Tintas e Revestimentos

Tratamento de superfície – Tecnologia para lidar com novos desafios

Antonio C. Santomauro
15 de janeiro de 2020
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    Química e Derivados - Tratamento de superfície - Tecnologia para lidar com novos desafios

    Setor espera recuperação da demanda e melhora tecnologia para lidar com novos desafios

    O aquecimento das atividades da construção civil ainda não permite projetar um cenário mais animador para a indústria brasileira de tratamento de superfícies no decorrer de 2020. E nem mesmo esse débil alento impediu que, em 2019, essa indústria registrasse nova retração em seus negócios.

    Química e Derivados - Zanini: reforma tributária tem impacto direto na indústria

    Zanini: reforma tributária tem impacto direto na indústria

    Ao final deste ano, estima Airi Zanini, diretor da Associação Brasileira de Tratamentos de Superfície – ABTS e diretor-geral do grupo MacDermid na América do Sul, a indústria brasileira de soluções para tratamento de superfícies terá registrado desempenho similar ao do PIB industrial do país, que provavelmente apresentou nova queda (de acordo com o Boletim Focus, do Banco Central, na primeira semana de novembro a expectativa era de redução de 0,73% na produção industrial brasileira, comparativamente a 2018). “O início do ano foi razoavelmente bom, depois houve queda acentuada. Em setembro começou a surgir algum oxigênio, principalmente vindo da construção civil, porém nada muito grandioso”, detalha Zanini.

    Mesmo se mantendo aquecida, somente daqui a algum tempo a construção civil gerará maiores impactos. Afinal, “por enquanto esse setor está comprando basicamente tijolos e cimento, só daqui a mais de um ano demandará as peças de acabamento, que recebem tratamento”, observa Maurício Bombonati, gerente de negócios da Atotech.

    A construção civil demanda grandes volumes de diversos gêneros de acabamento de superfícies: cromações decorativas, zincagem de parafusos, anodização de alumínio, entre outros. Mas as montadoras de automóveis, consumidoras das soluções de maior valor, compõem o principal mercado dessa indústria. “Seja pela conjuntura da economia brasileira, seja pelas dificuldades da Argentina, um mercado relevante, este ano a indústria automobilística nacional não deve ter crescimento significativo”, observa Bombonati (nos dez primeiros meses deste ano, informa a Anfavea, a quantidade de veículos leves produzidos no país foi 3,6% superior ao do mesmo período de 2018).

    Horizonte indefinido – Em 2020, ressalta Zanini, o desempenho da indústria brasileira de tratamento de superfícies estará diretamente atrelado à continuidade da implementação de reformas que devem ser capitaneadas pelo governo. “A reforma tributária, principalmente, pode ter impacto muito direto na atividade industrial”, comenta.

    Mas também a disputa comercial entre Estados Unidos e China pode afetar esse setor, pondera Bombonati. Primeiramente, porque pode afetar índices cambiais, que impactam fortemente um setor que trabalha com muitos insumos importados. Mas principalmente porque, dependendo do desfecho dessa disputa, a indústria chinesa intensificará sua presença em outros mercados, inclusive no Brasil, onde os fornecedores de tratamento enfrentariam então concorrência ainda mais acirrada, pois os produtos finais importados já vêm tratados.

    A indústria automobilística, prevê o profissional da Atotech, no próximo ano deve registrar desempenho similar ao de 2019. “Parte importante do crescimento desse setor se deve aos negócios com frotistas e com quem trabalha em plataformas como o Uber. Esses segmentos consomem veículos mais básicos, nos quais há menos tratamento de peças”, destaca.

    Além disso, aponta Bombonati, “as montadoras de automóveis da Europa, dos Estados Unidos e da China estão reduzindo suas perspectivas quantitativas de produção para o próximo ano”. Em um futuro não muito distante, ele projeta, essas montadoras apresentarão outros desafios para a indústria do tratamento de superfícies. Um deles, a expansão dos carros elétricos, que podem demandar soluções diferenciadas: as atuais grades frontais dos veículos, por exemplo, são geralmente feitas de plástico cromado; mas os motores dos veículos elétricos aquecem menos que os de combustão interna e, por isso, talvez essas grades não precisem ser tão resistentes quanto as atuais, exigindo menos tratamento.

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    No mercado das máquinas industriais, prossegue o profissional da Atotech, a expansão da demanda por tratamento certamente depende do aquecimento da atividade industrial do país (devem se manter em bom ritmo as vendas destinadas a máquinas agrícolas, que representam porém um nicho menor). Diante dessas várias indefinições, parece realmente difícil determinar previamente o cenário no qual atuarão no próximo ano os fornecedores de soluções de tratamento instalados no Brasil. Resultado dessa insegurança: “Definimos três budgets para a operação brasileira da Atotech em 2020, cada um deles associado a uma perspectiva de crescimento: a maior delas é o dobro da menor”, finaliza Bombonati.



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    Um Comentário


    1. NILO CELSO PAULI

      A dependencia de outros fatores economicos traz incertezas quanto a investimentos, reduzindo em muito o numero de empresas que utilizam o tratamento de superfice como acabamento final, vimos nos ultimos 5 anos uma queda muito acentuada de empresas prestadoras de serviços em tratamento de superficie e a crescente importação de produtos asiaticos ja acabados com preços bem abaixo dos praticados no Brasil.



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