Calor Industrial

Trocadores de calor: Materiais avançados e economia de energia comandam o mercado

Antonio C. Santomauro
15 de outubro de 2014
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    Além disso, determinados metais qualificados como nobres hoje apresentam um custo aceitável no mercado mundial e sua aquisição se torna viável, como se verifica com o titânio, que está ganhando espaço em relação a materiais convencionais, em aplicações que eram dominadas pelo aço inox, que exigia a substituição anual ou bienal (por exemplo, na indústria de papel e celulose, em processos onde há soluções ácidas, porém com baixa concentração de cloro) dos trocadores. “Algumas dessas aplicações mudaram para o titânio e têm equipamentos com mais de três anos em operação sem nenhuma necessidade de manutenção”, acrescenta o gerente da Mersen.

    Esse maior interesse por opções de investimento inicial mais elevado, porém com melhor relação entre custo e benefício, é observada também por Matos, da Apema. “Muitos clientes nos procuram para substituir um equipamento de inox com o qual trabalham há cerca de quatro anos e pedem, agora, outras opções, como o aço duplex, cuja vida útil, segundo estimativas, pode ser mais de duas vezes superior”, informa.

    Nas refinarias, principalmente, evolui a tendência de utilização de opções como aço super-duplex e cromo-molibdênio, especifica Rodrigues, da CBC. “Esses materiais permitem equipamentos mais resistentes à corrosão, às altas pressões e às altas temperaturas do processo de refino do petróleo”, justifica.

    Por enquanto, trocadores feitos de materiais nobres constituem apenas um nicho, como destaca Ribeiro, da GEA (empresa cujo portfolio inclui também trocadores confeccionados de ligas de cobre e níquel, aço duplex, titânio e tântalo, entre outros). “Mas, à medida que baixam os custos de utilização desses materiais, a tecnologia é dominada, e ganhamos escala, esse nicho se torna mais e mais interessante”, ressalta.

    Química e Derivados, Trocador feito de Incoloy pela Mersen para produtos agressivos

    Trocador feito de Incoloy pela Mersen para produtos agressivos

    Menos mercado, mais concorrentes – Como seria facilmente presumível, a atual conjuntura de quase estagnação da indústria brasileira, piorada pela sequência de Copa do Mundo e eleições, não poderia deixar de gerar efeitos negativos nos negócios dos fornecedores de trocadores de calor instalados no país.

    Existem, certamente, alguns segmentos em que é possível notar demanda um pouco mais acentuada. “Em virtude do aumento do índice de mistura de biodiesel ao diesel – era 5% até o início de julho, está em 6% e chegará a 7%, em novembro –, esse setor vem realizando alguns investimentos”, informa Lopes, da Mersen. “Essa indústria utiliza, entre outros, trocadores de grafite em algumas etapas do processo nas quais estão presentes os ácidos graxos”, especifica.

    Dedicada aos trocadores casco e tubos ou de blocos – tecnologia similar à de placas, porém com algumas diferenças, como a presença de casco –, no Brasil, a Mersen produz apenas os modelos feitos de grafite, fabricados em na unidade situada em Cabreúva-SP. Os seus trocadores feitos com os demais materiais vêm de operações da empresa em outros países, como China, Alemanha e Estados Unidos. “Entre nossos mais recentes fornecimentos, há equipamentos de blocos em grafite aplicados como resfriadores e condensadores em uma fábrica de defensivos agrícolas, e também como aquecedor e evaporador em uma unidade de biodiesel, além de equipamentos de casco e tubos para uma instalação de decapagem”, detalha Lopes.

    Já a Apema, diz Matos, acabou de entregar um trocador de aço carbono e tubos em inox para ser utilizado como condensador de superfície na UFN III, a unidade de fertilizantes nitrogenados da Petrobras em fase final de construção em Três Lagoas-MS, e está fornecendo dois equipamentos casco e tubos para substituir os trocadores atualmente em operação na fábrica de Cubatão-SP da petroquímica Unigel (esse dois trocadores serão soldados um ao outro, produzindo um sistema com mais de dez metros de comprimento).

    Segundo Matos, entre os principais segmentos aos quais a Apema fornece trocadores – petroquímica, papel e celulose, e óleo e gás –, este último é aquele que hoje apresenta movimentação um pouco mais intensa, porém, por nele ser desenvolvida uma quantidade pequena de projetos, basicamente oriundos da Petrobras, nesse segmento concorrem de maneira intensa praticamente todos os fabricantes desses equipamentos.

    Além disso, mesmo sujeitos a um mercado pouco aquecido e altamente competitivo, os fornecedores instalados no Brasil precisam enfrentar uma concorrência internacional bastante significativa: “Acabamos de perder para os Estados Unidos uma concorrência realizada por uma indústria química, e sei de plataformas que trazem trocadores casco e tubos da Coréia e a placas da Índia”, comenta o gerente da Apema.

    Ribeiro, da GEA, referindo-se a estaleiros que buscam em outros países fornecedores dos trocadores necessários às plataformas que constroem para a Petrobras, qualifica como injusta essa concorrência. “Buscam em outros países fornecedores competitivos, enquanto o Brasil está longe de ser exemplo de competitividade”, argumenta. “Mas cerca de 50% dos trocadores casco e tubos das plataformas da Petrobras provêm da GEA”, ressalta.

    Química e Derivados, Trocador de calor de aço fabricado pela Evacon em Diadema-SP

    Trocador de calor de aço fabricado pela Evacon em Diadema-SP

    E Guttis, da Evacon, percebe uma concorrência internacional mais intensa no segmento dos produtos engenheirados. “Nos itens de série, o conhecido custo Brasil está mais assimilado, é reduzido pelos processos de produção em linha e não há o custo específico da engenharia “, avalia.

    Com planta instalada em Diadema-SP, a Evacon – produtora também de itens como transportadores e vasos de pressão – realiza cerca de 60% de seus negócios no mercado dos trocadores. “Como todos os setores, esse mercado hoje está apenas razoável, e que atualmente está sendo sustentado pela demanda da indústria alimentícia”, diz Guttis.

    Já Rodrigues, da CBC qualifica como pífio o desempenho registrado no primeiro semestre, e não vê perspectivas de melhora a curto prazo, especialmente em decorrência das postergações na implantação das refinarias anunciadas pela Petrobras. “No Brasil há certa dependência crônica de negócios com trocadores atrelados à capacidade de investimento da Petrobras”, destaca.

    Mas a CBC recentemente forneceu equipamentos casco e tubos para a estatal do petróleo, para o projeto do Comperj. “E temos em nossa carteira de encomendas mais alguns trocadores em fabricação para a Unidade de Recuperação de Enxofre do Comperj”, finaliza Rodrigues.



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