Calor Industrial

Trocadores de calor: Materiais avançados e economia de energia comandam o mercado

Antonio C. Santomauro
15 de outubro de 2014
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    Química e Derivados, Equipamento de casco e tubos fabricado para o Comperj

    Equipamento de casco e tubos fabricado para o Comperj

    Em épocas de mercado pouco aquecido, avançar sobre tecnologias concorrentes pode constituir alternativa interessante para geração de negócios. Da mesma forma, pode ser importante destacar mais incisivamente os benefícios adicionais proporcionados pelos produtos e serviços que se pretende vender, e posicionar alguns deles para o atendimento das necessidades de nichos específicos. Submetida a uma conjuntura de demanda pouco intensa e de aguda competitividade – em alguns casos, implementada em âmbito global –, a indústria de trocadores de calor instalada no Brasil busca hoje aproveitar todas essas possibilidades.

    A ênfase nos benefícios adicionais se expressa no apelo a conceitos como a integração energética, enquanto o atendimento de nichos pode ser observado na expansão da oferta de trocadores feitos com novos materiais. Já o avanço sobre tecnologias rivais se manifesta no posicionamento mais incisivo dos trocadores a placas como opção para aplicações antes cativas do modelo mais comum dos trocadores, os casco e tubos (que, além de indispensáveis em determinadas aplicações, evoluem pela adequação a novos campos de utilização, como o petróleo no pré-sal).

    Nessa disputa, pesam favoravelmente aos equipamentos com placas itens como a possibilidade de construção de modelos mais compactos e o custo inicial geralmente menor, entre outros. E atualmente, com o uso de soldas em vez de gaxetas – as vedações elastoméricas ainda presentes em modelos destinados a diversas aplicações –, eles podem ser empregados em processos com pressões e temperaturas muito elevadas, capazes de danificar as gaxetas.

    Química e Derivados, Matsufugi: tecnologia de produção permite usar tântalo

    Matsufugi: tecnologia de produção permite usar tântalo

    Com a soldagem, muitas vezes realizada através de sofisticados sistemas a laser, em ambientes como refinarias de petróleo e indústrias química e petroquímica, “os trocadores de placas vêm sendo utilizados em aplicações críticas, muitas vezes próximas dos limites dos casco e tubos”, ressalta Marcos Matsufugi, gerente regional da área de O&G e petroquímica da Alfa Laval, fabricante cujo portfólio inclui duas linhas de trocadores a placas soldadas: Compabloc e Espiral (essa última, graças a um efeito autolimpante, utilizada principalmente em processos nos quais há a presença de fluidos mais sujos, como torres fracionadoras de craqueamento).

    Altamente eficientes, complementa Matsufugi, trocadores de placas isentos de gaxetas ou juntas podem hoje ser utilizados em patamares de temperatura e pressão situados nas proximidades das faixas de 400ºC e 40 bar. “Mas também existem alguns projetados para pressões de 55 bar, e nosso trocador Espiral pode ir até 90 bar”, detalha.

    Na GEA, a oferta inclui tanto equipamentos casco e tubos quanto a placas, Leonardo Ribeiro, diretor comercial da GEA do Brasil, reconhece ser essa última a opção a imediatamente escolhida pelos clientes quando eles buscam trocadores para processos com baixa pressão, ou cujos fluidos arrastem baixa quantidade de sólidos. Mas com pressões acima de 20 bar, torna-se imprescindível pensar em casco e tubos, por enquanto indispensáveis também em processos nos quais há fluidos viscosos ou com a presença de sólidos ou, ainda, mais críticos: por exemplo, processos que não podem parar, ou operem com fluidos altamente tóxicos, que não podem vazar. “Nesses casos, os casco e tubos são mais confiáveis”, afirma Ribeiro.

    Química e Derivados, Trocador em espiral, da Alfa Laval

    Trocador em espiral, da Alfa Laval

    Além disso, surgem novas necessidades nas quais é ainda impensável utilizar equipamentos com placas: uma delas, presente em um contrato pelo qual a GEA fornecerá ao consórcio que está construindo para a Petrobras dois navios-plataformas FPSO (P-75 e P-77) trocadores aptos a trabalhar com pressões até 600 bar, para exploração de petróleo situado até 6 mil metros abaixo da superfície do mar.

    No valor de 20 milhões de euros, esse contrato exigirá da GEA a produção de trocadores para aplicações como compressão de CO2 e de gás natural, injeção de gás, processamento de óleo e tratamento de água, entre outras (alguns já estão com o cliente, mas a maioria será entregue em 2015). “Esses trocadores estão sendo feitos de materiais especiais, como ligas de cobre e níquel, aço duplex e titânio, e devem seguir normas e cálculos muito específicos”, afirma Ribeiro. “Essa tecnologia não existia no Brasil, está sendo desenvolvida aqui pela GEA”, acrescenta.

    Graças a projetos como esse, ressalta Ribeiro, a planta brasileira de produção de trocadores da GEA, em Franco da Rocha-SP, é hoje, no segmento dos equipamentos com casco e tubos, referência mundial na operação dessa empresa, que mantém noventa unidades industriais espalhadas por vários países.


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