Tratamento de Resíduos: Tecnologias sofrem com a concorrência

Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas

Destruir de forma definitiva resíduos é por si só o melhor argumento a favor das tecnologias térmicas.

Mas apenas a vantagem competitiva não é suficiente para que sistemas como coprocessamento em fornos de cimento e incineradores desafiem de forma mais incisiva a principal tecnologia concorrente, os aterros, ainda hegemônicos no Brasil, para onde cerca de 80% dos resíduos industriais são destinados.

E a questão aí não é técnica, mas econômica.

Apesar de as tecnologias “piromaníacas”, principalmente o coprocessamento, terem uso em rota de crescimento, o custo baixo da destinação em aterros e ainda a falta de exigências legais que obriguem a destruição total do resíduo são os limitantes importantes para a expansão do mercado.

Isso é um entendimento de praticamente todos os competidores que, apesar disso, também acreditam no aumento da demanda no médio prazo.

Não por acaso, há muitas empresas da área anunciando planos de expansões e de novas unidades, todas elas confiantes no breve incremento na carteira de clientes.

Química e Derivados, incinerador da Haztec, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas
O incinerador da Haztec em Belford Roxo: ampliação

“A minha percepção é a de que o Brasil poderia incinerar mais resíduos industriais. E acredito ser uma questão de tempo para muitos rejeitos que hoje seguem para aterros passarem a ir para incineradores”, disse o diretor da unidade de transformação de resíduos da Haztec, Ricardo Silveira.

Com incinerador em Belford Roxo-RJ, no site da Bayer e adquirido há cerca de dois anos da Tribel, a empresa está em fase de escolha de fornecedor para compra de pacote tecnológico que ampliará a capacidade de destruição do seu incinerador de 7 mil t/ano para 10 mil t/ano. “Estamos para escolher entre uma empresa suíça e outra alemã”, afirmou Silveira.

Segundo o diretor, para possibilitar a ampliação o fornecedor fará melhorias na queima, aperfeiçoando a oxidação, e principalmente reforçará o controle de emissões atmosféricas, com o uso de novos equipamentos. Essa última etapa do projeto, para Silveira, é a mais importante.

Química e Derivados, Ricardo Silveira, diretor da unidade de transformação de resíduos da Haztec, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas
Silveira quer adequar emissões de dioxinas ao padrão

“Para ter upgrade na capacidade, precisamos garantir o controle na chaminé”, disse. Isso significa também uma meta interna do grupo Haztec de seguir o padrão europeu de emissões de dioxinas.

Com o retrofitting do incinerador, a ideia é ultrapassar o limite da exigência nacional – de 0,5 nanograma/Nm3, da resolução Conama 316 – e preparar o equipamento para atender ao rigoroso padrão da Comunidade Europeia para dioxinas, de 0,1 nanograma/Nm3.

Atualmente, o sistema de controle em Belford Roxo já é bastante complexo. Ele se inicia com a câmara de pós-combustão, que opera acima de 1.200ºC, logo depois do forno rotativo primário (que chega a 1.000ºC) e é acionada quando há destruição de resíduos muito perigosos como os PCBs (bifenila policlorada, o ascarel, óleo de transformador elétrico).

Depois, há o quencher a seco (com vapor de água), que provoca resfriamento brusco dos gases para evitar a formação de dioxinas (formadas em duas zonas indesejáveis, de 275ºC a 450ºC e de 400ºC a 600ºC).

A sequência do controle inclui dois ciclones para remoção de particulados, lavagem ácida e alcalina e um lavador Venturi para remoção das últimas partículas.

Com as melhorias no controle de emissões e de oxidação, a Haztec espera pelo menos diminuir o gap com os equipamentos similares existentes na Europa. De acordo com Ricardo Silveira, não há no velho continente incinerador com capacidade inferior a 40 mil t/ano.

Além de, com isso, atenderem a uma demanda muito maior de resíduos (onde por sinal há restrições para destinação em aterros), essa média de tamanho proporciona ganhos de escala que reduzem bastante o preço da destinação, o que não ocorre no Brasil, onde todos os sete incineradores em operação são pequenos. Isso sem falar que os incineradores europeus contam com sistemas de recuperação de energia, o que diminui ainda mais o custo operacional.

Não por acaso, paralelo ao projeto de ampliação, a Haztec também encomendou estudo para avaliar a possibilidade de recuperar energia do incinerador, o que poderá ser incluído no projeto previsto para ser iniciado no decorrer de 2010.

Na estimativa de Silveira, a ampliação deve envolver um investimento em torno de 2 milhões de euros e faz parte de um forte plano de crescimento da Haztec, grupo que nos últimos anos adquiriu várias empresas da área de meio ambiente e que pretende se firmar como uma das líderes em soluções integradas para a indústria e para o setor público de saneamento e resíduos.

No forno de cimento – No propósito de ter várias soluções para destinação, a Haztec conta ainda com outras tecnologias, como o coprocessamento de resíduos em fornos de cimento e aterro industrial.

No primeiro caso, de acordo com Silveira, a operação conta com interação estreita com a unidade de incineração. Isso se torna necessário na hora de decidir o destino de cada resíduo.

Para o incinerador, processo mais caro de destruição, mas onde há o maior controle e garantia para resíduos perigosos, as aplicações mais comuns são organoclorados, PCBs e pesticidas.

Com preços que começam a partir dos R$ 1.000 por tonelada, a incineração no Brasil só se justifica nos casos em que não há outra alternativa, como nos exemplos citados.

Nos fornos de cimento, apesar da vantagem de não gerar cinza como no incinerador e ser mais barato (preço médio de R$ 150 a R$ 250 por t, podendo em alguns casos chegar a R$ 800), há limitações ao cloro, prejudicial ao refratário do forno e à matéria-prima calcário.

Nesse sentido, as cimenteiras normalmente recebem resíduos com baixíssimo teor de cloro, que são preparados em unidades dedicadas para se adequar ao forno como combustível ou substituto de matéria-prima.

A Haztec conta com central de preparação de blendas (misturas) de resíduos para fornos de cimento em Magé, no estado do Rio de Janeiro, que destina cerca de 4 mil toneladas/mês de resíduos com poder calorífico para substituição energética e 10 mil t/mês sem poder calorífico para uso como matéria-prima, ambos volumes para fornos da região das cimenteiras Holcim e Lafarge.

Essas áreas também são objeto de investimento da Haztec, em projetos em fase de licenciamento. O coprocessamento contará com nova unidade de blendagem na Bahia e um novo aterro industrial classe 1 no Rio está para receber licença ambiental para, em outras aplicações, receber a cinza do incinerador de Belford Roxo, visto que hoje esse volume, correspondente a 15% dos resíduos incinerados, vai para o aterro de propriedade da Bayer no mesmo sítio industrial.

Química e Derivados, Dessorção térmica, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas
Dessorção térmica no aterro de Caieiras atende Petrobras

Atentos para investir – A outra empresa com perfil integrado de gerenciamento de resíduos e cujo portfólio inclui soluções térmicas, a Essencis, também confessa estar atenta à breve necessidade de aumento de oferta.

De acordo com o gerente de desenvolvimento e inovação tecnológica, Fabiano de Souza, a empresa tem pesquisado por todo o mundo opções para incineração com recuperação de energia.

E ainda não fez um investimento desse tipo, o que incrementaria a sua atual capacidade de incineração da unidade de Taboão da Serra-SP (7 mil t/ano), porque na sua avaliação  “a conta ainda não fecha”.

“Aterro ainda é muito mais barato”, afirmou Souza. E isso tanto ao se pensar em resíduo industrial como no domiciliar, tendo em vista que a Essencis atua nas duas áreas e tem grande aterro em Caieiras-SP, que recebe boa parte do lixo doméstico de São Paulo e cujo site contempla também aterro classe 1.

Na média apontada pelo gerente, enquanto a disposição do domiciliar gira em torno de R$ 30 por tonelada, a sua incineração sairia por R$ 150. Enquanto um aterro classe 1 recebe por volta de R$ 200 por t de resíduo, o preço da queima parte do valor de R$ 1 mil/t e pode chegar em alguns casos em até R$ 2 mil/t.

Um panorama mais favorável para o uso de incineradores em larga escala seria pensar em grandes unidades como na Europa, onde chegam a existir, em países como a Dinamarca, incineradores para resíduo industrial com capacidade para 220 mil t/ano.

A economia de escala de equipamentos desse porte seria ainda reforçada pelo fato de eles normalmente terem sistemas de recuperação de energia.

Química e Derivados, Fabiano de Souza, gerente de desenvolvimento e inovação tecnológica, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas
Souza estuda novos investimentos em incineração com energia recuperada

“Só para se ter uma ideia, 1 t de resíduo incinerado pode gerar até 520 kWh de energia, enquanto o mesmo volume em um aterro, por meio da captação do metano, geraria apenas 20 kWh”, explicou Fabiano de Souza.

Mas mesmo com a vantagem energética, ainda há uma barreira que dificulta o chamado “fechamento da conta” a favor da expansão da incineração. Enquanto no Brasil se paga em média R$ 0,30 pelo kWh de energia, na Europa esse valor sobe para 1 euro.

Essas constatações não significam, porém, que a Essencis não veja como muito possível um investimento em novo incinerador. “Mas com certeza vai ser pelo menos quinze vezes maior do que o atual e precisará agregar recuperação de energia”, disse.

A despeito das possibilidades futuras, porém, a Essencis está com seu incinerador de Taboão da Serra totalmente ocupado, depois de ter passado por uma época de retração que durou até o final do primeiro semestre de 2009, quando chegou a ter 50% de ociosidade.

Além disso, sua unidade de blendagem para coprocessamento em Magé-RJ  mantém a marca de 80 mil t/ano de resíduos para serem enviados a cimenteiras da região. Além disso, a empresa – uma sociedade entre a Camargo Corrêa e o grupo Solvi – conta com duas plantas de dessorção térmica (TDU), uma para 35 t/h, em Caieiras, e outra de 15 t/h, em Betim-MG, as quais destroem solos contaminados com hidrocarbonetos, principalmente para refinarias e terminais da Petrobras e postos de gasolina.

Integrados – No mercado de gerenciamento de resíduos, a diversidade de ofertas é fundamental para a competitividade. Dificilmente apenas uma tecnologia pode ser considerada a ideal para a destinação.

E isso vale sobretudo para as soluções térmicas, nem sempre as de melhor custo em um país em que ainda há muita disponibilidade de área para aterros. Tanto é assim que os principais competidores procuram ter portfólio de tecnologias o máximo diversificado, a exemplo da Essencis, da Haztec e, mais recentemente, da Resicontrol.

A Resicontrol é fruto da junção de ativos de dois grupos do segmento de resíduos feita em 2009. Mais precisamente no dia 13 de outubro do ano passado uma negociação comercial uniu duas unidades até então do grupo francês Veolia – a central de blendagem de resíduos para coprocessamento Resicontrol, de Sorocaba-SP, e o aterro Sasa, de Tremembé-SP – com três unidades do grupo nacional Estre Ambiental – Estre Biorremediação, de Paulínia-SP, uma central de armazenagem, estocagem e de atendimento a emergências em Americana-SP e uma outra unidade de blendagem de resíduos em Balsa Nova-PR.

A fusão criou uma sociedade meio a meio entre a Estre Ambiental (que mantém independente da negociação a operação de mais quatro aterros) e a AG Angra, gestora de fundos de investimentos com foco no setor de infraestrutura, formando uma empresa com receita aproximada de R$ 130 milhões. Segundo o presidente da Resicontrol, Breno Palma, a nova estrutura faz com que o grupo se concentre no setor industrial, deixando a Estre Ambiental encarregada de seu foco em resíduos urbanos.

Os planos de investimentos da Resicontrol, agora capitalizada pelo fundo que conta com a participação da construtora Andrade Gutierrez, devem em breve reforçar as ofertas de destinação de resíduos industriais.

Química e Derivados, Breno Palma, presidente da Resicontrol, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas
Palma: nova sociedade dá fôlego para ampliar oferta de tratamento

“A nova estrutura com certeza não se limitará às atuais cinco unidades”, afirmou Palma.

Para se ter uma ideia, além das necessidades potenciais do mercado, a própria ocupação dos ativos atuais já dá mostras do que deve vir pela frente.

O moderno aterro Sasa, de Tremembé, por exemplo, além de contar com ampla área de resíduos urbanos e industriais classe 2, conta com célula para resíduos classe 1 que já está com 60% de ocupação.

Essa célula, com capacidade para aterrar 350 mil m3 de resíduos perigosos, era na época de sua entrada em operação em dezembro de 2000 prevista para durar 25 anos. Mas, pelo andar da carruagem, esse prazo deve acabar bem antes.

Na área de coprocessamento de resíduos, o bom desempenho desse mercado já de início é suportado pela nova unidade de blendagem de resíduos sólidos industriais de Balsa Nova, na região metropolitana de Curitiba-PR, considerada por Breno Palma como de concepção ultramoderna.

“É uma central que cria um produto homogêneo para o forno de cimento e não apenas uma mistura de resíduos”, disse. Isso faz com que a Resicontrol também consiga elevar um pouco o preço do seu produto final. A unidade de Balsa Nova, em seu primeiro ano de operação, pretende atingir a produção de 50 mil t/ano e já foi projetada para dobrar sua capacidade com o aumento da demanda.

Química e Derivados, Mercado de tratamento de resíduos industriais, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas
Volume médio processado: 8 milhões de t. em 2009

A unidade de Sorocaba-SP, fundada em 1996 e a primeira do Brasil, também entra na esteira dos novos investimentos da Resicontrol. Em 2010, sua capacidade deve ser aumentada em 50%, chegando a 100 mil t/ano de resíduos encaminhados para o único forno de cimento licenciado para receber resíduos no estado de São Paulo, o da Companhia de Cimento Ribeirão Grande (CCRG), em cidade homônima e de propriedade da Cimentos Tupi. Na unidade de Sorocaba, cerca de 40% dos resíduos são líquidos com alto poder calorífico (alto teor de solventes), com mais de 3 mil PCI.

Além da aposta no coprocessamento, a Resicontrol não descarta investir em outras opções térmicas de tratamento de resíduos. Uma iniciativa certa de ocorrer é a entrada no ramo da dessorção térmica, projeto que complementará os vários serviços que a empresa presta para a Petrobras por meio da sua central de biorremediação em Paulínia (onde em um galpão com ambiente controlado cerca de 350 mil t/ano de solo contaminado são remediadas biologicamente e depois utilizadas como cobertura de aterro classe 2 da Estre). “Já estamos estudando a compra dos equipamentos”, disse Palma.

A outra vertente em estudo é a da incineração, projeto que quando ocorrer deve se basear na mesma análise dos outros competidores. Precisará ser um sistema de grande escala e com recuperação de energia, segundo revelou Breno Palma.

Para a Resicontrol, a alternativa seria para atender a uma única demanda ainda não coberta pelas soluções do grupo: a de tratamento de resíduos organoclorados, normalmente incinerados. “Essa possibilidade é algo que levamos a sério para o futuro”, completou o dirigente.

Minas libera – Em média, do total aproximado de 8 milhões de toneladas de resíduos industriais processados no país, 14% segue para fornos de cimento, 78% para aterros e o 6% restante é dividido entre incineração e outros tratamentos térmicos e tratamentos biológicos.

A participação do coprocessamento deve crescer mais, em comparação com as outras técnicas, tendo em vista a grande produção local de cimento. Conta a favor, além da ação agressiva da maior parte dos competidores e da demanda favorável, com algumas mudanças na estrutura burocrático-fiscalizatória no estado de Minas Gerais, onde há o maior número de cimenteiras.

Essa mudança no estado mineiro é importante porque era ali onde a relação oficial com o coprocessamento tinha ares mais conturbados. Isso porque vale em Minas até hoje a necessidade de se tirar licença ambiental para cada operação de coprocessamento, o que obviamente retardava em muito a comercialização da tecnologia.

Química e Derivados, Edmundo Ramos, gerente-geral da Resotec, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas
Ramos: Minas Gerais facilitou operação do coprocessamento

“Para cada novo contrato, precisávamos entrar na fila das licenças de operação gerais do estado, como se fôssemos fazer um novo empreendimento”, explicou Edmundo Ramos, o gerente-geral da Resotec, empresa de gerenciamento de resíduos do grupo cimenteiro suíço Holcim, com vários fornos em operação em Minas Gerais.

Embora o conceito de licenciamento ainda não tenha sido revogado com nova lei, um processo de descentralização das licenças deu agilidade ao estado. “Agora os pedidos não precisam ir todos para análise em Belo Horizonte, o que demorava e encarecia os processos, tornando inviáveis muitas operações”, disse Ramos.

Com a mudança sutil, as licenças são analisadas e concedidas pelas diversas regionais onde cada pedido da cimenteira ou da operadora é feito. “Isso nos deu muito mais competitividade, o processo ficou rápido”, completou. A Resotec tem centrais de blendagem integradas com fornos licenciados em Pedro Leopoldo e Barroso, em Minas Gerais, além de outra em Cantagalo, no Rio de Janeiro, onde também possui forno.

A situação em Minas, segundo Ramos, deve melhorar ainda mais. Isso porque foi formado grupo de estudo com integrantes da indústria, do governo e da pesquisa para reformular a legislação ambiental, o que deve incluir mudanças na forma de concessão de licenciamento.

“Minas Gerais é o único lugar com essa exigência”, disse. Para o gerente, aliás, o Brasil deveria explorar melhor os mais de 40 fornos de cimento em operação. Na Europa, diz, 40% dos resíduos têm esse destino e até mesmo resíduos organoclorados são processados junto com o cimento.

“Para tornar a operação segura, basta fazer dutos de passagem nas câmaras de combustão dos fornos para coletar o cloro em forma de pó. Tanto é assim que países altamente exigentes, como Noruega e Suécia, destroem organoclorados em fornos de cimento”, afirmou Ramos. Para o Brasil, seria muito proveitosa a permissão – caso a resolução Conama 264 fosse revista –, visto a quantidade de resíduos de pesticidas gerados pela agricultura nacional.

Clientes muito importantes para a Resotec são as refinarias da Petrobras. A empresa venceu muitas concorrências para gerenciar solos contaminados e resíduos perigosos da estatal com foco no coprocessamento. Áreas de landfarming e aterros antigos contaminados com hidrocarbonetos fazem parte desses serviços, que incluem ainda a parte documental, logística e a reciclagem de embalagens.

Química e Derivados, Fabrício Montoro, gerente-comercial da Resotec, Tratamento de Resíduos - Tecnologias térmicas para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas têm boas perspectivas
Montoro: negócios com petróleo e também com a siderurgia

“Mantemos funcionários full-time nas refinarias para gerenciar a operação”, afirmou o gerente-comercial da Resotec, Fabrício Montoro.

Além das refinarias, Montoro chama a atenção para os negócios com a siderurgia, com alta demanda para tratamento de resíduos.

Também conta como importante na operação atual o fato de a unidade de Cantagalo estar preparada para condicionar aos fornos resíduos líquidos com baixo ponto de fulgor, inflamáveis,

“É a única cimenteira capaz de receber esses solventes”, disse o gerente-comercial.

Para garantir essa operação, os cuidados começam com o transporte e culminam com a tubulação de alimentação do forno, que precisa ter sistema antifagulha. Além desse investimento, desde 2007 a Resotec desembolsou R$ 10 milhões para modernizar todas as suas unidades de blendagem. Sinal de que vale a pena investir em meio ambiente.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.