Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de efluentes: Vendas em queda na indústria pesada forçam setor a diversificar clientes

Marcelo Furtado
17 de junho de 2013
    -(reset)+

    Outra reivindicação do Sindesam recebida com simpatia pelo Ministério das Cidades é passar a empregar o Regime Diferenciado de Contratação (RDC) em obras de saneamento. Ferramenta criada para agilizar projetos destinados à Copa do Mundo de Futebol em 2014, trata-se de maneira de “driblar” a Lei de licitações 8666, considerada morosa para contratar e executar as obras. Enquanto na lei federal há a necessidade de se fazer uma licitação para o projeto básico e outra para o executivo, no RDC o governo pode fazer a contratação integrada da obra e de seus estudos com o mesmo fornecedor. “Só com essa mudança já se adianta muito a obra, porque a 8666 proíbe a licitação se não houver uma específica anterior apenas para o projeto básico”, disse.

    As vantagens do RDC não param por aí. Para começar, o valor do contrato, o chamado preço de referência, ao contrário da Lei 8666, não precisa ser revelado aos interessados na concorrência. Ainda pelo regime diferenciado, o plano de negócios e a habilitação técnica da empresa só são analisados após ela ser declarada vencedora, por ofertar o melhor preço, ganhando nas duas medidas muito tempo para a execução do projeto. Além disso, o RDC permite mecanismos de remuneração variável, pelo qual a empresa escolhida recebe um bônus de acordo com o seu desempenho e metas. E também há maior flexibilização em caso de substituição do contratado. Caso o escolhido saia ou desista do contrato, o segundo pode substitui-lo com a sua oferta original de maior preço. No caso da Lei de Licitações, o substituto só pode assumir a obra se aceitar o mesmo valor do vencedor.

    O Sindesam também fez propostas, acatadas, para que o Plansab inclua política de incentivo de reúso de água nas cidades. “Não faz sentido trazer água de longe quando projetos de reúso poderiam suprir boa parte das necessidades que não sejam as de potabilidade”, disse Folgosi. Cita como exemplo recente PPP feita em São Paulo, a do Sistema Produtor de Água do Rio São Lourenço, vencida pela Camargo Corrêa, que trará 4,7 mil litros de água por segundo da região de Ibiúna, a 90 km da cidade, com elevatória de 300 metros, para suprir a demanda da região metropolitana. E cita ainda como solução o que foi feito no projeto Aquapolo, em São Paulo, onde o polo petroquímico de Mauá passou a ser abastecido por água recuperada do esgoto da ETE ABC.

    Química e Derivados, Rachid procura negócios com tratamento biológico

    Rachid procura negócios com tratamento biológico

    Alimentos, estaleiro – Enquanto o saneamento não deixa de ser apenas uma ilusão para os fabricantes nacionais de equipamentos e sistemas, a saída para as empresas para tentar suprir a falta de pedidos dos grandes consumidores industriais é tentar diversificar a clientela, entrando em novos mercados. Um exemplo ocorre em uma grande integradora de sistemas de ar, água, efluentes e resíduos, a Enfil, de São Paulo. Depois de passar por um período de crescimento exponencial, por conta das grandes obras em água e efluentes para refinarias da Petrobras, a Enfil agora sofre com a revisão de investimentos da estatal. Por isso, a empresa contratou alguns especialistas em tratamento biológico e passou a participar de concorrências em setores há muito tempo não atendidos por ela, como o de alimentos e bebidas. E melhor: passou a ter domínio de soluções biológicas que podem ser aplicadas tanto em tratamento de efluentes industriais de várias matrizes como em saneamento básico, outro novo mercado visualizado pela empresa.

    De acordo com o diretor da Enfil, Franco Tarabini, a entrada na área de tratamento biológico mostrou bons resultados em apenas um ano de ação comercial. Duas concorrências importantes foram vencidas no período. Em uma fábrica nova de cerveja da Ambev, em Uberlândia-MG, a empresa venceu concorrência para construir estação de tratamento de efluentes – por processos aeróbio e anaeróbio – para 600 m3/h, com carga de DBO de 2.000 mg/l e com necessidade de remoção de 95%. Projeto de EPC coordenado pelo gerente de processos da Enfil, Rachid Tauaf, contratado para liderar as obras de tratamento biológico, a obra não pode ser detalhada por cláusula contratual da Ambev. Seu prazo de entrega é de dez meses e já está em andamento.

    Química e Derivados, Tarabini: DBOT em estaleiro e contrato com Ambev

    Tarabini: DBOT em estaleiro e contrato com Ambev

    A outra concorrência, um pouco anterior e em regime de DBOT (Design Build Operate and Transfer) de 15 anos, no Estaleiro OSX, do grupo X, no Porto do Açu-RJ, tem um caráter mais arrojado de engenharia, na opinião de Rachid. Haverá nela um tratamento biológico especial suficiente para receber no pico da operação do estaleiro o esgoto de até 15 mil pessoas e uma desinfecção final com radiação ultravioleta para descarte no oceano e reúso. Por causa de exigências rígidas de remoção de nutrientes, foi preciso projetar uma ETE com a tecnologia de MSBR (Modificate Sequence Battery Reactor), um lodo ativado por batelada com ciclos anóxicos intercalados nos tanques aeróbicos para poder favorecer o crescimento de bactérias consumidoras de nitrogênio (nitrificantes e denitrificantes). As restrições para nitrogênio total são inferiores a 5 mg/l.

    O sistema funciona com quatro reatores aeróbios em paralelo. Cada tanque possui um aerador de superfície e dois misturadores submersos, responsáveis por provocar a mistura sem aeração, o que cria o ciclo anóxico. O processo biológico começa com a entrada do efluente sanitário em um dos tanques que, no momento, estará apenas com os misturadores ligados, com o propósito de criar a condição anóxica, sem introdução de oxigênio. Em um sistema automatizado, quando acaba esse ciclo de denitrificação, os tanques de aeração começam um procedimento de aeração por duas horas. Ao fim disso, o lodo biológico decanta, mas não sai do tanque. Um dispositivo automático descarrega a água clarificada da parte de cima, fecha a válvula e permite que o tanque, com o lodo ativado, receba novamente o esgoto. “A todo o momento, um tanque estará parado, só misturando, e três com os aeradores funcionando. É uma sequência automatizada e programável de ciclo anóxico, aeração, decantação e descarga”, explicou Rachid. Bom ressaltar que o processo foi programado para nunca ter duas descargas simultâneas, para atender às exigências da legislação de descarte.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *