Tratamento de Superfície – Galvanoplastia perde espaço para processos alternativos

Mas, para a etapa seguinte à passivação – a selagem –, a Tecnorevest está lançando um produto sem nenhum cromo na formulação. Denominado Ecoseal, para enfatizar sua virtude ecológica, ele atua como um coating próprio para ser aplicado sobre as coberturas de zinco e cromo. “Assim como o Tecnorex, esse produto foi desenvolvido por nós”, disse Silvia Pereira.

Química e Derivados, Zehbour Panossian, IPT, assim como o cianeto, o cromo hexavalente é insumo do qual a galvanoplastia quer distância
Zehbour: cromo trivalente só em empresas ambientalmente corretas

O desejo de abandonar o cromo hexavalente pode, porém, ser às vezes sufocado pela realidade mercadológica. Embora muitas montadoras já tenham normas determinando seu fim, elas nem são aplicadas em todos os países nos quais elas atuam: “Na hora das compras, muitas vezes os negociadores locais dessas montadoras olham mais para a questão dos custos”, observou Zanini, da Anion MacDermid.

Para ele, esse dilema entre custos, qualidade e sustentabilidade, muitas vezes focado apenas no primeiro desses elementos, decorre de uma avaliação errônea do significado do termo “custo”, que não é sinônimo de preço. “As novas demandas do mercado em áreas como qualidade e meio ambiente não permitem fazer da comparação entre preços o único critério de avaliação”, criticou.

Zanini destacou, como segmento capaz de gerar crescentes negócios para as empresas de tratamento de superfície, os produtos relacionados à geração de energia, seja ela eólica, fotovoltaica, ou a que venha a fazer frente à crescente demanda dos carros elétricos, pelo menos no exterior. “A MacDermid já tem uma divisão para atuar nessa área”, disse, referindo-se ao grupo internacional controlador de sua empresa.

Além disso, prosseguiu o diretor da Anion MacDermid, há tendência de expansão no segmento da galvanização a fogo: processo de zincagem química realizado sem eletrodeposição, adequada a peças com altíssima resistência à corrosão (por exemplo, postes para iluminação de ruas e torres de transmissão de energia). “Essa tecnologia é antiga, mas evoluiu muito, e tem hoje processos com qualidade muito maior”, destacou.

Novas possibilidades – Simulta­nea­mente ao lançamento de novos produtos, os fornecedores da galvanização buscam ampliar seu campo de atuação. A Anion MacDermid obtém quase a metade de sua receita atual com a comercialização dos fluidos para refrigeração das válvulas controladoras dos processos de perfuração e extração de petróleo. “Até três anos atrás, esses fluidos eram importados, mas com o aumento da demanda começamos a produzi-los aqui em 2008”, comentou.

Química e Derivados, Douglas Fortunato de Souza, Itamarati, produtos totalmente isentos de cromo agem com a oxidação das bases metálicas nas quais são aplicados
Fortunato: passivação com a oxidação da base metálica

A indústria petrolífera, aliás, volta a se fortalecer como cliente das empresas do setor. Na Tecnorevest há um trabalho de testes do Ecoseal no processo de redução do atrito dos componentes das tubulações com as quais a Petrobras trabalhará nas camadas do pré-sal (a redução do atrito facilita a separação das peças caso sejam necessários reparos). “O estanho tem característica de baixo coeficiente de atrito, e o uso posterior de um selante confere vida mais longa ao tratamento”, detalhou Sérgio Pereira Jr., gerente de marketing da Tecnorevest.

A Petrobras foi uma das empresas nas quais já foi testada a tecnologia de niobização, aplicação de revestimento à base de óxido de nióbio desenvolvida pelo professor Luiz de Miranda na Coordenadoria de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). Segundo ele, essa tecnologia é ideal para aço submetido a ambientes quimicamente muito agressivos: “O nióbio reage muito pouco com os principais elementos corrosivos encontrados na indústria química, como cloretos, ácidos em geral, álcalis, sulfetos e amônia”, explicou.

De acordo com o professor Luiz de Miranda, a niobização pode ser realizada por pintura ou aspersão térmica, e permite substituir o aço inoxidável por aço comum, com vantagens em custo e simplicidade operacional. Tal tecnologia foi patenteada pela UFRJ, e sua comercialização concedida a uma empresa criada por ele: a Ecoprotec.

Além da Petrobras, já testaram essa tecnologia empresas como a Fábrica Carioca de Catalisadores, cujos meios são muito corrosivos, e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, produtora do próprio nióbio na cidade mineira de Araxá. “Na França, a Saint Gobain está testando a produção dos equipamentos necessários ao processo”, disse o professor.

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