tipos de produtos, alternando fases de vendas altas com períodos de estagnação. “Por exemplo, atualmente o 316 está com vendas aquecidas por causa das encomendas do setor de celulose, em especial para a ampliação da Aracruz”, comentou Manolo G. Verde, responsável pelas vendas para indústria e distribuição. Em geral, as vendas do 304 são mais significativas.

Agrava o problema o fato de o consumo per capita de aço inoxidável no Brasil ser muito baixo em relação aos países desenvolvidos. Os especialistas da Inoxtubos estimam diferença de 12 vezes entre o índice da Europa e o do Brasil. Sem poder alicerçar planos de expansão com base na demanda industrial, sujeita aos humores da economia mundial, a saída enxergada pela companhia é atender a consumidores mais estáveis, exigindo o desenvolvimento de produtos.

“Estamos apostando no mercado de estruturas e usos ornamentais, que nos obrigaram a desenvolver perfis diferenciados”, comentou Manolo Verde. Para essas finalidades, a Inoxtubos passou a produzir tubos com seções quadradas e oblongas. Um exemplo de uso é a fabricação de móveis para hospitais, nos quais o inox permitiria melhor assepsia sem comprometer a durabilidade. “Não dá mais para usar o aço comum pintado quando se quer mais limpeza para reduzir as infecções hospitalares”, afirmou.

Uma barreira importante para desenvolver esses mercados é o estigma de material caro. “O aço não é tão caro quanto se imagina e o custo/benefício é muito favorável em relação ao cobre e ao latão”, disse Verde. “Essas aplicações contam com padrões e normas menos exigentes que os requeridos por tubulações industriais, por isso o custo em relação a estes é bem menor”, informou Elie Setton.

Mesmo nas linhas industriais, o aço inoxidável apresenta vantagens. “Os cozedores de açúcar, por exemplo, poderiam economizar energia térmica se trocassem os tubos de cobre pelos de inox”, explicou Setton. Por causa das condições de operação, os tubos de cobre precisam ser construídos com paredes muito espessas, que prejudicam as trocas térmicas, apesar das boas caraterísticas condutivas do material. Tubos de aço usam paredes mais finas, permitindo aproveitar melhor o calor. “Além disso, os tubos de cobre sofrem desgaste nas operações de limpeza e permitem o desenvolvimento microbiano indesejável”, afirmou.

Os entrevistados não manifestaram grande preocupação com relação à substituição de materiais. “O que mais nos preocuparia é a troca com aço carbono, mas, pelo critério de custo/benefício, é mais fácil o inox ganhar mercado do aço comum do que o contrário”, disse o gerente de vendas Bernardes.

Em relação aos sintéticos (resinas, com ou sem reforço), “a concorrência existe, mas não é significativa”, avaliou Manolo Verde. Segundo afirmou, o único negócio importante perdido para outros materiais foi uma tubulação para cervejaria, que adotou o aço carbono revestido. “As sintéticas têm a vantagem de suportar agentes corrosivos, mas não toleram altas temperaturas e perdem na resistência mecânica”, complementou Setton.

Outros tipos de materiais às vezes trazem algumas supresas. “Nos fornos das indústrias cerâmicas houve a substituição dos tubos de aço inoxidável pelos feitos de materiais cerâmicos, por exemplo”, disse Setton. Quanto ao vidro, a disputa fica restrita às encomendas de laboratórios farmacêuticos e outros tipos de especialidades químicas. “O inox leva vantagem na facilidade de limpeza por processos tipo CIP e na manutenção fácil e mais econômica”, avaliou.

Manolo Verde salientou que a Inoxtubos realiza vendas diretas apenas aos grandes projetos, deixando pedidos de menor envergadura, em geral de manutenção, para seus distribuidores, que respondem por 65% de todo o faturamento da companhia. Com base nos relatórios elaborados por esse segmento, ele mencionou o crescimento de 3% nas vendas nos quatro primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período de 2000. O atendimento direto aos grandes projetos também dá mostras de forte recuperação, podendo ser citados investimentos em papel e celulose e até petroquímica.

Nem mesmo a ameaça de racionamento de eletricidade ou da ocorrência de “apagões” deve comprometer o bom desempenho da empresa. “Talvez a crise traga novas oportunidades de negócios, de modo a aproveitar subprodutos para a geração de eletricidade”, exemplificou Bernardes. Do ponto de vista do fabricante de tubos, a escassez de energia elétrica poderá trazer alguns inconvenientes na linha de produção. “Estamos estudando as medidas a adotar para lidar com essa situação, mas ainda faltam definições do governo sobre o alcance do racionamento”, explicou Setton.

A Inoxtubos atende a todos os setores industriais, com tubos nas bitolas de 2,8 a 40 polegadas, podendo ir a 80”. “A Tequisa já fez, no passado, tubos desse porte”, disse Setton. Atualmente, o mercado está concentrando encomendas em bitolas maiores do que a média das décadas passadas, refletindo a construção de unidades produtivas de maior escala. “Ainda há muita demanda da faixa de 4 a 8 polegadas, mas nota-se aumento dos pedidos entre 30 e 40 polegadas”, informou.

Química e Derivados: Tubos: Proietti - investimentos vão do aço carbono ao polietileno.
Proietti – investimentos vão do aço carbono ao polietileno.

No campo tecnológico, houve mudanças ligeiras tanto na fabricação dos tubos, como na sua aplicação. É possível, atualmente, atender aos requisitos de normas usando tubos com menor espessura de parede, com menos aço por metro linear e, portanto, mais leves e baratos. “É preciso estudar bem cada caso para ver se não comprometerá a durabilidade da instalação”, explicou Setton. Isso justifica a ênfase da companhia nas atividades de pré-venda, enfocando o relacionamento com as empresas de engenharia, de modo a especificar o tubo mais adequado para cada situação. Esse trabalho foi estendido aos distribuidores, que recebem treinamentos periódicos dados por técnicos da empresa e também da siderúrgica Acesita.

Por ser ligada ao grupo francês Usinor, a Acesita permite à Inoxtubos participar de programas de intercâmbio de tecnologia do aço e de equipamentos modernos de transformação. Atualmente, a empresa produz os tubos de menor diâmetro com soldas longitudinais por fusão, sem adicionar material de solda, segundo normas construtivas internacionais. A solda por adição, feita manualmente, é empregada apenas quando a norma admite, geralmente nos tubos de parede mais espessa.

Outra vertente de trabalho da empresa é intensificar as práticas e qualidade, adotando a linha PDCA (planejar, implementar, medir e analisar), dentro da norma ambiental ISO 14000. “Além disso, vamos adotar postura comercial mais agressiva”, comentou Bernardes.

O grande problema apontado pelo fabricante nacional é a importação de equipamentos contendo tubos, como trocadores de calor e caldeiras. Nesse caso, pode ser citada como exemplo a exploração de petróleo. “Algumas empresas de engenharia internacionais mantêm alianças com fabricantes de tubos do país de origem e privilegiam esses fornecedores”, comentou Manolo Verde. Daí a necessidade de a Inoxtubos investir para colocar produtos em grandes projetos mundiais.

Pressão no aço carbono – Apesar da grande concorrência com outros materiais, os tubos de aço carbono encontram demanda estável, principalmente no setor de saneamento básico. Material versátil, que atende a várias normas de aplicação e aceita com facilidade revestimentos capazes de melhorar seu desempenho, o aço carbono também encontra bons mercados nas áreas de petróleo, gás natural, fundações, obras portuárias e em celulose e papel.

“Fechamos recentemente o pedido da termoelétrica da CEG, no Rio de Janeiro, um mercado que parece ser promissor”, aduziu Silvano Proietti, vice-presidente comercial da Brastubo, fabricante com 44 anos de atuação no setor. O grupo empresarial homônimo possui participação acionária significativa na Cosipa, adquirida no processo de privatização conduzido em 1993.

Aproveitando a disponibilidade de espaço na área da siderúrgica de Cubatão-SP, o grupo lá instalou unidade especializada na fabricação de tubos de aço carbono com costura helicoidal. No bairro do Jaguaré, em São Paulo, continuam a funcionar as linhas de tubos costurados longitudinalmente e de revestimentos, feitos de coal tar-enamel, asfalto-enamel, epóxi, alumínio, borracha clorada, entre outros.

Química e Derivados: Tubos: Tubulação de PEAD conquista espaço nos esgotos.
Tubulação de PEAD conquista espaço nos esgotos.

Atualmente estão sendo investidos R$ 4 milhões em Cubatão para a compra de nova linha de produção helicoidal e da estrutura necessária para receber as atividades hoje desenvolvidas no Jaguaré. “Em relação à Cosipa, a única vantagem que temos é de natureza logística, pois o preço do aço é semelhante ao cobrado de clientes de mesmo porte”, informou Proietti. É uma vantagem razoável, pois facilita a movimentação de materiais e permite o escoamento da produção pelo terminal portuário da siderúrgica.

A capacidade atual da Brastubo chega a 100 mil t/ano em tubos no Brasil, sendo operada com ociosidade de 50% nas linhas. “Estamos dentro das metas programadas”, informou o vice-presidente, que estima o mercado local em 400 mil t/ano. A empresa oferece linha de diâmetros de 12 a 114 polegadas, construída segundo normas nacionais e internacionais (até API X70, por exemplo), sendo certificada pelo American Petroleum Institute desde 1994, e com a ISO 9002, desde 1996, por meio da auditoria alemã TÜV. Segundo Proietti, a empresa pode formar tubos até 2,8 metros de diâmetro, sob encomenda.

Está em curso investimento para transformar 2 milhões de t/ano de aço em tubos, reativando unidade comprada junto à Armco, em Houston, Texas, EUA. “O plano inicial era encontrar maquinário usado de alta tecnologia e trazê-lo para Cubatão”, comentou Proietti. “Mas as condições do negócio foram mais favoráveis a manter a unidade lá mesmo, favorecendo o acesso ao mercado americano e ao resto do mundo.” A unidade texana está sendo remodelada, voltando a operar no final de 2002.

A capacidade atual da Brastubo chega a 100 mil t/ano em tubos no Brasil, sendo operada com ociosidade de 50% nas linhas. “Estamos dentro das metas programadas”, informou o vice-presidente, que estima o mercado local em 400 mil t/ano. A empresa oferece linha de diâmetros de 12 a 114 polegadas, construída segundo normas nacionais e internacionais (até API X70, por exemplo), sendo certificada pelo American Petroleum Institute desde 1994, e com a ISO 9002, desde 1996, por meio da auditoria alemã TÜV. Segundo Proietti, a empresa pode formar tubos até 2,8 metros de diâmetro, sob encomenda.

Está em curso investimento para transformar 2 milhões de t/ano de aço em tubos, reativando unidade comprada junto à Armco, em Houston, Texas, EUA. “O plano inicial era encontrar maquinário usado de alta tecnologia e trazê-lo para Cubatão”, comentou Proietti. “Mas as condições do negócio foram mais favoráveis a manter a unidade lá mesmo, favorecendo o acesso ao mercado americano e ao resto do mundo.” A unidade texana está sendo remodelada, voltando a operar no final de 2002.

Dentro do plano estratégico da companhia consta a decisão de especializar-se nos tubos. Em razão disso, foi deixada de lado a produção de perfis soldados e serviços de caldeiraria, usados para a produção de conexões. “Já há muitas empresas prestando esses serviços com boa qualidade”, justificou Proietti.

Ao mesmo tempo, o grupo criou a Brastubo Química, fabricante de tubos feitos de polietileno de alta densidade (PEAD), com diâmetros desde 20 mm até 1 metro. Essa unidade está instalada em São Vicente-SP e opera na média de 300 t/mês. Embora os indicadores mundiais apontem para crescimento da demanda de tubos de PEAD da ordem de 10% ao ano, Proietti se diz esperançoso e preocupado com essa linha de atuação. “Está havendo guerra de preços em todos os segmentos de mercado”, comentou.

Polietileno agressivo – As principais aplicações dos tubos de PEAD no Brasil são os condutores para cabos de telecomunicação, distribuição de gás natural e redes de esgoto urbano. Segundo o vice-presidente comercial da Brastubo, a área de telecomunicações não estabeleceu normas rígidas e estimulou a derrubada dos preços pagos pelos tubos, redundando em problemas técnicos pela baixa qualidade dos dutos. “Ficaremos fora desse mercado até a normalização”, disse.

A distribuição de gás natural representa grande negócio para a Brastubo, que atendeu às primeiras licitações da Comgás (SP) e CEG (RJ). “Nas licitações mais recentes, ficamos com 80% da CEG, mas perdemos os pedidos da Comgás”, lamentou Proietti, dizendo-se surpreso com o resultado. Afinal, só há um fornecedor brasileiro do tipo (grade) adequado da resina termoplástica para essa aplicação (a gaúcha Ipiranga Petroquímica), e os produtos importados têm preços conhecidos. “Não se pode usar material reciclado nesse caso”, disse. Ele mencionou apenas dois concorrentes que teriam capacidade técnica para fornecer tubos para gás.

No caso dessas redes de distribuição, ele considera que os tubos de aço na especificação API 5LS, com costura helicoidal, poderiam ser usados sem problemas técnicos. No entanto, a opção das distribuidoras pelo PEAD também é tecnicamente boa, e representa custos aceitáveis.

Química e Derivados: Tubos: Sommermann e Barreira - preço vil compromete futuro do PEAD.
Sommermann e Barreira – preço vil compromete futuro do PEAD.

Nas áreas de mineração e irrigação, grandes consumidores de tubos feitos de PEAD, Proietti lamenta a prática de guerra de preços, que conduz, invariavelmente, a fornecimentos de baixa qualidade, fora dos objetivos da Brastubo.

Resta o gigantesco mercado de condução de esgotos sanitários urbanos, atualmente atendido pelos tubos de ferro fundido. “Nesse caso, os tubos de PEAD apresentam enorme vantagem, desde a facilidade e o baixo custo de instalação até a maior resistência à corrosão, que permitem garantir a vida útil para 50 anos ou mais”, disse. Porto Alegre-RS e Rio de Janeiro já optaram pelo material na substituição das redes coletoras, segundo Proietti. Está em discussão o projeto do emissário submarino de esgoto da Barra da Tijuca, um duto de 5 km com 1,4 m de diâmetro, que precisaria ser importado ou substituído por duas linhas de diâmetro menor, fornecidas por transformadores locais.

A situação do PEAD é melhor nos esgotos do que na água de abastecimento porque os primeiros operam com pressões internas baixas, demandando tubos de paredes menos espessas. Nas linhas de água, com paredes mais espessas para suportar a pressão, o peso dos tubos é maior (contêm mais resina), implica aumento de custo, e os torna menos competitivos.

A concorrência nos tubos de PEAD deve ficar ainda pior. “A capacidade instalada dos fabricantes desses tubos é até dez vezes maior que a demanda efetiva”, calculou Ricardo Sommermann, diretor comercial da Tecnoplástico Belfano, fabricante de equipamentos industriais estabelecido desde 1958, que há dois anos e meio passou a trabalhar com tubos desse material em diâmetros mais expressivos.

A razão do descompasso entre oferta e demanda é o enorme potencial de mercado existente no Brasil, mas que não se desenvolve a contento.

“Só há negócios em saneamento nas regiões Sul e Sudeste”, comentou Francisco Zeidan, gerente de vendas da Aflon Artefatos Plásticos e Metálicos. A empresa fabrica tubos de materiais sintéticos há 15 anos, mas a demanda se tornou evidente apenas a partir de 1997. “Nas outras regiões, o desconhecimento do material é total”, disse, salientando que os cursos universitários de engenharia dão pouca ou nenhuma atenção aos tubos feitos de materiais sintéticos, limitando-se aos metálicos.

Apesar dessa limitação de mercado, o gerente da Aflon estima o mercado de extrusão de PEAD no Brasil em 1,5 mil t/mês, média verificada em 2000. A empresa transforma atualmente de 200 a 250 t/mês em suas instalações do bairro paulistano do Sacomã. “Estamos com a capacidade totalmente ocupada e não temos espaço físico para ampliação”, explicou Zeidan, anunciando investimentos da empresa na montagem de fábrica em Cabreúva-SP, para onde se transferirá a Aflon até o final de 2002. “Lá vamos aumentar a capacidade e o diâmetro dos tubos”, informou. A faixa atual de atuação vai de 20 mm a 400 mm, em barras de 6 a 20 metros, ou carretéis com 100 m (dependendo do diâmetro).

Mesmo verificando crescimento do consumo de tubos da resina da ordem de 10% ao ano, ele também revela alguma apreensão quanto ao destino dessa área de negócios. O consumo para a formação das infovias de telecomunicação já é decrescente, sendo ultrapassado pelas redes de distribuição de gás natural e saneamento básico. A preferência da empresa é disputar os mercados nos quais sejam exigidas normas rígidas de fabricação e montagem, que oferecem melhor remuneração e afugentam os aventureiros.

Química e Derivados: Tubos: Duarte aponta opções para fluidos corrosivos.
Duarte aponta opções para fluidos corrosivos.

“Há mercado para todos os fabricantes, desde que os consumidores se conscientizem das vantagens do uso de tubos plásticos”, considerou Zeidan. Para isso, ele conclama os concorrentes e os fornecedores de resinas a desenvolver esforço conjunto para divulgar o material, além de ampliar a disponibilidade dos grades adequados de resinas a preços razoáveis, com o intuito de ser mais competitivos nas bitolas maiores.

Trabalhando na faixa de 20 a 500 mm, a Belfano concentra seus esforços na área de adução de água e coleta de esgotos, tendo deixado de lado os subdutos para telefonia por causa de “concorrência desleal”, segundo Sommermann. “Temo que isso possa ocorrer também no saneamento básico, aviltando o mercado e promovendo o uso de resinas inadequadas para as aplicações definidas”, criticou. O resultado dessa prática será a mácula na imagem do produto, prejudicando o desenvolvimento de negócios futuros. A empresa também não atua no fornecimento de tubos para gás, por opção própria.

Grande vitória da Belfano foi o fornecimento de tubulação de água para cervejaria no Rio de Janeiro, concluída em 1999, em prazo recorde de 90 dias. “Trata-se de adutora com 17 km de comprimento, usando tubo de 500 mm de diâmetro, com espessura de parede de 30 mm, atendendo a norma ISO 4427”, explicou o diretor-comercial. Ele salientou que essa adutora foi toda soldada no campo (solda de topo) e colocada em valetas adequadas, abertas e fechadas no mesmo dia. “Não ficaram buracos abertos durante a noite que pudessem causar acidentes”, disse. Além disso, a interferência no dia-a-dia das comunidades afetadas pela obra foi mínima.

Os tubos de PEAD apresentam grande facilidade para instalação e suportam compressão externa sem quebrar nem apresentar aderência entre paredes. “É o tubo ideal para conduzir fluidos até 50°C por longas distâncias, com elevada vida útil”, avaliou Fernando Barreira, gerente de vendas e marketing de PEAD da Belfano, verificando o crescimento anual de 10% na demanda. Tubos até 4 polegadas são unidos por conexões do tipo ponta e bolsa, enquanto os diâmetros maiores são soldados pelo topo. “O engate ponta e bolsa pode apresentar vazamentos na ocorrência de alguma flexão ou movimentação, o que não acontece com a solda”, informou.

Polipropileno estável – A experiência da Belfano com termoplásticos começou, na verdade, com o polipropileno (PP). Desde 1980 a empresa fabrica tubos com a resina, até então usada para a confecção de chapas, usadas nos lavadores de gases que fornece até hoje. “O PP admite até 100°C, suportando líquidos agressivos e corrosivos”, explicou Sommermann. Por ser de fácil manuseio, a resina também é bem aceita em instalações com muitas conexões e acessórios (curvas, tês e outros). “Mantemos estoque de 60 mil conexões de PP para entrega imediata”, disse. Conexões de até 4 polegadas são injetadas pela Belfano.

A aceitação industrial desses tubos foi imediata, sendo aplicados em galvanoplastias, banhos decapantes, curtumes, cervejarias e frigoríficos, geralmente nas linhas de descarte com alto teor de sólidos. Os tubos são fornecidos nos diâmetros de 20 a 500 mm, na média de 100 t/mês, representando quase 50% do mercado nacional desses produtos, segundo Sommermann, que concorre com outros quatro fabricantes. Apesar das vantagens, o mercado de PP é considerado maduro, praticamente saturado. “Ao contrário do PEAD, as instalações do PP normalmente são de pequeno comprimento e usam diâmetros menores”, comentou o diretor.

Por ter sido pioneira na fabricação de tubos de PP, a Belfano foi obrigada a investir no treinamento de soldadores, além de desenvolver equipamentos para esse fim, pelo método de termosoldagem. “Nossa idéia é fornecer os tubos, não instalá-los”, disse o diretor-comercial. Isso se deve ao fato de as indústrias geralmente contarem com instaladores hidráulicos de confiança, que só precisam ser treinados. No caso de instalações com tubos pequenos (até 4”), a Belfano vende termopolifusores. Nos diâmetros maiores, ela conta com 30 equipamentos específicos para locação.

As linhas de PP também podem contar com flanges, que oferecem facilidade de acoplamento no campo. A Belfano dispõe de seis extrusoras e seis injetoras para resinas termoplásticas na fábrica de Diadema-SP.

Os fabricantes reconhecem a menor resistência mecânica dos tubos feitos de resinas termoplásticas, mas apontam medidas adequadas para a instalação de modo a contornar o problema. “É preferível colocar os tubos poliolefínicos sobre pipe racks de leito contínuo, em vez dos braços de suporte normais”, disse o gerente técnico da Aflon Valmir Aparecido Duarte, que também trabalha com PP. Por causa da maior dilatação, instalações feitas com resinas plásticas devem usar juntas de expansão específicas.

Quando se trata de tubulação enterrada, Sommermann, da Belfano, recomenda retirar do fundo das valetas as pedras e objetos que possam danificar as paredes externas dos tubos. “O certo é colocar uma camada de areia fina para suportar a tubulação”, comentou.

As empresas citadas seguem normas construtivas internacionais (ISO ou DIN), contando com laboratórios para testes de estanqueidade e controle de qualidade. Segundo Duarte, o aparecimento da norma ISO 4427 permitiu usar fator de segurança mais compatível com o desempenho dos grades recentes de PEAD, permitindo reduzir a espessura da parede dos tubos para a mesma classe de pressão. “Para a classe 10, por exemplo, as paredes eram de 10 mm e passaram para 8,2 mm, permitindo uma economia significativa de material sem comprometer a durabilidade dos tubos nem a segurança do processo”, explicou.

Aço revestido – A demanda por tubos de aço revestidos de materiais poliméricos pode ser considerada de estável a frouxa. “Esses produtos estão no mercado nacional há 30 anos e já ocuparam as aplicações e nichos possíveis”, explicou Duarte, da Aflon, que reveste tubos de aço carbono com PP, polivinilideno fluorado (PVDF) e politetrafluoretileno (PTFE), aliando resistência mecânica com tolerância aos produtos corrosivos. “Ficamos na dependência de projetos novos ou da reposição de linhas em final de vida útil.” Como exemplo, ele citou uma instalação da Aflon com aço revestido em fábrica de papel e celulose que opera há 10 anos, sem a ocorrência de problemas.

O gerente técnico chama a atenção para os cuidados necessários durante a fabricação dos tubos revestidos, a começar pela escolha das resinas, que precisam estar dentro das especificação técnicas. O PTFE e o PVDF são importados dos fabricantes Du Pont e Solvay.

Fornecido em pó, o PTFE é processado por compactação, de modo a formar tubos pela sobreposição de anéis. “Se a compactação não for bem feita, haverá prejuízo para a cristalização induzida do material, que ficará muito permeável e reduzirá a vida útil do tubo”, explicou. Todos os revestimentos apresentam algum grau de permeabilidade. No caso do PTFE bem manipulado, revestimentos de 3 mm de espessura submetidos a condições de baixa pressão, levam pelo menos cinco anos para serem atravessados por fluidos não-halogenados. “Não ocorre vazamento, porque o material fica retido pelo tubo de aço, que passa a sofrer corrosão.

Segundo informou, é possível até reaproveitar os tubos externos, apenas trocando o revestimento. “É preciso avaliar o desgaste do tubo, que não poderá ter espessura inferior ao schedule (SCH) 40 (Ansi)”, disse. Duarte salientou que o revestimento só é feito em tubos sem costura, dadas as condições da aplicação dos revestimentos. “É como se um tubo (de PTFE) fosse puxado dentro do outro (metálico)”, explicou. No caso do PP e do PVDF, usa-se a técnica de termofusão .

Não há limites dimensionais para tubos revestidos, embora a linha usual varie de 1 até 12 polegadas. Além disso, segundo o especialista, é possível conformar o revestimento a partir de chapas de PP e PTFE soldadas adequadamente. Para situações nas quais o ambiente externo também seja muito corrosivo, a Aflon pode revestir tubos de plástico reforçado com fibra de vidro.

Os tubos de aço recebem flanges do tipo RF, com ressalto para acomodar as pontas do revestimento. Essa forma de acoplamento, complementada por junta de vedação, garante boa estanqueidade e facilita a montagem e a manutenção das linhas. “Fornecemos também conexões revestidas nos tamanhos-padrão da norma Ansi”, disse Duarte. Citando estudo realizado pela Du Pont, ele apontou o bom desempenho econômico das linhas revestidas, quando considerados os custos totais de instalação, saindo mais em conta que linhas idênticas feitas de inox 316 L para diâmetros iguais ou superiores a 4”.

Duarte salienta que PTFE é uma designação genérica, que pode abranger o homopolímero (PTFE propriamente dito) e os co-polímeros derivados FEP e PFA, ampliando o leque de aplicações. As curvas, por exemplo, exigem moldagem do revestimento por processo de injeção, normalmente usando o co-polímero PFA.

A Carbono Lorena também atua no fornecimento de tubos, acessórios de linha, juntas de expansão e revestimentos de colunas com revestimento de polímeros fluorados. Trata-se da linha Armylor, cujos tubos (linha S) aceitam temperaturas até 150°C e resistem a condições de vácuo sem apresentar colapso. “A aderência do revestimento ao metal é muito forte, até garantimos isso”, confirmou Jorge Lúcio Lopes, do departamento comercial.

A empresa importa os tubos que fabrica no exterior, usando o processo de extrusão direta do revestimento dentro dos tubos de aço, costurados ou não. “O mercado brasileiro compra mais os de diâmetros de 3 a 6 polegadas”, informou. Lopes ressaltou a alta qualidade dos revestimentos, porém sua participação no mercado nacional é limitada, por causa do alto custo da importação, que beneficia os concorrentes locais. Em geral os fornecimentos da Carbono Lorena são feitos dentro de encomendas de equipamentos completos da companhia, como trocadores de calor e bombas.

Atualmente, a linha Armylor está sendo divulgada junto aos investidores em fábricas de fertilizantes no Brasil, que exigem grandes diâmetros e atuam em condições críticas. “O potencial de mercado é grande, e a empresa estuda iniciar a fabricação local de tubos revestidos”, informou. O processo adotado pela companhia internacional origina tubos revestidos com 1.150 mm de diâmetro, permtindo sua aplicação em colunas industriais.

A maior concorrência desses tubos se dá contra os metais nobres e ligas especiais, ambos de custo muito elevado. “Nós também atuamos com esses materiais, em geral para a fabricação de equipamentos”, disse Lopes. A matriz francesa comprou a Astra Cosmo (EUA), conhecida fabricante desses produtos. A linha Armylor admite trabalhar com ácido fluorídrico no limite de 130ºC, suportando choques térmicos.

Plástico reforçado avança na indústria

O mercado brasileiro de tubos de resinas sintéticas reforçadas, em especial com fibra de vidro, está em fase de franco cres­cimento.

“Ao contrário do período entre outubro de 2000 até fevereiro de 2001, quando as enco­mendas pararam por causa do dólar, de março para cá houve uma arrancada brutal nas consultas e pedidos”, afirmou Giocondo Rossi Neto, sócio-gerente da Tecniplas Tubos e Conexões. “Cance­lamos as folgas e estamos pagando horas-extras para atender à demanda.”

Química e Derivados: Tubos: Tubos feitos por filament winding.
Tubos feitos por filament winding.

Rossi credita o bom momento de vendas ao desenvolvimento de resinas e do processo de fabricação dos tubos, aliados à conscientização dos com­pradores quanto às vantagens dessa alternativa. “São tubos construídos sob normas, com especificações rígidas”, disse. Com isso é possível resgatar mercados que foram perdidos para outras alternativas e até conquistar novos clientes.

“Houve desenvolvimento fantástico das resinas, que hoje suportam a presen­ça de solventes orgânicos e até altas temperaturas”, explicou. Para tanto, porém, o fabricante precisa dominar a tecnologia de fabricação. “Não fugimos das ‘encrencas’, as aplicações difíceis que exigem estudos específicos”, disse.

A Tecniplas, segundo Rossi, é a primeira empresa no Brasil a atuar exclusivamente com tubos e conexões de plástico reforçado. A origem da iniciativa foi uma subsidiária do grupo Anglo (frigorífico), montada para fornecer equipamentos para a empresa-mãe. Com o tempo, essa empresa passou a produzir também para terceiros, inclusive à Petrobrás.

Em 1992, Rossi comprou a Tecniplas Equipamentos, verificando o potencial de mercado para tubos em 1996, a exigir empresa total­mente dedicada. “No tempo do Anglo, o tubo era visto como acessório do equipamento, enquanto hoje ele é o produto principal, recebendo tratamento diferenciado”, comentou. Como exem­plo, ele citou a prática de usinar a face dos flanges, para garantir superfícies bastante planas para permitir melhor acoplamento.

Química e Derivados: Tubos: Domínio da tecnologia permite fabricar curvas e conexões.
Domínio da tecnologia permite fabricar curvas e conexões.

O desenvolvimento tecnológico dos materiais e da fabricação de tubos garante negócios com os clientes exigentes da indústria química. “Temos inclusive contratos de fornecimento anuais com algumas companhias”, disse Rossi, também exportador de tubos para a Argentina. Para ele, a substituição de materiais pelos plásticos reforçados é crescente, embora em alguns casos as resinas reforçadas originem tubos mais caros até que os de aço inox. “A resistência química e a facilidade de reparo favorecem as vendas”, explicou.

Quanto às críticas de baixa resis­tência ao intemperismo e aos choques mecânicos externos, Rossi afirma existir meios para contornar os problemas. “Para resistir à ação do sol, os tubos podem receber camada externa de inibidor de UV, que neutraliza a radia­ção”, explicou. Já a resistência mecânica pode ser melhorada na construção dos tubos. A empresa usa o processo de enrolamento ou filament winding (fio contínuo de fibra de vidro, formando camadas posteriormente impregnadas de resina), capaz de oferecer alta qualidade, rapidez e baixo custo de produção. Rossi explicou que, se a deposição das fibras é orientada apenas no sentido da circun­ferência do tubo, o material ganhará resistência à pressão interna. Já a orientação das camadas de fibra no sentido diagonal (cruzado), permite obter grande resistência axial. “É preciso combinar essas orientações conforme a aplicação desejada, número e distância entre apoios, dilatação prevista e esfor­ços de tração projetados”, explicou.

Química e Derivados: Tubos: Rossi - evolução das resinas permitiu ampliar mercados.
Rossi – evolução das resinas permitiu ampliar mercados.

A Tecniplas mantém linha até 1.500 mm de diâmetro, podendo chegar a 5 metros, para atender a requisitos de pressão interna da ordem de 2 mil libras por cm². Todas as resinas disponíveis no mercado podem ser processadas, desde as ftálicas (orto e iso) até os sofisticados epóxis, passando pelas éster vinílicas. “É possível construir tubos bi-resina, de modo a combinar, de forma econômica, resistência e compatibilidade química”, disse.

Nos reforços, a fibra de vidro é o material mais freqüente, não impedindo o uso de materiais diversos, inclusive a fibra de carbono e aramida (material de alta resistência, usado em raquetes de tênis e coletes à prova de balas). “São fibras caras, que têm pouca procura”, comentou. A aplicação de cargas dá mais peso e resistência aos tubos, exigindo estudo de compatibilidade com a aplica­ção final. “Recentemente, fizemos tubos de epóxi reforçado com fibra de vidro e carga de grafite para resistir às altas temperaturas da exaustão de gases em incinerador hospitalar”, mencionou.

A expectativa de crescimento ali­men­tada por Rossi atende pelo nome de saneamento básico. “É um mercado muito concorrido, de grandes volumes e preços baixos”, afirmou. Contar com contratos de fornecimento desse tipo é interessante para a Tecniplas manter alta a ocupação das linhas produtivas, reduzindo a participação dos custos fixos no custo unitário, além de manter programação estável de produção. “Com isso, ganhamos mais competitividade para disputar as encomendas sazonais de setores como papel e celulose e petro­química, explicou.

Em saneamento, Rossi vê faixas de competência bem definidas para cada material. Até 6 polegadas, o PVC seria imbatível; de 6 a 12”, o campo é favorável ao PVC reforçado; já a faixa de 10 a 24”seria melhor atendida pelo plástico reforçado. Diâmetros superiores permaneceriam com o ferro fundido ou aço. Já o mercado de esgotos é um bom campo para o polietileno.

Para evitar problemas com a manu­tenção, Rossi recomenda às empresas que usem alguma quantidade de tubos e equipamentos em plástico reforçado a contar com um funcionário ou pres­tador de serviço de confiança ha­bilitado para lidar com o material. “Há várias empre­sas prestando serviços desse tipo, incluindo a Plasmonte, que faz monta­gens no campo para nós”, explicou.

Os principais mercados atendidos em 2000 pela Tecniplas foram sanea­mento (com 31% das vendas), in­dústria química (28%), açúcar e álcool (23%), papel e celulose (11%), e fertilizantes e petróleo (7%).

Vidros de alta pureza ficam no borossilicato

Existente desde a antigüidade, o vidro mantém negócios nas tubulações industriais, nas quais se lide com fluidos corrosivos e, principalmente, seja necessário evitar qualquer tipo de contaminação. “Produtos de altíssima pureza, como fármacos e especialidades químicas, só podem ser fabricados adequadamente em equipamentos e tubos de vidro, totalmente inertes”, comentou J.S. Clemente, sócio-gerente da Qvetec, representante da QVF do Brasil. Segundo informou, em âmbito mundial, a QVF foi comprada no ano passado pela DeDietrich. Antes disso, a renomada fabricante Schott detinha 25% das ações da QVF. Com isso, formou-se um grupo único mundial em vidraria industrial. “No setor de labora­tório existem mais concorrentes”, afirmou Clemente.

Representante exclusivo da Schott para o Brasil, Walter Pinheiro Teixeira, sócio-gerente da Laborglas, identifica a demanda nacional de tubos de vidro do tipo borossilicato por volta de 2 mil a 3 mil kg por mês. “Desse total é difícil separar o que vai para aplicações industriais do material consumido em laboratório”, comentou.

Química e Derivados: Tubos: Clemente mostra tubos de vidro importados, prontos para uso.
Clemente mostra tubos de vidro importados, prontos para uso.

A Qvetec fabrica equipamentos industriais, do tipo das bombas, troca­dores de calor e válvulas, além de acessórios de tubulação, como curvas e conexões em vários formatos, atendendo principalmente à demanda de reposição de peças. “Em geral, as instalações completas feitas de vidro já vêm prontas da Alemanha ou da França”, disse. Trata-se de tecnologia complexa e especializada, cujos dimensionamentos e desenhos devem ser feitos pelo próprio fabricante. “Não é qualquer empresa de engenharia que sabe trabalhar com o vidro”, informou. Os clientes só preci­sam informar os parâmetros e as condi­ções de processo. Nesses casos, Cle­mente oferece suporte técnico e estoque de peças.

Como exemplos de aplicação, Cle­mente cita colunas de produção de ácido nítrico e etapas na produção de celulose e papel, estas consumidoras de tubos de vidro especial com 200 mm de diâmetro. “Quem fornece para as papeleiras geralmente são empresas de engenharia e equipamentos da Finlândia, detentoras de tecnologia específica nessa área, que adotam regime turn key de forneci­mento”, comentou, dispondo-se a participar das operações de manutenção.

Os pedidos industriais se concentram na família dos 37 tipos de borossilicatos, com predomínio do tipo 8330, total­mente neutro e termorresistente, classifi­cado no tipo 3,3 da norma DIN-ISO 3585. Esse tipo de vidro suporta tempe­raturas até 500ºC em exposições breves, sendo recomendável operar com ele abaixo de 250ºC, ou de 280ºC em condições de vácuo. A temperatura de transformação do 8330 é de 525ºC. O material suporta o ataque de ácidos e álcalis, apresentando restrição de uso apenas em relação ao ácido fluorídrico e seus compostos, além do ácido fosfó­rico concentrado e quente.

Os vidros alcalinos (que liberam hidróxido de sódio), feitos com a adição de barrilha pesada, são maleáveis e baratos, usados na fabricação de lâmpa­das de neônio, por exemplo, além de usos diversos como material decorativo e até de embalagem.

Mais usado em laboratórios de pesquisas, mesmo assim em situações especiais, o vidro de quartzo (99,9% de sílica pura, com traços de ferro) suporta altas temperaturas, apresentando ponto de transformação de 1.240ºC. “As fibras ópticas são feitas a partir de tubos de quartzo impregnadas com material especial”, disse Teixeira. Por ser muito caro e difícil de manusear, esse tipo raramente é encontrado em processos industriais.

No caso dos borossilicatos, normal­mente são importados os tipos 8330 (mais consumido) e o neutro 8412, da classe 4,9 na norma DIN-ISO. O alcalino mais demandado é o 8350, classe 9,1. “Existem vários tipos de vidros, neces­sários quando se pretende fazer ligação entre diferentes classes de materiais, como quartzo a borossilicato, ou com metais”, explicou Teixeira.

Química e Derivados: Tubos: Teixeira - vidro 8330 concorre com ligas de metais nobres.
Teixeira – vidro 8330 concorre com ligas de metais nobres.

Com os tubos de maior diâmetro – é possível chegar a 425 mm, sob enco­menda – são feitos os parelhos de grandes dimensões e os visores indus­triais para cervejarias, por exemplo, capazes de suportar alta caloria.

As tubulações de vidro, produzidas conforme projeto, tem as soldas reque­ridas feitas na Qvetec. “A soldagem deixa uma região de stress térmico no tubo e nos equipamentos, exigindo tratamento térmico adequado em fornos para reorientar as moléculas e recuperar a resistência original”, explicou Clemente.

Negligenciada essa etapa, a peça se tornará muito frágil. A união de segmentos é obtida com o auxílio de flanges, com molas de compensação para a variação dimensional derivada da variação de temperatura. Embora a dilatação dos borossilicatos seja dimi­nuta, ela poderia deixar os parafusos frouxos com o progressivo aquecimento.

Apesar de fortemente influenciado pelo custo da energia (gás e petróleo), usada para sua fusão e transformação, as instalações de vidro não devem ser consideradas caras, segundo os fornece­dores. “É um material que concorre com ligas metálicas nobres, com vantagens”, considerou Teixeira. Ele salientou que são oferecidas diferentes espessuras de parede para cada diâmetro nominal dos tubos. “Algu­mas aplicações exigem mais resistência que outras, em­bora usem o mes­mo diâ­metro, por isso há alterna­tivas que precisam ser bem dimensionadas”, explicou.

Os tubos de vidro têm recebido atualizações tecno­lógicas, às vezes sutis. “Há novidades nas juntas de dila­ta­ção, feitas de PTFE a partir de desenho da QVF”, expli­cou Clemente. No passado, as faces dos segmentos de tubos precisavam ser esmerilhadas, providência abandonada com o aprimo­ramento dos anéis de PTFE. “Os compri­mentos das barras de tubos também variam, o que pode causar algum problema na reposição de peças em instalações mais antigas”, mencio­nou.

Nesse caso, a Qvetec providencia o ajuste. Além de fabricar os acessórios, a Qvetec também importa linha de curvas e conexões da matriz. Existe a possibi­lidade de fornecer tubos e acessórios com revestimento externo em resina reforçada com fibra de vidro, de modo a oferecer garantia contra vaza­mento em caso de rompimento dos tubos. “Nesse caso, também pode ser feito revesti­mento com PTFE”, men­cionou.

Embora especializada em artigos para laboratório, com ampla linha própria, produzida no bairro da Mooca, e itens importados, a Laborglas também importa flanges e peças moldadas para linhas industriais.

A expectativa de crescimento ali­men­tada por Rossi atende pelo nome de saneamento básico. “É um mercado muito concorrido, de grandes volumes e preços baixos”, afirmou. Contar com contratos de fornecimento desse tipo é interessante para a Tecniplas manter alta a ocupação das linhas produtivas, reduzindo a participação dos custos fixos no custo unitário, além de manter programação estável de produção. “Com isso, ganhamos mais competitividade para disputar as encomendas sazonais de setores como papel e celulose e petro­química, explicou.

Em saneamento, Rossi vê faixas de competência bem definidas para cada material. Até 6 polegadas, o PVC seria imbatível; de 6 a 12”, o campo é favorável ao PVC reforçado; já a faixa de 10 a 24”seria melhor atendida pelo plástico reforçado. Diâmetros superiores permaneceriam com o ferro fundido ou aço. Já o mercado de esgotos é um bom campo para o polietileno.

Para evitar problemas com a manu­tenção, Rossi recomenda às empresas que usem alguma quantidade de tubos e equipamentos em plástico reforçado a contar com um funcionário ou pres­tador de serviço de confiança ha­bilitado para lidar com o material. “Há várias empre­sas prestando serviços desse tipo, incluindo a Plasmonte, que faz monta­gens no campo para nós”, explicou.

Os principais mercados atendidos em 2000 pela Tecniplas foram sanea­mento (com 31% das vendas), in­dústria química (28%), açúcar e álcool (23%), papel e celulose (11%), e fertilizantes e petróleo (7%).

Tubos também fazem arte

Por serem de manipulação fácil, os tubos são procurados por artistas plásticos para a confecção de obras. Trata-se de mercado diminuto, com impacto econômico baixo, mas interessante por expor os materiais a um público diferente do pessoal de fábrica e laboratório.

“Como temos instalações adequadas, com fornos e maçaricos especiais, às vezes somos procurados por artistas que pretendem fazer esculturas de vidro”, comentou Clemente, sem esconder o entusiasmo com essa procura, que aproveita ao máximo a beleza e transparência do material. “Já forneci algumas peças grandes de laboratório, como dissecadores, como objetos de decoração”, afirmou Teixeira.

No campo dos tubos metálicos, o aço inoxidável atrai o interesse de alguns artistas, em especial pelo brilho e resistência do material às intempéries. “Muitos artistas partem dos tubos de aço para fazer seu trabalho”, afirmou Ellie Setton, da Inoxtubos, sem quantificar a demanda. “Isso valoriza o material.”

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