Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de efluentes: Vendas em queda na indústria pesada forçam setor a diversificar clientes

Marcelo Furtado
17 de junho de 2013
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    Competição acirrada

    Química e Derivados, Tratamento de efluentes: Vendas em queda na indústria pesada forçam setor a diversificar clientesAntes limitado a alguns poucos e grandes competidores, o mercado de membranas de filtração está atraindo vários novos players ao Brasil. A dúvida é se o congestionamento de ofertas vai ampliar o uso da eficiente tecnologia para separação de água ou se vai atrapalhar a sua difusão. Isso porque muitas das que entram no mercado, por meio de representações comerciais, não contam com muitas referências de aplicação e tampouco assistência técnica local. Entre os novos fornecedores, porém, há muitas empresas de renome: as coreanas LG, Samsung e Hyflux, as alemãs Berghoff e Inge/Basf e a sueca Alfa Laval. Mas há também outras de não tão comprovada reputação, normalmente vindas do continente asiático.

    Licitação na Sabesp

    Uma licitação com potencial de atrair a maioria dos novos fornecedores de membranas ocorre na companhia de saneamento paulista, a Sabesp. Na ETA Alto da Boa Vista (ABV), na zona sul de São Paulo, um leilão eletrônico marcado para o final de abril vai definir o fornecedor daquela que será a primeira unidade de ultrafiltração do Brasil específica para a produção de água potável. A obra será para acrescentar uma vazão de 2 m3/s de água aos atuais 14 m3/s gerados pela estação com capacitação no Sistema Guarapiranga. Sem especificar o tipo de tecnologia de ultrafiltração (placas planas, tubulares etc.), a obra será dividida em duas fases: a primeira inclui uma estação de ultrafiltração para 1 m3/s e toda a infraestrutura necessária para a expansão contemplada na segunda fase, quando não obrigatoriamente a Sabesp definirá a mesma tecnologia vencedora da primeira fase. Estima-se que o investimento total do projeto chegue a até R$ 100 milhões – incluindo também um sistema de interligação das águas bruta e clarificada (quando houver excesso de algas) às membranas.

    Campos do Jordão

    Embora a obra na ETA ABV seja a primeira a usar membranas de ultrafiltração para “potabilização”, a própria Sabesp, quando se fala em tratamento de esgoto, tem histórico anterior de pioneirismo de uso da tecnologia. Uma nova ETE em Campos do Jordão-SP entrará em pré-operação em setembro com uma unidade de biorreator a membranas (MBR), fornecido pela GE Water para o Consórcio Araucária, responsável pela obra. Segundo o superintendente da unidade de negócio Vale do Paraíba, Oto Elias Pinto, a previsão é a de que a unidade permaneça em ajuste operacional por três meses, quando em dezembro se dará a partida de fato. A ETE, que conta ainda com pré-tratamento com tanque de aeração e câmara anóxica, foi projetada para atender na fase inicial a vazão de geração de horário de pico de 214 l/s de esgoto, produzido pela população fixa de 50 mil habitantes e a flutuante de 15 a 20 mil, visto o caráter turístico da cidade. Mas a obra, segundo Elias, projeta um horizonte de 20 anos. “Há sete contêineres com MBRs atualmente, mas há espaço para mais cinco quando a demanda aumentar”, disse. Em 2033, a previsão é a estação atender cerca de 320 l/s. Embora o MBR produza água de reúso, a ideia inicial é descartar, antes da cloração de até dois ppm, o esgoto tratado no Rio Sapucaí-Guaçu. “Mas vamos disponibilizar o filtrado para reúso”, completou o superintendente.

    PU verde em tanques

    Química e Derivados, Estrutura do Aquapolo revestida com PU

    Estrutura do Aquapolo revestida com PU

    Um revestimento de poliuretano vegeta – reação de poliol oriundo de óleo vegetal hidroxilado, modificado e processado com baixa umidade com o isocianato –  produzido pela Viapol foi usado para proteger a estrutura de concreto do projeto Aquapolo, associação entre Foz do Brasil e Sabesp que produz água de reúso para o polo petroquímico de Santo André-SP com o esgoto da ETE ABC. Foram mais de 3 mil quilos do produto Vitpoli ECO Verde, cuja função é proteger a estrutura contra substâncias agressivas químicas e biológicas. Produto líquido, isento de solventes, após a preparação da superfície, o PU é aplicado em várias demãos com rolo de lã, com cura total atingida em sete dias. Além da alta resistência química e à corrosão, sua impermeabilização resiste a temperaturas de 90ºC. Além disso, sua composição tem ótima resistência à agressão do gás sulfídrico e do ácido sulfúrico biogênico, presentes no tratamento de esgoto. E também não altera a potabilidade da água. A Viapol, originalmente uma empresa nacional com fábricas em Caçapava-SP e Lauro de Freitas-BA, foi adquirida em junho de 2012 pela norte-americana RPM International.



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