Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de efluentes: Vendas em queda na indústria pesada forçam setor a diversificar clientes

Marcelo Furtado
17 de junho de 2013
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    Química e Derivados, Majolo: controle para aumentar vendas em alimentos

    Majolo: controle para aumentar vendas em alimentos

    O primeiro equipamento a ser nacionalizado é o Kurifeeder OS. Trata-se de um sofisticado sistema que controla as taxas de turbidez e de sólidos suspensos na saída do efluente, dosando e alterando o percentual de coagulante, normalmente o PAC (policloreto de alumínio), conforme a variação do efluente. “Não se trata de um turbidímetro convencional, por amostragem. Ele trabalha com sensores mergulhados no tanque, para fazer a leitura dos sólidos suspensos, da turbidez ou da cor, que trabalham integrados com um controlador, cuja função é ajustar a dosagem”, disse Majolo. Segundo ele, uma base de cálculo do controle aumenta ou diminui a quantidade do produto, que pode ser usado também em tanque de decantação.

    A Kurita percebe, nas aplicações em curso no Japão e em outros locais do mundo, que com o controle on-line da turbidez a dosagem de produtos cai. Isso vai significar não só economia com produto, mas também ganhos ambientais. “Quanto menos coagulante, de perfil ácido, menos corretor de pH (soda) será necessário. E também menos lodo será gerado, um problema muito comum em indústrias que operam com dosagem máxima de coagulante”, disse Majolo. O equipamento está em fase de importação e em breve será divulgado com mais força entre os possíveis clientes, empresas de alimentos, de bebidas, frigoríficos e abatedouros.

    O outro equipamento em via de nacionalização de aplicação é o Kurisonic, Trata-se de uma espécie de sonar, portátil em uma maleta ou aplicado fixo, que faz a leitura dos processos de floculação e flotação por meio de emissão ultrassônica nos tanques. “Ele consegue ver o ponto de decantação, interpretar visualmente o tratamento, mostrando se há problemas na formação de flocos, como escape, ou se houve aeração de mais no tanque”, disse Majolo. O sistema, enfim, faz o diagnóstico. “Se estiver havendo flotação de flocos não compactados, por exemplo, trata-se de sinal de escassez de coagulantes. Ou, pelo contrário, se os flocos estão grandes, há excesso de coagulantes”, disse. Com a visualização, torna-se possível corrigir várias nuances do tratamento. Caso o cliente queira ter controle integral, pode optar pelo aparelho fixo. Mas a princípio a ação da Kurita deve se concentrar na maleta portátil. Tanto essa como a tecnologia de controle de turbidez e sólidos suspensos podem de início ser oferecidas sem custo adicional para os clientes, com pagamento em forma de divisão dos ganhos obtidos com a redução de custo operacional.

    A aposta da Kurita no setor de alimentos visa a aumentar a atual participação de 12% nos negócios da empresa (nos últimos três anos, crescem 20%/ano na área). Além de ter um tratamento de efluentes com muitas demandas técnicas, o perfil do setor, hoje muito concentrado em cidades do interior brasileiro, em áreas longínquas do Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás, também favorece um maior comprometimento comercial com a área. “Grandes e médias indústrias estão com unidades em lugares muito distantes e pequenos, onde a fiscalização e a própria atenção da população local tornam a atuação da empresa muito visível em quesitos ambientais”, afirmou o gerente de marketing da Kurita, Ricardo Fernandes. “Qualquer deslize, como um descarte fora dos padrões no rio local, é facilmente percebido. Para se tornarem menos vulneráveis, a tendência é investir em controle ambiental mais rígido”, completou Fernandes.

    Química e Derivados, Guilherme Rocha, Mann+Hummel Fluid Brasil, propostas em efluentes já se igualam às de água

    Rocha: propostas em efluentes já se igualam às de água

    Interior rígido – A Mann+Hummel Fluid Brasil, de Jundiaí-SP, é outra integradora de sistemas de água e efluentes que deposita suas fichas em projetos de tratamento de efluentes, no geral, e na indústria de alimentos e bebidas, em específico. Aliás, segundo informou seu diretor-geral, Luís Guilherme Pozzani da Rocha, na diversificação de negócios, o que significa principalmente deixar de se associar muito ao mercado de tratamento de água, com a montagem de unidades de osmose reversa para desmineralização de água de caldeiras para a indústria sucroalcooleira, por exemplo.

    E essa estratégia, segundo ele, na verdade corresponde mais a uma resposta da empresa à alta procura por soluções para tratar efluentes. “Esse mercado tem muito potencial. Em propostas, já responde pela metade do nosso cotidiano”, disse Pozzani. Segundo ele, o grande motivador tem sido o aumento da fiscalização e de rigor de parâmetros de descarte em corpos d´água, sobretudo em regiões mais afastadas, como em Minas Gerais e no Mato Grosso, onde se instalam muitas indústrias de alimentos. Além disso, o encarecimento do preço cobrado pelo descarte também tem forçado muitas indústrias a partir para o reúso. “Muitas vezes fica mais barato reaproveitar o efluente, investindo em tecnologias de reúso, do que descartá-lo sem um tratamento terciário”, explicou. Em dois ou três anos, complementa o diretor, a obra se paga.



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