Química

Tratamento de Resíduos – Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas

Marcelo Furtado
15 de março de 2010
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    Química e Derivados, Edmundo Ramos, gerente-geral da Resotec, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas

    Ramos: Minas Gerais facilitou operação do coprocessamento

    Minas libera – Em média, do total aproximado de 8 milhões de toneladas de resíduos industriais processados no país, 14% segue para fornos de cimento, 78% para aterros e o 6% restante é dividido entre incineração e outros tratamentos térmicos e tratamentos biológicos. A participação do coprocessamento deve crescer mais, em comparação com as outras técnicas, tendo em vista a grande produção local de cimento. Conta a favor, além da ação agressiva da maior parte dos competidores e da demanda favorável, com algumas mudanças na estrutura burocrático-fiscalizatória no estado de Minas Gerais, onde há o maior número de cimenteiras.

    Essa mudança no estado mineiro é importante porque era ali onde a relação oficial com o coprocessamento tinha ares mais conturbados. Isso porque vale em Minas até hoje a necessidade de se tirar licença ambiental para cada operação de coprocessamento, o que obviamente retardava em muito a comercialização da tecnologia. “Para cada novo contrato, precisávamos entrar na fila das licenças de operação gerais do estado, como se fôssemos fazer um novo empreendimento”, explicou Edmundo Ramos, o gerente-geral da Resotec, empresa de gerenciamento de resíduos do grupo cimenteiro suíço Holcim, com vários fornos em operação em Minas Gerais.

    Embora o conceito de licenciamento ainda não tenha sido revogado com nova lei, um processo de descentralização das licenças deu agilidade ao estado. “Agora os pedidos não precisam ir todos para análise em Belo Horizonte, o que demorava e encarecia os processos, tornando inviáveis muitas operações”, disse Ramos. Com a mudança sutil, as licenças são analisadas e concedidas pelas diversas regionais onde cada pedido da cimenteira ou da operadora é feito. “Isso nos deu muito mais competitividade, o processo ficou rápido”, completou. A Resotec tem centrais de blendagem integradas com fornos licenciados em Pedro Leopoldo e Barroso, em Minas Gerais, além de outra em Cantagalo, no Rio de Janeiro, onde também possui forno.

    A situação em Minas, segundo Ramos, deve melhorar ainda mais. Isso porque foi formado grupo de estudo com integrantes da indústria, do governo e da pesquisa para reformular a legislação ambiental, o que deve incluir mudanças na forma de concessão de licenciamento. “Minas Gerais é o único lugar com essa exigência”, disse. Para o gerente, aliás, o Brasil deveria explorar melhor os mais de 40 fornos de cimento em operação. Na Europa, diz, 40% dos resíduos têm esse destino e até mesmo resíduos organoclorados são processados junto com o cimento. “Para tornar a operação segura, basta fazer dutos de passagem nas câmaras de combustão dos fornos para coletar o cloro em forma de pó. Tanto é assim que países altamente exigentes, como Noruega e Suécia, destroem organoclorados em fornos de cimento”, afirmou Ramos. Para o Brasil, seria muito proveitosa a permissão – caso a resolução Conama 264 fosse revista –, visto a quantidade de resíduos de pesticidas gerados pela agricultura nacional.

    Química e Derivados, Fabrício Montoro, gerente-comercial da Resotec, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas

    Montoro: negócios com petróleo e também com a siderurgia

    Clientes muito importantes para a Resotec são as refinarias da Petrobras. A empresa venceu muitas concorrências para gerenciar solos contaminados e resíduos perigosos da estatal com foco no coprocessamento. Áreas de landfarming e aterros antigos contaminados com hidrocarbonetos fazem parte desses serviços, que incluem ainda a parte documental, logística e a reciclagem de embalagens. “Mantemos funcionários full-time nas refinarias para gerenciar a operação”, afirmou o gerente-comercial da Resotec, Fabrício Montoro.

    Além das refinarias, Montoro chama a atenção para os negócios com a siderurgia, com alta demanda para tratamento de resíduos. Também conta como importante na operação atual o fato de a unidade de Cantagalo estar preparada para condicionar aos fornos resíduos líquidos com baixo ponto de fulgor, inflamáveis, “É a única cimenteira capaz de receber esses solventes”, disse o gerente-comercial. Para garantir essa operação, os cuidados começam com o transporte e culminam com a tubulação de alimentação do forno, que precisa ter sistema antifagulha. Além desse investimento, desde 2007 a Resotec desembolsou R$ 10 milhões para modernizar todas as suas unidades de blendagem. Sinal de que vale a pena investir em meio ambiente.



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