Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de efluentes: Terceirização concentra o setor

Quimica e Derivados
13 de março de 2000
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    Formalizada a aliança no País, a filial brasileira da Kurita se adiantou a uma tendência a ser seguida pela corporação. Conforme explica seu superintendente de operações, José Aguiar Jr., o grupo (com faturamento global de US$ 2 bilhões) está se recompondo para fazer frente ao movimento dos concorrentes. Depois de trocar o seu board, deve partir para compras de empresas fora da Ásia ou então fundir-se com outros competidores de peso, para tornar-se mais global. Até então o grupo é muito concentrado no mercado asiático, tanto que no Brasil possui sua maior participação fora do mundo oriental (market share de 20%).

    Química e Derivados, Aguiar: Kurita vai operar com Azurix

    Aguiar: Kurita vai operar com Azurix

    Na opinião de Aguiar, por possuir também tecnologia em equipamentos no Japão (e eventualmente no Brasil, onde já teve departamento específico) a integração com a Azurix é facilitada. Vários de seus serviços já contemplaram obras completas, como na Rhodia Poliamida, de Jacareí-SP, na qual uma estação de efluentes foi construída sob a coordenação da Kurita. E também em outros projetos de médio porte (com limite máximo de US$ 2 milhões), como em recente na Bridgestone-Firestone, em Santo André-SP, no qual uma solução mecânica, com filtros e abrandadores, permitiu à fabricante de pneus reaproveitar 15 m3/h de seus efluentes nas torres de resfriamento.

    A intenção, porém, é não recorrer ao know-how mecânico japonês. “Mas também não deixaremos de propor soluções sob o nosso ponto-de-vista”, diz Aguiar. Outra cooperação consiste na ampliação de seu portfólio de polieletrólitos no Brasil, hoje disponíveis em 30 diferentes pesos moleculares e ionicidades. Bom ressaltar que só no Japão há 250 tipos desses polímeros, para as mais específicas aplicações.

    Espaço para todos – Com essas três parcerias formadas, concentra-se ainda mais o setor no Brasil, agora sob a batuta dos líderes mundiais de saneamento público e privado: Suez Lyonnaise des Eaux, Vivendi e Azurix, na ordem de faturamento. A princípio, o novo perfil do mercado só não dificulta mais a vida dos demais concorrentes em razão da alta demanda reprimida no País. Isto é: ainda há muito a fazer e, dependendo da agilidade das empresas não-atreladas aos três, haverá obras para todos.

    Química e Derivados, Ceccato conseguiu obra pública em BH

    Ceccato conseguiu obra pública em BH

    Não por menos, o consórcio formado pelas nacionais Aquamec e Enfil, de São Paulo, está ganhando concorrências importantes, e contra os grandes, tendo faturado em apenas um ano de existência cerca de R$ 20 milhões. Bom exemplo é a primeira etapa da ETE Arrudas, de Belo Horizonte-MG, uma obra de R$ 11,5 milhões para tratar 2,7 m3/s de esgoto da capital mineira. De acordo com o diretor da Aquamec, Sergio Ceccato, a obra hidroeletromecânica do tratamento primário e a operação, durante seis meses depois de concluída, estará a cargo do consórcio.

    Nessa primeira etapa, a ser concluída até o final do ano, serão reduzidos 60% dos sólidos dos efluentes e 40% da demanda bioquímica de oxigênio (DBO). A região de Belo Horizonte possui índice zero de tratamento de esgoto, mas quando sair a segunda etapa do projeto, nos próximos meses, até 2002 pretende atingir 90% de redução de DBO e sólidos dos efluentes domésticos. E a chance de a Aquamec ganhar também a concorrência na segunda etapa, diz Ceccato, é grande.

    Obras de menor porte, em lugares algumas vezes esquecidos pelos grandes, também podem ocupar as empresas nacionais. A própria Aquamec-Enfil constrói em São Luís-MA a estação de tratamento de efluentes da companhia estadual Caema que contemplará tratamento primário e desinfecção por ozônio. Um outro exemplo provém da paulistana Enasa, com obras para a companhia de saneamento cearense Cagece, onde instalou sistema de aeração flutuante por ar difuso tubular no distrito industrial de Maracanaú.

    Química e Derivados, Taranto: pequenos devem "desbravar" tecnologias

    Taranto: pequenos devem "desbravar" tecnologias

    De acordo com o diretor da Enasa, Antonio Carlos Taranto, além de procurar negócios fora dos grandes eixos, a saída para os nacionais é trabalhar como “desbravadores” de tecnologias, procurando soluções específicas para simplificar a vida dos clientes. Ele, por exemplo, mandou um engenheiro da empresa passar um mês na Áustria em busca de processos para reciclar efluentes. O resultado foi a introdução no País de sistema combinado de membranas e resinas de troca iônica, em breve a ser instalado em empresa de logística de Santos para recuperar água de lavagem de contêineres usados no porto. Sistemas semelhantes serão empregados para reciclagem de efluentes galvânicos.



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