Tratamento de Efluentes: Setor privado compensa escassez de obras públicas

Logos Aqua pesquisa aditivos com a USP

Iniciativa rara na indústria brasileira, uma empresa local tem conseguido se valer de tecnologia própria e, melhor, com a cooperação da pesquisa universitária, para competir no disputado mercado de condicionamento químico de água e efluentes. A Logos Aqua, formada há pouco mais de um ano pela Logos Química, de Barueri-SP, está recorrendo a financiamentos da Fapesp para desenvolver polímeros junto com a Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com o sócio-diretor da empresa, Renato Araujo Silva, a médio prazo a pesquisa em conjunto com o Instituto de Química da USP estará concluída. Quando estiver pronta, provavelmente daqui a um ano, possibilitará a comercialização de zeólitos naturais (cinzas residuais de processos de combustão industrial) para absorção de metais pesados. “Os compostos funcionarão como resinas de troca iônica e serão aplicados em filtros ou em colunas agregados ao processo industrial ou na fase final nos efluentes”, explica Silva. Quando saturados, os zeólitos seguem para descarte em aterros.

A preocupação com pesquisa faz a Logos ter em seu quadro técnicos com formação acadêmica (um doutor em papel e celulose, da empresa-mãe, e uma mestranda). Entre outras vantagens, isso possibilitou ainda que dentro de três meses a Logos Aqua lance um polímero líquido (tipo poliol) para acelerar o processo microbiológico em processos aeróbicos de efluentes. Segundo seu diretor, por conseguir diminuir o tamanho das bolhas de oxigênio, aumentando a superfície de contato biológico da lagoa, a remoção de DBO aumenta em eficiência em até 60%.

Química e Derivados: Tratamento: Araujo Silva - zeólitos naturais para absorver metais.
Araujo Silva – zeólitos naturais para absorver metais.

O fenômeno de aperfeiçoamento micro­biológico foi fruto da observação de uma pesquisa da Logos Química para melhorar a eficiência de seus antiespumantes para processo e efluentes. “Percebemos que os aditivos alteravam o tamanho das bolhas de oxigênio”, diz. A origem do novo polímero fará o tra­tamento demandar menos antiespumantes, reduzindo o custo total de dosagem química no efluente. O novo produto será dosado de 0.5 a 3 ppm.

Com produção em Barueri, tanto a Logos Química (forte em processo de papel e celulose, açúcar e álcool e outros) como a Logos Aqua estão de mudança para nova fábrica em Leme, no interior paulista. Para transferir toda a produção, estão em fase de recebimento de dois reatores vitrificados chineses para síntese de poliacrilatos. Em agosto próximo, será dada a partida da produção de misturas, em outros três grandes reatores nacionais já adquiridos. Até o final do ano, inicia a síntese dos poliacrilatos. Em 2002, começa a produzir antiespumantes e o policloreto de alumínio (PCA). Para 2003, espera iniciar a produção de monômero acrílico e polieletrólitos

De acordo com Silva, a decisão pela nova fábrica foi para atender o crescimento de 40% ao ano da Logos nos últimos quatro anos. “Nossa produção em Barueri está no limite de 600 t/mês de poliacrilatos, polima­leatos e fosfonatos”, diz. Em Leme, a fá­brica poderá triplicar a produção. Com 70 funcionários e 300 clientes, em 2001 a Logos inteira deverá faturar R$ 19 milhões.

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