Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de efluentes: Vendas em queda na indústria pesada forçam setor a diversificar clientes

Marcelo Furtado
17 de junho de 2013
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    Química e Derivados, Módulos com placas planas de poros maiores

    Módulos com placas planas de poros maiores

    Em Minas Gerais, por exemplo, os padrões de DBO estão muito rigorosos: no máximo de 5 mg/l em rio classe 2; de 3 mg/l em classe 1; e, no classe 3, 15 mg/l. “Nem em São Paulo, normalmente o estado mais exigente, se chega a esse nível de restrição”, disse. Rocha está bastante a par do caso mineiro, porque a Mann+Hummel está envolvida no projeto de fábrica da engarrafadora da Coca-Cola, a Femsa, em Itabirito-MG. A unidade será considerada modelo em gestão ambiental, preparada para obter a certificação de origem norte-americana LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), que precisa atender a padrões altos de controle em gestão de água, efluentes, energia e resíduos.

    Em parceria com a belga GWE, a empresa se encontra em montagem de estação de tratamento de efluentes anaeróbica (UASB) na unidade de Jundiaí, para vazão de 80 m3/h. O biogás gerado pela digestão vai parte para pequena caldeira também fabricada pela Mann+Hummel, cujo calor será empregado para manter a temperatura de entrada do efluente, para que se tenha o máximo de desempenho, na faixa de 38°C. Um percentual não revelado do biogás (metano) seguirá para queima em flare.

    Além do sistema anaeróbio, haverá um aeróbio para polimento, depois um decantador, e em seguida o efluente passa por filtro de areia (zeólitas), para remoção de ferro, e, por fim, é direcionado para uma unidade de ultrafiltração em Cingapura pertencente ao grupo (Ultra-Flo). Com membranas de fibra oca dispostas em sistemas tubulares, trata-se de sistemas recentemente com poros aumentados para 0.03 micra (antes era até 0.018). Dessa forma, a água ficará livre dos principais contaminantes, deixando passar apenas alguns patógenos. “Estamos estudando acrescentar uma osmose reversa para poder expandir o reúso”, disse. Bom lembrar que a empresa conta com membranas de osmose reversa fabricadas na China por terceiros com seu logotipo ou então faz os skids com membranas de outros fabricantes mais tradicionais, como a Dow.

    Aliás, as membranas de ultrafiltração de Cingapura passaram a ter versões com poros maiores a pedido da filial brasileira. Antes elas eram muito fechadas, de 0.015 a 0.018 micra, o que exigia projetos com fluxos menores. “Para as nossas necessidades, percebemos que era melhor ter poros maiores para poder projetar plantas com fluxos de filtração maiores”, afirmou Rocha. As membranas PAN (com resina poliacrinitrílica) são usadas, em cartuchos tubulares, mais para efluentes por serem mais resistentes ao fouling. Já as da linha PES (polieterssulfona) são mais para tratamento de água, por não serem tão resistentes.

    Química e Derivados, Projeto de MBR com módulos submersos no tanque

    Projeto de MBR com módulos submersos no tanque

    Uma aposta da empresa em efluentes é a comercialização dos skids de MBR (mebrane bio-reactor) Membio. Trata-se de sistema modular que contém reator aeróbio, decantador, painéis e membranas, principalmente para uso sanitário de 50 a 100 m3/dia. O foco é em canteiros de obras, pequenas indústrias e pequenas vilas, para concorrer com estações compactas de fibra de vidro. A unidade de filtros automotivos do grupo, em Indaiatuba-SP, conta com unidade de tratamento que, além de receber o efluente da fábrica, também serve como show-room para possíveis novos clientes. Além da venda ou aluguel do equipamento para uso temporário, a ideia é oferecer treinamento para futuros usuários.

    Por falar em serviços, a empresa investe mais nessa área, ampliando sua frota de unidades móveis de osmose reversa, hoje em quatro modelos, para mais três. Há demanda delas em variadas indústrias. Três das atuais estão em indústrias de vidros, bebidas e sucroalcooleira.

    Alfa Laval no MBR – A sueca Alfa Laval quer ampliar sua atuação no mercado de tratamento de efluentes no Brasil trazendo sua tecnologia de biorreator a membranas (MBR). Até então atuante na área como fornecedora de decanters, adensadores de lodo e trocadores de calor a placas e espirais para aquecimento/resfriamento de lodo ou efluente, desde o final de 2012 a empresa implanta no país estrutura de vendas da linha de membranas já comercializada na Europa desde 2002.



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