Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de efluentes: Terceirização concentra o setor

Quimica e Derivados
13 de março de 2000
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    Caixa alto para BOTs – Com demanda de investimentos em saneamento público e privado de US$ 55 bilhões nos próximos dez anos, esse mercado atraente também modificou a vida de outra empresa nacional. A consultoria Multiservice, atuante no Rio e São Paulo sobretudo em concessões municipais, desde que foi adquirida em dezembro de 1998 pela holding americana Tyco, proprietária de mais de 180 empresas e com vendas anuais de US$ 25 bilhões, está administrando quantias nunca antes imaginadas. “Foram US$ 300 milhões só no Brasil”, afirma o diretor da divisão industrial, Milton Scossia.

    Química e Derivados, Haynie: Nalco prefere soluções mecânicas

    Haynie: Nalco prefere soluções mecânicas

    Agindo como braço da empresa Earth Tech, especializada em engenharia e controle ambiental, a Multiservice empregou o montante em empreendimentos e BOTs sobretudo na área pública, como por exemplo nas concessões privadas de municípios em Nova Friburgo-RJ, Jaú-SP, e no tratamento de esgotos de Araçatuba-SP (o fornecimento de água é da Azurix), entre outros. Mesmo assim, é plano da empresa reforçar a participação no mercado industrial, por meio do fornecimento de unidades turn-key de tratamento de efluentes e, principalmente, em BOTs, através da engenharia de financiamento do grupo Tyco.

    Outro grande grupo se preparando para intensificar os BOTs é a Suez Lyonnaise des Eaux, por meio de suas empresas Nalco e Degrémont. Para isso, em nível mundial e já com validade no Brasil, foi criada uma nova empresa, especializada em terceirização de água e efluentes, a NIO (Nalco Industrial Outsourcing). Segundo o gerente geral para a América Latina da divisão industrial da Nalco, Thomas Haynie, a NIO já atende às três divisões do grupo: industrial, de especialidades (alimentos, automobilística, bebidas, farmacêutica) e de aditivos e processos para papel e celulose.

    Química e Derivados, Tratamento de efluentes: Terceirização concentra o setorConforme diz Haynie, a NIO será a responsável em facilitar os financiamentos e em gerenciar os projetos nos aspectos construção, operação e manutenção das unidades terceirizadas. O gerenciamento consistirá sobretudo em procurar as empresas apropriadas do grupo para cada tipo de serviço. Por exemplo, além da Degrémont e várias outras companhias pelo mundo, as duas nacionais adquiridas pela Suez Lyonnaise des Eaux, a Adecom e a Kenisur, atenderão a essa demanda. A primeira, porém, se integra aos escritórios da Nalco, em São Paulo e, segundo Haynie, poderá perder seu nome. Seus produtos e clientes serão fragmentados dentro das divisões industrial e de especialidades da Nalco. Já a Kenisur, com clientela institucional e industrial bem específica, será mantida em seu antigo prédio.

    Pelo lado da Degrémont, de acordo com o presidente da filial brasileira, Mário de Oliveira Filho, a sinergia com a Nalco, ainda em gestação, não será difícil. “Já trabalhamos juntos, na Renault do Paraná, onde possuímos um BOT para a água da montadora”, lembra. Além da oferta de soluções completas, a fusão, para Oliveira, possibilita que a Degrémont incorpore o conhecimento da Nalco em demonstrar a vantagem global de seus sistemas. “Por ter insumos de ponta, cujas dosagens são controladas e menores, a Nalco consegue reduzir o custo global do tratamento, mesmo com preços por quilo até maiores”, diz.

    Química e Derivados, Oliveira: sinergia fácil com a Nalco

    Oliveira: sinergia fácil com a Nalco

    De acordo com Thomas Haynie, embora tenha sido a Nalco a adquirida, para a empresa americana a parceria com a Degrémont era fundamental. “Já estávamos dirigindo a filosofia da empresa para colocar o tratamento químico, por questões ambientais e de custos, como a última opção para o cliente, depois das soluções mecânicas e operacionais”, explica Haynie. Embora haja a sinergia, esta não será em todos os serviços, concordam os dois executivos. As propostas deverão variar conforme a demanda dos clientes. “Quando precisar ser integrado, entramos juntos”, diz Oliveira. A se guiar pela filosofia da Nalco de privilegiar a solução mecânica, a Degrémont, que dobrou de faturamento em 1999 (R$ 38 milhões), pode ter mais serviços do que a empresa-irmã.



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