Tratamento de Superfície: Apelo ecológico predomina nos novos produtos

Conforme Gama, há muitas aplicações para a fosfatização na indústria moveleira, em linha branca e em quase todos os eletrodomésticos com partes metálicas. A mola propulsora do segmento, entretanto, é a indústria automobilística (como para grande parte das empresas de tratamento de superfície). A evolução tecnológica do segmento também está fortemente atrelada às exigências das montadoras. Antes, a pintura era feita exclusivamente sobre aço-carbono, e eram utilizados fosfatos de zinco e níquel no tratamento.

O advento das chapas galvanizadas com zinco obrigou a indústria de fosfatização a desenvolver os fosfatos tricatiônicos (fosfato de zinco, níquel e manganês, o estado da arte nessa indústria), e já são pintadas chapas que, além de galvanizadas, já saem das usinas pré-fosfatizadas. “Isso requer adaptações do fosfato e do desengraxante que, se não for adequado, ataca o fosfato pré-depositado”, explica Gama. Com a multiplicação dos materiais utilizados na construção dos veículos (alumínio, plástico, magnésio), também aumentam as preocupações da indústria de fosfatização, que precisa desenvolver produtos compatíveis com todos eles.

Outro grande desafio, como não poderia deixar de ser, é a questão ambiental. “A grande preocupação é com o consumo de água”, alerta Gama. Os desengraxantes preocupam, e na Europa já são exigidos tensoativos biodegradáveis, e mesmo no Brasil já há movimentos nesse sentido. O óleo retirado durante o desengraxe também é motivo de preocupação. Utilizando-se tensoativos biodegradáveis e retirando-se dos efluentes o óleo, resta apenas neutralizar o pH da solução resultante. A fosfatização também gera resíduo, uma borra com fosfatos, zinco, ferro, níquel e manganês, o que significa dizer que a água de enxágue do fosfato também está contaminada com metais pesados (níquel, zinco e manganês), e precisa ser tratada em estações de tratamento de efluentes.

Galvanoplastia, possessão chinesa?

Uma das opiniões unânimes entre os fornecedores de produtos químicos para a galvanoplastia é o avanço agressivo da China no mercado mundial, cujos reflexos já podem ser sentidos, em maior ou menor escala, no Brasil. Moraes, da Atotech, diz não ter sentido reflexos profundos no mercado brasileiro, mas sob a perspectiva da Atotech como grupo mundial, a migração para a Ásia tem sido “absurda”. Presente no País há cerca de oito anos, a empresa teve quedas nas vendas dos mercados dos EUA e Europa amplamente superadas pelo desempenho na China.

Sarabia, da Labrits, ao contrário, culpa o boom chinês pelo quase banimento da linha decorativa do mundo – “tudo está sendo feito em solo chinês”. Clientes importantes, como fabricantes tradicionais de bicicletas (como Monark e Caloi) sumiram, ao passo que no país asiático, diz o diretor, há cidade com 1.200 produtores de componentes de bicicletas, cada um com sua própria galvânica automatizada. “De 1990 para cá, a redução de vendas em nosso segmento foi gigantesca”.

Carlos Filho, da Umicore, engrossa o coro. “Na área de eletroeletrônicos, as placas de computador, os contatos e outros componentes vêm todos da Ásia já tratados. O mercado técnico perdeu muito para a Ásia, principalmente o de placas de circuitos impressos”, confirma.

O que realmente preocupa os brasileiros, entretanto, é a crescente melhora do nível tecnológico dos produtos chineses, diferentemente de alguns anos atrás quando o Made in China era quase um selo de identificação de trambolhos. Para piorar, os chineses não são conhecidos por pagar royalties ou respeitar patentes e segredos industriais. Some-se a isso a necessidade de importação de boa parte dos insumos e a carga tributária exorbitante, e se torna muito clara a preocupação que insiste em incomodar o mercado brasileiro.

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