Calor Industrial

Trocadores de calor: Compradores ativos reanimam setor

Marcelo Fairbanks
1 de outubro de 2000
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    Química e Derivados: Trocadores de Calor: Jubileu mostra trocador 'DEU' para 300 kgf nos tubos.

    Jubileu mostra trocador ‘DEU’ para 300 kgf nos tubos.

    As vendas para linhas produtivas inteiramente novas já se beneficiarão das atualizações de normas construtivas internacionais.

    “Houve mudanças tanto no cálculo térmico quanto no mecânico”, explicou José da Conceição Jubileu, gerente de engenharia da Jaraguá. A empresa é certificada nas categorias U e U2 da American Society of Mechanical Engineering (Asme), tendo seus vasos de pressão auditados pela companhia internacional Loyds para permitir a estampagem dos selos no corpo, além de contar com certificação ISO 9002 e ser membro fundador do Heat Transfer Research Institute (HTRI), ao qual se vinculou em 1972.

    Jubileu explica que a Asme passou a admitir maior tensão aplicada aos materiais construtivos, como resultado de muitos testes. “Isso permite fabricar equipamentos mais leves e mais econômicos, sem comprometer a segurança”, disse. Ao mesmo tempo os coeficientes de segurança adotados para o dimensionamento dos trocadores foram atualizados no âmbito do HTRI. “O fator de deposição de sólidos no trocador hoje é muito mais conhecido e estudado, o que embasou a redução do coeficiente, implicando a redução do tamanho do trocador”, comentou. Os programas novos de computador para dimensionamento desses equipamentos desenvolvidos pelo HTRI já usam os novos coeficientes.

    Segundo comentou o gerente, as empresas de projetos fazem o desenho básico dos trocadores de calor, que são detalhados pelos fabricantes. “Fazemos nossos projetos em estações de CAD, que oferecem mais qualidade, permitindo alterações e correções com facilidade”, explicou. As pesquisas internacionais continuam a ser desenvolvidas para aumentar a área de transferência térmica e a eficiência operacional dos trocadores, movimentos nem sempre acompanhados pelo mercado. “Há muita resistência contra a introdução de novos conceitos”, disse Jubileu. A preferência das refinarias de petróleo recai no tipo “S”da Asme, enquanto a indústria química tenta enquadrar seus processos nos tipos mais econômicos, como o “B”e o “M”, de espelhos fixos.

    Química e Derivados: Trocadores de Calor: Feixe de tubos sem costura montados para permitir dupla passagem.

    Feixe de tubos sem costura montados para permitir dupla passagem.

    Na operação de um trocador de calor, Jubileu recomenda atenção para evitar desperdícios provocados pela perda de carga. “A tendência do operador é aumentar a pressão de bombeamento, mas isso significa gastar mais dinheiro em energia”, disse.

    Os principais modelos fabricados pela Jaraguá são o casco e tubos, resfriadores a ar (air coolers) e duplo tubos, estes usados para vazões reduzidas, com pequena área de troca, mas capazes de suportar altas pressões, sendo usados, por exemplo, nas fábricas de polietileno de baixa densidade.

    Os air coolers contam com licença da Hudson (EUA) e se beneficiam das fortes restrições ao uso intensivo de água que incentivam a adoção de circuitos fechados nas indústrias.

    Os grandes galpões da empresa em Sorocaba-SP, dotados de estrutura para tratamento térmico e radiografia de soldas em equipamentos grandes, abrigam encomendas de air coolers e casco e tubos complexos, como o modelo “DEU” desenhado para suportar 300 kgf dentro dos tubos. “Não há muitas empresas no Brasil capazes de atender a encomendas de bens de capital de grande porte”, disse Sylvio Fonseca, relacionando o fechamento de concorrentes ao longo dos últimos dez anos.

    Química e Derivados: Trocadores de Calor: Fonseca - poucos grandes fabricantes sobreviveram.

    Fonseca – poucos grandes fabricantes sobreviveram.

    Placas mantêm ritmo – As vendas da divisão Thermal da Alfa Laval brasileira crescem à razão de 10% ao ano, segundo informou a gerente de divisão Cibele David. Apenas em 1999, por causa da desvalorização cambial, o índice em moeda forte não foi alcançado. “Calculando a evolução em reais, até conseguimos crescer”, comentou. O efeito cambial provocou retração imediata do mercado e encareceu os trocadores a placas, uma vez que estas são estampadas no exterior. A situação favoreceu os trocadores casco e tubos, de maior índice de nacionalização. Já em 2000, ela verificou quadro econômico estável, no qual os projetos reapareceram. “O ano 2001 deverá ser muito bom”, afirmou.

    Com objetivo de ampliar a faixa de aplicações, a empresa desenvolveu o modelo Compabloc, de placas soldadas que permite abertura para limpeza mecânica e inspeção visual. Disponível em seis tamanhos, de 0,7 a 320 m² de área de troca, esses trocadores são formados por um bloco de placas empilhadas e soldadas horizontalmente. O bloco é fechado com painéis de aço nas laterais e no topo, de modo a impedir o contato entre os fluidos, cujos circuitos seguem direções transversais, admitindo vários passes com a colocação de chicanes.

    As aberturas entre placas de ambos os lados são largas o bastante para permitir a limpeza com jatos de água e a visualização de eventuais depósitos, sendo necessário apenas soltar os parafusos dos painéis laterais. “O equipamento também admite limpeza CIP (cleaning in place), para a qual fornecemos o equipamento montado sobre carrinho”, explicou a gerente. O desenho do Compabloc permite a instalação também nas posições horizontal e inclinada, dispensando estruturas especiais de fixação, por se tratar de equipamento relativamente leve.



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