Tratamento de Efluentes: Setor privado compensa escassez de obras públicas

Química e Derivados: Tratamento: Rotores biológicos de contato da Vivendi - aeração melhorada.
Rotores biológicos de contato da Vivendi – aeração melhorada.

A versão brasileira dessa nova estratégia da Vivendi já começou. Na unidade da Solvay em Santo André-SP, Vivendi e BetzDearborn cuidam da água, dos efluentes e dos resíduos das fábricas do site. Há ainda um novo contrato com a siderúrgica Usinor, em São Francisco do Sul-SC. Conforme explica o diretor comercial da Vivendi Water, Giangiacomo Gallizioli, a conta da Usinor será o primeiro exemplo de fornecimento total de utilidades execu­tado pelo grupo no Brasil. Trata-se de contrato BOT (build, operate and transfer) de 15 anos de valor aproxi­mado de R$ 70 milhões. A obra englo­bará o fornecimento de água potável e in­dustrial, bem como sistema de trata­mento para caldeiras e de efluentes, além do gerenciamento de resíduos industriais e do fornecimento de gases industriais e de energia.

“O grande trunfo desses serviços é fazer com que os clientes se preo­cupem apenas com o processo deles”, afirma Gallizioli. Para ele, um aspecto impor­tante nesses fornecimentos, quando diz respeito a efluentes, é a possibilidade de destinação de resíduos, ten­do em vista a limitada oferta de aterros, inci­ne­radores e outras medidas cor­retas. “Não adianta a empresa ter solução para o líquido, se o resíduo sólido, os lodos de estações, fica a descoberto”, diz. Isso vale tanto para indústrias como para municipalidades e companhias esta­duais. A Sabesp, por exemplo, estaria acumu­lando lodos em suas estações de trata­mento de esgoto.

A divisão Onyx pode contar com várias soluções para resíduos de qual­quer tipo, do classe 1 (perigosos) ao classe 3 (inertes). Para começar, há a possibilidade de co-processamento em fornos de cimento, executado pela unidade da Resicontrol, em Sorocaba-SP, onde se realiza a “blendagem” de resíduos para posterior queima em forno de clínquer, em Capão Bonito-SP (ver QD-387, pág.17). Se a destinação mais adequada for aterro, desde dezembro de 2000 a Vivendi conta com o Sasa, de Tremembé-SP (QD-387, pág.10). Em nível mundial, o grupo francês adquiriu a americana Waste Management Inter­national, ex-controladora do Sasa e proprietária de mais de 300 aterros pelo mundo.

Química e Derivados: Tratamento: Serrano - Suez criou empresa para administrar sinergia.
Serrano – Suez criou empresa para administrar sinergia.

Detentor do conceito de central de tratamento de resíduos, no qual pode preparar o melhor destino do lixo com técnicas de microencapsulamento, o Sasa a partir deste ano passou a receber resíduo classe 1, desde que implantou uma vala revestida com capacidade para 350 mil m³. Possível de receber quase todos os tipos de lixo industrial e também doméstico da região, apenas em determinados casos a solução para os clientes terá de ser incineração.

Quando houver necessidade, explica o diretor da Onyx-Resicontrol, Leon Tondowski, a empresa aciona os acordos opera­cionais com os incineradores da Basf, de Guaratinguetá-SP, e da Bayer, em Belford Roxo-RJ.

Na onda – A grande concorrente mun­dial da Vivendi, a Suez (que recen­temente retirou o Lyonnaise des Eaux da razão social) se reestruturou para, entre outros motivos, criar uma divisão para administrar suas soluções inte­gradas para indústria. Em março, foi criada mundialmente a Ondeo Industrial Solutions, responsável pela coorde­nação de ofertas integradas para a indústria, administrando e unindo os diversos serviços e produtos disponíveis nas várias divisões e empresas do grupo. “Estamos nos preparando para colocar em prática os processos de sinergia de todas as áreas e assim criar soluções completas de utilidades”, afirma o gerente geral para a América Latina, José Serrano.

A divisão, na verdade, faz parte da nova empresa formada pela Suez em março para agrupar seus negócios de água: a Ondeo (em latim significa “Eu vou por sobre a onda”). Por sua vez, a Ondeo é subdividida em Ondeo Ser­vices, voltada para águas municipais; Ondeo Degrémont, de projeto, en­genharia de equipamentos e sistemas e ainda operação e manutenção de uni­dades; e a Ondeo Nalco, responsável pelos processamentos químicos e ser­viços de água industrial e efluentes.

Além de coordenar as operações integradas das três di­vi­sões, a On­deo In­dustrial Solutions também pode acio­nar outras operações do grupo Suez. Em energia, o grupo conta com a Tractebel, dona no Brasil da geradora gaúcha Gerasul. em resíduos, a operação mundial é controlada pela Sita, proprie­tária no País da Vega Sopave e sócia do incinerador da Teris do Brasil, em Taboão da Serra-SP (ver QD-384, pág. 36).

Química e Derivados: Tratamento: Gallizioli, Tondowski e Fernandes (esq. para dir) - Vivendi e Betz juntas já ganharam contrato na Usinor no Paraná.
Gallizioli, Tondowski e Fernandes (esq. para dir) – Vivendi e Betz juntas já ganharam contrato na Usinor no Paraná.

“Estamos fazendo reuniões mensais e trocando infor­ma­ções com executivos e técnicos das divisões de equipamentos e de municipalidades para interá-los sobre nossas tec­nologias”, afirma José Serrano, da Ondeo Nalco. Em razão do processo de reestruturação ter se finali­zado recentemente, de acordo com Serrano ainda não há contratos de pacotes com­pletos. “Mas temos um nível de in­ves­ti­mentos anual da ordem de US$ 20 bilhões para financiar pro­jetos do tipo BOT por todo o mun­do”, diz o gerente. Bom lembrar que a Ondeo tem faturamento mundial de US$ 8,5 bilhões, dentro da receita total da Suez de US$ 32 bilhões. Com 60 mil clientes em 130 países, a Ondeo Nalco fatura US$ 2,4 bi.

Nesse processo de integração de operações, a Ondeo Nalco no Brasil já consumou a incorporação de recentes aquisições. A nacional Adesol, im­portante produtora de polímeros acrí­licos, teve suas atividades (princi­palmente clientes, já que sua fábrica em Ribeirão Pires-SP foi descontinuada em razão de passivos am­bien­tais) incluídas na divisão Unisolv de clien­tes indus­triais médios (auto­mo­bilís­tico, cosmé­ticos, farma­cêu­tico, açúcar e ál­cool, etc.). A Kenisur, atuan­te no mercado institucional (prédios, hos­pitais, peque­nas indústrias), é a outra divisão, além da Unisolv, subordi­nada aos negócios de espe­cia­­lidades, cuja gerência geral está a cargo de José Serrano.

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