Calor Industrial

Trocadores de calor: Compradores ativos reanimam setor

Marcelo Fairbanks
1 de outubro de 2000
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    Química e Derivados: Trocadores de Calor: Cibele - placas querem entrar nas refinarias de petróleo.

    Cibele – placas querem entrar nas refinarias de petróleo.

    A faixa recomendada de aplicação é a mesma do Alfa Rex, trocador de placas soldadas, de zero a 40 bar e de -100ºC a 350ºC. Pode ser fabricado em aço inox, titânio, tântalo ou ligas especiais, segundo normas Asme, SA, Stoomwezen ou AD Merkblätter. “A linha Compabloc é excelente para refinarias de petróleo, que trabalham com produtos agressivos e pressões de média intensidade”, disse Cibele. Tanto quanto os Alfa Rex, os novos modelos dispensam o uso de gaxetas. Segundo informou, em todos os trocadores a placas, quase 70% das vendas pede aço inoxidável, sendo o restante dividido entre vários materiais, com destaque para as ligas metálicas. Atualmente, a procura está crescendo para o inox com molibdênio (SMO), enquanto as placas de grafite ficam restritas a alguns ácidos muito corrosivos. “Temos a linha de placas de grafite que era feita pela Vicarb, que apresenta três ou quatro tamanhos”, disse.

    Com o passar do tempo e o desenvolvimento tecnológico, os trocadores a placas deixam para trás a imagem de equipamento exclusivo para laticínios, entrando em aplicações diversas, como aquecedores e até como condensadores de topo de coluna. “Os trocadores a placas já são usados mesmo nas situações em que ocorrem misturas de fases, como vapor e água ou gás e óleo, freqüentes nas plataformas de petróleo”, comentou.

    Nas usinas de açúcar e álcool, equipamentos como o EC 700, lançado na Fenasucro deste ano, em setembro, são oferecidos para evaporação de caldo, substituindo as antigas calandras. Em 1994, a Alfa Laval havia lançado o EC 500, do qual vendeu 75 unidades no Brasil. O novo modelo tem capacidade maior de evaporação. “Estamos instalando um EC 700 na Argentina e já temos vários no exterior”, informou.

    A gerente de divisão acredita que os trocadores a placas venham a desempenhar papel mais significativo nas linhas de recuperação de energia, pela sua maior eficiência de troca térmica. “Usar um trocador para aquecer o caldo frio com a saída de caldo quente representa uma economia de vapor significativa para usinas de açúcar”, avaliou. Nesse caso, a empresa recomenda usar placas de canal largo, para evitar entupimentos.

    A Alfa Laval oferece também outros tipos construtivos, como os semi-soldados, nos quais as placas são soldadas duas a duas, formando um circuito completamente fechado e outro, aberto. “Os trocadores que resfriam o gás nas plataformas de petróleo são soldados apenas do lado do gás, para evitar vazamentos”, explicou. Para temperaturas até 400ºC e líquidos com alto teor de sólidos suspensos, existem os trocadores em espiral. Já os modelos brazados, de fabricação seriada e custo relativamente menor, são mais vendidos como partes de equipamentos maiores, a título de fornecimento OEM. “Temos fábricas de brazados na Itália e na Suécia, todas robotizadas e com preços competitivos”, disse.

    Atualmente, identificam-se dois tipos de clientes para trocadores de calor, segundo Cibele. O primeiro se distingue por demandar uma solução completa para um problema na produção, exigindo qualidade do equipamento e serviços completos de pré e pós-venda. Ao mesmo tempo, existe também o comprador de produto como se fosse uma commodity, com quem o ponto principal da discussão é o preço. “Nós nos esforçamos para atender aos dois tipos de clientes, oferecendo o que eles querem”, disse.

    O segundo grupo poderá se beneficiar, no futuro, do uso de ferramentas de comércio eletrônico, um dos pontos-chave da estratégia da Alfa Laval em todo o mundo. Atualmente, o grupo mantém o site www.hvac.alfalaval.com, no qual são colocadas informações sobre a linha de produtos para a área de calor e ar condicionado, contendo também ferramentas para a seleção do trocador mais adequado às necessidades do cliente. “O plano é colocar todos os dados disponíveis na rede e até fazer a venda direta dos produtos seriados”, explicou a gerente. Nos trocadores engenheirados isso será mais difícil, pois é necessária a participação dos técnicos da companhia para a correta seleção e dimensionamento.

    Em comparação com a década de 80, Cibele aponta uma diferença crucial no relacionamento com os clientes. Naqueles tempos de vendas altas, as consultas eram lideradas por empresas de engenharia, que exigiam um ritual burocrático extenso, com propostas e contrapropostas em formulários padronizados de várias vias. “Hoje é o cliente quem procura pelo trocador, quase sempre por fax ou e-mail”, disse. “Daí a importância de oferecer suporte técnico para ele e ainda acompanhar o desempenho do equipamento.”

    Na área de serviços, a Alfa Laval montou unidade específica para manutenção de trocadores de qualquer marca, na qual opera instalação capaz de fazer a limpeza química das placas, contando com tanque de nitrogênio líquido para remoção rápida das gaxetas a -160ºC.

    Embora seja mais conhecida pelos trocadores casco e tubos, a GEA também oferece equipamentos a placas da linha Ecoflex, antes totalmente importados da Alemanha, que hoje fornece apenas as placas para a unidade brasileira, que se encarrega da produção da estrutura e montagem. “O mercado está aceitando melhor os trocadores a placas”, comentou o gerente Victor Meneses. Na sua opinião, cada ramo industrial tem cultura própria, mais ou menos receptiva a mudanças.

    Cibele David, da Alfa Laval, considera que os modelos a placas são alternativa interessante para os air coolers de tubos aletados, muito usados nas indústrias de petróleo e siderurgia. “Já colocamos alguns trocadores para substituir áreas imensas de air coolers, com resultados excelentes”, afirmou.

    Meneses reconhece que a área ocupada pelos air coolers é grande, quase cem vezes maior que a de um casco e tubos. Mas essa alternativa conta com excelente aceitação inclusive na Europa (onde, em geral, as temperaturas são bem mais baixas que no Brasil) e está sendo oferecida para as termelétricas, em fase de implantação no País.



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