Tratamento de Superfície – Galvanoplastia perde espaço para processos alternativos

Química e Derivados, Sérgio Pereira Jr., Tecnorevest, estanho tem característica de baixo coeficiente de atrito
Pereira: selante para reduzir atrito nos tubos do pré-sal

No campo das novidades tecnológicas, a Henkel começa a apresentar a alguns clientes brasileiros a solução Alodine EC2. “É uma tecnologia de eletrodeposição de titânio sobre superfícies de alumínio, titânio e suas ligas”, disse Sérgio Redondo, gerente de negócios Loctite Mercosul, da Henkel. A gama de aplicações dessa tecnologia, explica o material de apresentação preparado pela empresa, vai do atrito e da pressão às quais são submetidos os componentes automotivos, à intensa corrosão inerente à atuação dos engenhos marítimos.

Há também investimentos destinados a agregar novas funcionalidades aos tratamentos: a Tecnorevest está lançando um produto – licenciado da empresa norte-americana Pavco –, que ao combinar níquel no processo de cromação confere ação bactericida à peça tratada. Entre os principais alvos da novidade, destacam-se os fornecedores de torneiras e maçanetas para locais críticos, como hospitais e banheiros públicos. “No exterior, a Pavco já tem clientes para esse produto na área de metais sanitários”, comentou José Carlos D’Amaro.

Mas os grandes avanços na área de tratamento decorrerão de sua associação à nanotecnologia, como prevê a pesquisadora Zehbour. Ela já permite, por exemplo, colocar partículas hidrofóbicas nos banhos metálicos ou nas tintas, e assim evitar que a água grude nas superfícies. “No Japão, a indústria de eletrodomésticos de linha branca – fogões, geladeiras, máquinas de lavar – já usa essa tecnologia”, informou a pesquisadora do IPT. Além disso, a nanotecnologia também se presta para gerar substitutos para substâncias como o cromo hexavalente, e na área da pintura pode substituir os pigmentos anticorrosivos por nanopartículas sem a mesma toxicidade.

Apoio ao conhecimento – Mais que uma possibilidade, a nanotecnologia já é uma realidade no mercado de tratamento de superfícies, como destacou Douglas de Souza, da Itamarati. Afinal, além de aumentar a resistência à corrosão, ela também permite, entre outras coisas, conferir maior longevidade aos produtos: “Um cromatizante, por exemplo, pode ter sua vida útil aumentada de 90 dias para sete meses”, exemplificou. A Itamarati, segundo Douglas, já começou a trabalhar com insumos em nanoescala, e nessa área conta com o know-how de sua parceira internacional Haviland.

Química e Derivados, Francisco Braga, IPEN, mercado brasileiro da galvanoplastia deveria investir no conhecimento disponível
Braga: país tem expertise pouco aproveitada pelo empresariado

Neste ano, a Itamarati recebeu a certificação ISO 14000, com a qual comprova a sustentabilidade de suas operações. “Tenho conversado com alguns clientes de outros países, e percebo que esse gênero de certificação é um diferencial valorizado no mercado externo”, salientou. E, hoje em dia, praticamente todas as empresas mais estruturadas do setor têm uma atuação sustentável, mas é preciso considerar a existência, nesse mercado, de muita informalidade, sobre a qual não há controle. Há no Brasil, na estimativa de Souza, aproximadamente quarenta fornecedores de produtos galvanoplásticos legalizados, e mais uns trinta informais.

Também entre os aplicadores dessas soluções há hoje mais consciência da necessidade de atuação adequada à preservação ambiental, como acredita Airi Zanini, da Anion MacDermid. Mas, para ele, o governo deveria se integrar mais decididamente a esse processo: “Existem hoje opções tecnológicas adequadas ao descarte dos resíduos, mas é pequeno o apoio governamental para sua utilização. Nos países desenvolvidos o governo está diretamente envolvido na questão do tratamento dos resíduos da atividade de tratamento de superfícies”, comparou.

Caso queira manter sua competitividade, além de se preocupar com o meio ambiente, o mercado brasileiro da galvanoplastia deveria investir também no conhecimento aqui disponível, recomenda Francisco Braga, integrante do centro de ciência e tecnologia dos materiais do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). Esse investimento é importante para, por exemplo, enfrentar a concorrência dos produtos chineses.

Francisco considera incorreta a visão de quem descarta a concorrência chinesa devido à suposta falta de qualidade, até porque é na China que algumas das mais famosas marcas do mundo hoje desenvolvem grande parte de suas operações de produção.

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