Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de efluentes: Vendas em queda na indústria pesada forçam setor a diversificar clientes

Marcelo Furtado
17 de junho de 2013
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    Como o projeto é um DBOT em que a sociedade de propósito específico (SPE) criada entre a Enfil (70%) e a canadense CRA (30%) ficará responsável pela operação da unidade por 15 anos (o contrato inclui gestão de água, efluentes e resíduos), a escolha do MSBR foi em virtude da segurança operacional garantida pelo sistema, segundo revelou o diretor Franco Tarabini. Depois do tratamento biológico, o efluente passa por filtração terciária, uma bateria de quatro filtros com elementos de antracito e areia, automatizados em paralelo e com contralavagem. A seguir, seguem para a desinfecção com ultravioleta, com dois geradores de 60 m3 cada (um deles de stand-by). O efluente final, praticamente uma água de reúso, poderá ser descartado com segurança ou ter outros usos, como água de lastro dos navios fabricados no estaleiro ou qualquer outra necessidade não potável do local.

    A DBOT no Estaleiro OSX é de US$ 25 milhões (70% BNDES e 30% divididos proporcionalmente entre os criadores da SPE). A previsão de partida das unidades é para 30 de julho para os sistemas de tratamento de água e resíduos e 30 de setembro para os efluentes sanitários (90 m3/h) e industriais (70 m3/h). A ETDI (estação de tratamento de despejos industriais) se baseia em um grande tanque de concreto para 1.000 m3, com separador água óleo lamelar de placa coalescente, flotador de aço inox e tanque plástico de floculação, e tratará efluentes oriundos da operação metalúrgica do estaleiro.

    Uma etapa seguinte a essas instalações vai envolver a captação de água para o estaleiro. Isso porque a outorga conseguida para extrair água de poço de boa qualidade só engloba a fase de construção e de start-up da obra. “Depois disso, eles vão precisar ter outra fonte de abastecimento. E a opção será a dessalinização de água do mar”, revelou Tarabini. A Enfil já começa a avaliar e a discutir o financiamento para construção de unidade de membranas de osmose reversa para 150 m3/h. “Com a osmose, prevista para 2014, o DBOT subirá para cerca de R$ 70 milhões”, disse.

    Química e Derivados, José Aguiar Jr., Kurita, potencial nos efluentes da indústria alimentícia

    Aguiar vê potencial nos efluentes da indústria alimentícia

    Controle no tratamento – Um outro exemplo de empresa que procura novos nichos para compensar o arrefecimento da indústria pesada é a japonesa Kurita, especializada em tratamento químico e com grande penetração nos mercados petroquímico, siderúrgico e de papel e celulose. De um ano para cá, a empresa deslocou um técnico para ser treinado na matriz no Japão para nacionalizar tecnologias voltadas para o mercado de alimentos e bebidas. No caso, com o propósito ainda mais específico de participar do tratamento de efluentes dessas indústrias, onde, no entendimento do seu superintendente, José Aguiar Jr., há maior demanda técnica adormecida.

    “Temos contas na indústria de alimentos para tratar caldeiras e torres de resfriamento e percebemos que o tratamento de efluentes delas tem vários gargalos que podem ser solucionados com tecnologia”, disse Aguiar. A aposta aí foi trazer do Japão equipamentos de monitoramento e otimização de aplicação de floculantes e coagulantes. “Há muitas oscilações nessas estações e isso faz o cliente usar o produto na dosagem máxima para garantir a floculação”, afirmou Fernando Majolo, técnico mandado para a matriz para se encarregar da divulgação e das vendas técnicas dos sistemas no Brasil.



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