Calor Industrial

Trocadores de calor: Compradores ativos reanimam setor

Marcelo Fairbanks
1 de outubro de 2000
    -(reset)+

    Materiais especiais – Embora os vários tipos de aço inoxidável dominem os pedidos de trocadores de calor, materiais alternativos ocupam fatia interessante de mercado, de uso justificado pela resistência e compatibilidade química com o processo. “Quase um terço das empresas instaladas no pólo de Camaçari-BA usam trocadores de calor feitos de grafite”, disse o gerente da divisão de carvão químico da Carbono Lorena, Geraldo Perlino Jr. A empresa vende anualmente R$ 2 milhões desses equipamentos apenas no Brasil. Ele estima que as vendas anuais de trocadores feitos de metais nobres no mundo chegue à casa dos US$ 60 milhões.

    “A cada ano, a venda de equipamentos de grafite cresce perto de 20% no Brasil”, disse o gerente, salientando que o preço do material está contido e o aumento de negócios deve ser atribuído ao maior número de unidades entregues. Por ter menor resistência à tração e ao cisalhamento que o aço, os trocadores de grafite precisam ser construídos com paredes mais espessas. “Isso é possível porque o grafite conduz seis vezes mais calor que o aço carbono e oito vezes mais que o inox”, comentou Perlino. Segundo informou, essa característica permite construir trocadores com área de troca em média 20% menor que similares de aço.

    Isso justifica o dimensionamento específico para os equipamentos feitos de grafite, embora sigam as mesmas normas Asme e HTRI dos concorrentes. “Há diferenças de especificações que precisam ser consideradas”, comentou. Única fabricante no Brasil de partes técnicas de grafite para trocadores de calor, a Carbono Lorena oferece modelos cúbicos, em blocos e de casco e tubos. Os cúbicos são usinados para proporcionar a área exata de troca térmica desejada. Já os blocos de grafite tem área predeterminada, não aceitando variações. Os tubulares tem o diâmetro e número de tubos determinados em cada aplicação.

    A unidade brasileira importa o grafite da Europa ou dos EUA, realizando por aqui a impregnação com resina fenólica, aplicada em 80% dos casos. “Há situações nas quais é preciso impregnar o grafite com resina teflonada ou mista, mas isso só é feito na França”, explicou. A operação é necessária para vedar os poros do material, mas é indesejável, pois essas resinas apresentam propriedades inferiores às do grafite. Por isso, a empresa desenvolve novos produtos de baixíssima porosidade, recebendo cada vez menos impregnantes. “Já estamos na terceira geração de grafites industriais, com melhor resistência química”, informou Perlino.

    Apesar dos bons resultados com o grafite, a matriz francesa Carbone Lorraine comprou, em novembro de 1997, a americana Astra Cosmos, uma das líderes mundiais em equipamentos industriais feitos de metais nobres, como tântalo, zircônio, ligas de nióbio e titânio. A Cosmos contava também com fábrica na Alemanha. Esse fabricante tinha em linha trocadores, reatores, tanques, tubos e outros, e está sendo apresentado neste ano ao mercado brasileiro, com a expectativa de negócios por volta de US$ 1 milhão nos próximos doze meses. “Queremos oferecer mais opções de materiais aos nossos clientes”, comentou o gerente. Como explicou, só em equipamentos feitos de titânio a Carbono Lorena passou a contar com 45 tipos diferentes de material, adaptando-se a inúmeras condições de temperatura, corrosão e pressão.

    Contando com farta biblioteca de aplicações para orientar a seleção de materiais, a empresa ainda oferecerá aos clientes assistência para escolher o melhor material. “Estamos preparados para fazer ensaios nas instalações do clientes, colocando corpos de prova em contato com produtos fabricados nas condições operacionais e ambientais de cada caso”, afirmou.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *