Tratamento de Superfície: Apelo ecológico predomina nos novos produtos

Completam a linha ecológica os desengraxantes recicláveis com tensoativos biodegradáveis. Esses tensoativos demulsificam o óleo em etapas de processo posteriores ao engraxamento, de modo que, separado o óleo, é possível reciclar-se mais de 90% do desengraxante. “A Surtec tem esse foco de procurar materiais menos agressivos ao meio ambiente”, diz Spinelli.

Química e Derivados: Superfície: Spinelli - Sn e Ni dão provas de estagnação. ©QD Foto - Cuca Jorge
Spinelli – Sn e Ni dão provas de estagnação.

Na linha de processos eletrolíticos, a Surtec oferece banhos de zinco, níquel, cobre (alcalino e ácido), cromo e estanho. Mesmo detendo 60% do mercado de zinco isento de cianeto em São Paulo, a empresa ainda vende pequena quantidade de zinco cianídrico. Embora o uso do cianeto tenha custo ambiental elevado, banhos com cianetos são mais robustos, pois o cianeto é capaz de limpar sujeiras que não saíram na etapa de desengraxamento. Por isso, algumas galvânicas pouco engajadas chegam até a usar excesso do produto nos banhos eletrolíticos.

Mercado parado – Uma das características mais marcantes da atividade de tratamento de superfície é a grande dificuldade para se fazer crescer o mercado, tanto porque é raro o surgimento de grandes novidades, quanto pela dificuldade em descobrir novas aplicações para as tecnologias já existentes.

Alguns mercados em baixa, no entanto, parecem ter recarregado suas baterias. Para Amaral, da Tecnorevest, o mercado de cromação, em baixa durante muito tempo, parece ter se fortalecido nos últimos anos, principalmente se for lido o termômetro das grandes feiras internacionais.

Cromar sempre foi mais caro que zincar, e o processo também é tecnicamente mais desafiador. A pintura também roubou do cromo parte das vendas. Pára-choques de automóveis era cromados, mas hoje são feitos com plásticos pintados. “Mas mesmo em peças de carros nós temos recebido muitas consultas acerca da cromação”, atesta Amaral. O motivo do revival, para ele, é estético: “O acabamento cromado é mais bonito que a pintura”, opina. Moraes, da Atotech, concorda: “O cromado ainda é muito atrativo esteticamente, principalmente ma indústria moveleira, de motocicletas e de automóveis”.

Para driblar o mercado até certo ponto engessado e com um tamanho muito menor que seu faturamento mundial, superior a 500 milhões de euros, a Atotech aposta no package approach, isto é, buscar vender sempre um equipamento associado aos produtos químicos para uniformizar as operações. A presença da empresa no mercado nacional, se justifica mais por razões estratégicas do que pelo volume de compras. Segundo Moraes, as operações de galvanoplastia se caracterizam por oscilações de desempenho (assim como diversos outros processos produtivos): os banhos começam a funcionar com um alto desempenho, que diminui à medida que se reduzem os teores de sais e metais nos banhos e os aditivos se desgastam. O banho também começa a sofrer os efeitos de contaminação e, em certo ponto do baixo desempenho, são feitos reforços que novamente aumentam o desempenho. Esse comportamento é cíclico e, se plotado em um gráfico desempenho x tempo, assume uma forma característica denominado por vezes “dente de serra”, ou “dente de tubarão”.

Com a ajuda dos equipamentos, o objetivo da Atotech é realizar a operação sempre tão próxima quanto possível de seu ponto de desempenho ótimo. Entre esses equipamentos, a empresa disponibiliza sistemas de dosagem; equipamentos para cromo trivalente que retiram as contaminações metálicas sem a adição de purificadores ao banho; equipamentos de troca iônica para banhos de níquel que multiplicam sua vida útil por cem vezes (mantendo as condições de operação uniformes); e equipamentos para a remoção das contaminações orgânicas dos banhos eletrolíticos (resíduos de desengraxante e resíduos dos próprios aditivos, cadeias orgânicas que só têm efeito enquanto longas, mas que tendem a se quebrar. Quebradas, essas cadeias se tornam contaminantes do processo)

Um dos aspectos em que houve maior evolução, de acordo com Sarabia, da Labrits, foi no incremento da resistência à corrosão, principalmente nas aplicações técnicas (as decorativas também representam importante filão para a grande parte das galvânicas). Nos testes de corrosão acelerada, usados para controlar a qualidade dos tratamentos de superfície, a resistência passou de cerca de 144 para mil horas, atualmente. Outro ponto chave foi a influência da indústria de automóveis. Quando se iniciou a utilização de robôs para apertarem elementos de fixação, foi necessário incorporar elementos que garantissem resistência ao torque. “A margem de erro é de apenas trinta parafusos por milhão. A necessidade de adequação a esse padrão tirou muitas galvânicas amadoras do mercado”, afirmou Sarabia.

O diretor também aposta na possibilidade de mudanças nas linhas decorativas, como a substituição de algumas ligas de níquel e cromo por níquel e estanho. Como recebem menos investimentos em pesquisa, no entanto, essas linhas têm ainda menor chance de apresentar novidades que as técnicas.

Nas linhas técnicas, quem concentra as novidades são os banhos de zinco – embora a principal delas, a ausência de cianetos, tenha surgido há vinte anos. “Em estanho e níquel quase não surgem novidades. Em níquel, o máximo que existe é um níquel mais branco”, confirma Spinelli, da Surtec.

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