Tratamento de Superfície – Galvanoplastia perde espaço para processos alternativos

No atendimento dessa demanda, ganham espaço as ligas de zinco, especialmente a associação entre zinco e níquel. “Essa é uma solução hoje muito importante, para a indústria automobilística especialmente em aplicações submetidas a altas temperaturas, mas que não podem de forma alguma se oxidar. Quando era aplicado apenas zinco, era preciso formar uma camada quatro ou cinco vezes mais espessa”, comparou Bombonati.

Além de se preocupar com as demandas das montadoras, os fornecedores da galvanoplastia buscam soluções menos danosas ao meio ambiente. A Atotech trabalha na substituição, em suas formulações, de substâncias como o ácido bórico, hoje questionado na União Europeia. Outro insumo controvertido, o nonilfenol, presente nos desengraxantes, começa a ser substituído por tensoativos como os álcoois etoxilados. “No Brasil não há uma lei relativa a esse tema, e aqui o nonilfenol ainda é muito usado, mas na Europa ele está sendo substituído em larga escala”, afirmou o gerente da Atotech. Há também, ele complementou, crescente abandono do cianeto nos processos de zincagem: “As montadoras praticamente exigem processos de zinco sem cianeto.”

Química e Derivados, Maurício Furukawa Bombonati, GMF (General Metal Finishing) / Atotech, processos antigos com camadas mais finas de zinco
Furukawa: camadas mais finas mas com mesma resistência

É possível eliminar o cianeto também na aplicação de cobre, afirmou José Carlos D’Amaro, diretor de plating da Tecnorevest. Segundo ele, ainda é muito comum o uso de cobre cianídrico em processos como a cromação de Zamak – liga muito utilizada na fabricação de itens como adornos e fechaduras –, mas há mais de dez anos a Tecnorevest disponibiliza uma solução de cobre isenta de cianeto. O primeiro cliente desse produto foi a fabricante de autopeças Valeo, mas hoje ele é usado também pela Bosch e outras grandes empresas. “Temos também um cliente começando a operar banho de latão isento de cianeto, algo antes inexistente no mercado”, acrescentou D’Amaro.

Segundo ele, à primeira vista, os processos com cianeto podem parecer mais simples e mais baratos, porque essa substância também tem função de limpeza e ajuda a corrigir possíveis falhas na preparação das peças. Analisado como um todo, esse processo é antieconômico: “A limpeza posterior dos efluentes exige a utilização de 43 quilos de solução de 10% hipoclorito de sódio para neutralizar um único quilo de cianeto, e isso torna o processo mais caro”, explicou. “Cianeto hoje não entra em nenhum processo da fábrica da Tecnorevest.”

A questão dos custos – Assim como o cianeto, o cromo hexavalente é insumo do qual a galvanoplastia quer distância (embora o utilize ainda em larga escala). Em todo o mundo, como explicou a pesquisadora Zehbour Panossian, chefe do Laboratório de Corrosão e Tratamento de Superfície do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), pesquisas buscam alternativas para essa substância reconhecidamente cancerígena, especialmente para seu uso na cromatização (etapa posterior à zincagem, realizada via imersão em sais de cromo), na qual são feitas peças cujo manuseio pode colocar as pessoas em contato direto com o cromo hexavalente.

Química e Derivados, José Carlos D’Amaro, Tecnorevest, eliminar o cianeto também na aplicação de cobre
D’Amaro aposta na deposição de cobre sem o cianeto

Para Zehbour, o uso ainda intenso desse cromo em processos de cromatização ocorre por ser essa tecnologia excelente na proteção contra a corrosão, e de fácil uso, pois é realizada em uma única etapa. “Apenas empresas muito focadas em processos ambientalmente saudáveis já usam possibilidades alternativas, por exemplo, o cromo trivalente, que não é cancerígeno, mas exige a aplicação posterior de um verniz”, explicou a pesquisadora.

Segundo ela, o próprio IPT já desenvolveu, há quase dois anos, um banho que no processo de cobreação substitui o cianeto por uma molécula orgânica derivada do ácido fosfônico. “Acho que alternativas desse gênero só serão efetivamente aproveitadas quando a legislação assim exigir”, ponderou Zehbour.

Na indústria automobilística, disse José Carlos D’Amaro, da Tecnorevest, o cromo trivalente praticamente extinguiu o hexavalente, antes prevalente na etapa da passivação (realizada posteriormente à zincagem das peças, para a proteção dessa primeira camada). “Há porém estudos para passivações totalmente isentas de cromo, e isso brevemente chegará ao mercado”, afirmou.

Os mais prováveis produtos totalmente isentos de cromo agem com a oxidação das bases metálicas nas quais são aplicados, informou Douglas Fortunato de Souza, diretor comercial da Itamarati e coordenador do próximo Encontro e Exposição Brasileira de Tratamento de Superfície (Ebrats), programado para 2012. “O uso desses cromatizantes ainda está apenas no começo, pois é preciso estudar melhor alguns itens. Primeiramente, se os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) serão eficazes na retenção dessas substâncias”, salientou.

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