Tratamento de Superfície: Apelo ecológico predomina nos novos produtos

Química e Derivados: Superfície: Moraes - equipamentos podem ser saída para o marasmo. ©QD Foto - Cuca Jorge
Moraes – equipamentos podem ser saída para o marasmo.

O foco da atuação da Atotech no País são as especialidades em produtos químicos para banhos, embora também forneçam cobre e níquel químicos e produtos para os fabricantes de cartões telefônicos. A fabricação dos cartões tem sua etapa de deposição eletrolítica, e segundo Moraes, é mercado que já impulsionou muito as vendas da empresa no Brasil.

Na atualidade, no entanto, o principal mercado é o de galvanoplastia de acabamento em geral (general metal finishing ou GMF), em que fornecem abrilhantadores, niveladores, umectantes e outros produtos que funcionam como aditivos de processo para refinar os grãos depositados e possibilitar uma cobertura de maior qualidade. Sem o uso dos aditivos, grande parte dos depósitos eletrolíticos teria aspecto rugoso e fosco.

O segmento de motocicletas é um importante cliente nas linhas de níquel e cromo. Já na área de eletrônica, que divide (a grosso modo) com a GMF o faturamento da Atotech, os cartões telefônicos e os circuitos impressos dominam os pedidos. Nos circuitos, é feita inicialmente a deposição de paládio (pois a superfície não é condutora), seguida de uma camada de cobre química e de outra de cobre eletrolítico.

Passivação – As passivações, processos cujo objetivo também é tornar superfícies metálicas mais resistentes à corrosão, também foram influenciadas pelas preocupações com o meio ambiente (ou com as pesadas multas impostas aos infratores das leis ambientais). A Labrits Química, de São Paulo, oferece produtos de passivação isentos de cromo hexa ou trivalente.

Química e Derivados: Superfície: Automação modificou galvânicas , diz Sarabia. ©QD Foto - Cuca Jorge
Automação modificou galvânicas , diz Sarabia.

Conforme disse Jeronimo Carollo Sarabia, diretor industrial da empresa, o produto da Labrits é composto por selantes orgânicos com três camadas: uma de zinco, outra de selante e uma terceira com 22% de alumínio. “Desde 2002, a indústria automobilística deve respeitar o limite de 2 g de cromo por veículo, e a partir de 2007 a isenção de cromo deve ser total”, afirma Sarabia. Também deverão estar banidos, até lá, outros vilões famosos como o asbestos, o amianto, o chumbo e o cádmio.

O carro-chefe da Labrits, entretanto, são as ligas de zinco (zinco-ferro, zinco-níquel e zinco-cobalto) com alta resistência à corrosão e as tintas organometálicas da marca Zyntec (da representada Sidasa Units Coating Group), revestimentos com alto teor de zinco e alumínio (68% de fração de sólidos, pois a quantidade de metal a ser depositada é grande) e resistência muito superior ao zinco eletrolítico. O processo, segundo Sarabia, contorna um grave problema da deposição eletrolítica: a oclusão (fragilização da camada de proteção) por hidrogênio. “Nas grandes montadoras de automóveis, todos os elementos de fixação importantes devem ser revestidos com organometálicos”, diz Sarabia.

A Labrits também está introduzindo revestimentos anticorrosivos de cura por UV. Quem adota o processo se livra dos grandes fornos de cura por calor, que passa a ser feita por lâmpadas. Além disso, a tinta oligomérica, bicomponente, é curada com emissão nula de voláteis, característica que torna a tecnologia mais limpa.

O principal filão da Labrits são as aplicações decorativas, como na caso de deposições de níquel em metais sanitários. A indústria moveleira também responde por importante fatia do faturamento com aplicações decorativas. Na família das aplicações técnicas, têm destaque os depósitos de cromo “duro”, assim chamado por tratar-se de camadas com 80 a 100 mícrons do metal, depositadas em alta velocidades, na presença de catalisadores, e com alta densidade de corrente elétrica. O processo torna a camada bastante dura, com grande resistência à abrasão, característica que interessa particularmente a fabricantes de cilindros hidráulicos e autopeças como pontas de eixo.

Outra multinacional com foco distante das commodities é a alemã Surtec, de São Bernardo do Campo-SP, fabricante de produtos para a decapagem, limpeza e desengraxe, remoção de tintas, proteção à corrosão e produtos de eletrodeposição. A Surtec é a dona da patente mundial dos produtos de passivação à base de cromatos trivalentes, aplicados geralmente em superfícies zincadas, com resultados de resistência à corrosão melhores que os dos produtos à base de cromo hexavalente disponíveis no mercado. A filial brasileira, segundo seu diretor técnico Domingos Spinelli, desenvolveu processo de fabricação do produto, eficiente a ponto de permitir a produção com melhor qualidade e em maior escala, e portanto, com melhor preço. O feito possibilitou a exportação para China e EUA, e, mais recentemente, para a Colômbia. Nesse mercado em que é tão difícil descobrir novas aplicações, a Surtec também está introduzindo cromatos trivalentes para o uso em peças de fuselagem de aeronaves, algo bastante novo no País.

Ao lado dos cromatos trivalentes, a empresa tem mais duas linhas de produtos para atender a requisitos ambientais mais estreitos. Mais que um simples banho de zinco isento de cianetos, a Surtec oferece um processo completo, em que são utilizados eletrodos inertes catalisados dissolvidos em uma câmara (o operador é responsável por alimentar o banho com zincato de sódio), combinados a um gerador automático de zinco no banho e um controle rigoroso das grandezas voltométricas do processo, de modo a manter a operação no ponto ótimo, com as flutuações totalmente atenuadas. Este conceito integrado já foi instalado em duas grandes empresas no Brasil, e pode possibilitar à Surtec tornar-se fornecedora também da matriz de uma dessas empresas.

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