Química

Tratamento de Resíduos – Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas

Marcelo Furtado
15 de março de 2010
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    Química e Derivados, Breno Palma, presidente da Resicontrol, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas

    Palma: nova sociedade dá fôlego para ampliar oferta de tratamento

    Integrados – No mercado de gerenciamento de resíduos, a diversidade de ofertas é fundamental para a competitividade. Dificilmente apenas uma tecnologia pode ser considerada a ideal para a destinação. E isso vale sobretudo para as soluções térmicas, nem sempre as de melhor custo em um país em que ainda há muita disponibilidade de área para aterros. Tanto é assim que os principais competidores procuram ter portfólio de tecnologias o máximo diversificado, a exemplo da Essencis, da Haztec e, mais recentemente, da Resicontrol.

    A Resicontrol é fruto da junção de ativos de dois grupos do segmento de resíduos feita em 2009. Mais precisamente no dia 13 de outubro do ano passado uma negociação comercial uniu duas unidades até então do grupo francês Veolia – a central de blendagem de resíduos para coprocessamento Resicontrol, de Sorocaba-SP, e o aterro Sasa, de Tremembé-SP – com três unidades do grupo nacional Estre Ambiental – Estre Biorremediação, de Paulínia-SP, uma central de armazenagem, estocagem e de atendimento a emergências em Americana-SP e uma outra unidade de blendagem de resíduos em Balsa Nova-PR.

    A fusão criou uma sociedade meio a meio entre a Estre Ambiental (que mantém independente da negociação a operação de mais quatro aterros) e a AG Angra, gestora de fundos de investimentos com foco no setor de infraestrutura, formando uma empresa com receita aproximada de R$ 130 milhões. Segundo o presidente da Resicontrol, Breno Palma, a nova estrutura faz com que o grupo se concentre no setor industrial, deixando a Estre Ambiental encarregada de seu foco em resíduos urbanos.

    Os planos de investimentos da Resicontrol, agora capitalizada pelo fundo que conta com a participação da construtora Andrade Gutierrez, devem em breve reforçar as ofertas de destinação de resíduos industriais. “A nova estrutura com certeza não se limitará às atuais cinco unidades”, afirmou Palma. Para se ter uma ideia, além das necessidades potenciais do mercado, a própria ocupação dos ativos atuais já dá mostras do que deve vir pela frente. O moderno aterro Sasa, de Tremembé, por exemplo, além de contar com ampla área de resíduos urbanos e industriais classe 2, conta com célula para resíduos classe 1 que já está com 60% de ocupação. Essa célula, com capacidade para aterrar 350 mil m3 de resíduos perigosos, era na época de sua entrada em operação em dezembro de 2000 prevista para durar 25 anos. Mas, pelo andar da carruagem, esse prazo deve acabar bem antes.

    Química e Derivados, Mercado de tratamento de resíduos industriais, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas

    Volume médio processado: 8 milhões de t. em 2009

    Na área de coprocessamento de resíduos, o bom desempenho desse mercado já de início é suportado pela nova unidade de blendagem de resíduos sólidos industriais de Balsa Nova, na região metropolitana de Curitiba-PR, considerada por Breno Palma como de concepção ultramoderna. “É uma central que cria um produto homogêneo para o forno de cimento e não apenas uma mistura de resíduos”, disse. Isso faz com que a Resicontrol também consiga elevar um pouco o preço do seu produto final. A unidade de Balsa Nova, em seu primeiro ano de operação, pretende atingir a produção de 50 mil t/ano e já foi projetada para dobrar sua capacidade com o aumento da demanda.

    A unidade de Sorocaba-SP, fundada em 1996 e a primeira do Brasil, também entra na esteira dos novos investimentos da Resicontrol. Em 2010, sua capacidade deve ser aumentada em 50%, chegando a 100 mil t/ano de resíduos encaminhados para o único forno de cimento licenciado para receber resíduos no estado de São Paulo, o da Companhia de Cimento Ribeirão Grande (CCRG), em cidade homônima e de propriedade da Cimentos Tupi. Na unidade de Sorocaba, cerca de 40% dos resíduos são líquidos com alto poder calorífico (alto teor de solventes), com mais de 3 mil PCI.

    Além da aposta no coprocessamento, a Resicontrol não descarta investir em outras opções térmicas de tratamento de resíduos. Uma iniciativa certa de ocorrer é a entrada no ramo da dessorção térmica, projeto que complementará os vários serviços que a empresa presta para a Petrobras por meio da sua central de biorremediação em Paulínia (onde em um galpão com ambiente controlado cerca de 350 mil t/ano de solo contaminado são remediadas biologicamente e depois utilizadas como cobertura de aterro classe 2 da Estre). “Já estamos estudando a compra dos equipamentos”, disse Palma.

    A outra vertente em estudo é a da incineração, projeto que quando ocorrer deve se basear na mesma análise dos outros competidores. Precisará ser um sistema de grande escala e com recuperação de energia, segundo revelou Breno Palma. Para a Resicontrol, a alternativa seria para atender a uma única demanda ainda não coberta pelas soluções do grupo: a de tratamento de resíduos organoclorados, normalmente incinerados. “Essa possibilidade é algo que levamos a sério para o futuro”, completou o dirigente.



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