Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de efluentes – Retração nos projetos estimula oferta de terceirização por BOTs, BOOs, AOTs ou AOOs…

Marcelo Furtado
14 de março de 2009
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    AOT e AOO – Embora haja diversificação nas necessidades contratuais dos clientes, a experiência da EcoAqua na venda dos modelos de prestação de serviços leva a crer que até o momento o mercado ainda prefere a terceirização clássica com a transferência dos ativos no final do contrato, ou seja, os tradicionais BOTs. “O cliente ainda se sente mais seguro ao saber que no fim do contrato ficará com os sistemas, como se fosse leasings”, revelou Alain Arcalji. Mas, para ele, é uma questão de tempo para os clientes amadurecerem para outras modalidades. Aí entrariam nas negociações os BOOs (em português, constrói, opera e permanece proprietário, do inglês own), ou então os modelos pelos quais o prestador de serviço chega até a adquirir ativos do cliente para se tornar responsável pela operação, os chamados AOO (acquire, operate and own) ou AOT (acquire, operate and transfer).

    Estes últimos modelos podem até ter um apelo maior na crise, segundo a percepção de algumas empresas. Isso por um motivo óbvio, visto que, além de não demandar aportes dos clientes como nos BOTs, a operação poderá ainda render um recurso “extra” ao caixa das empresas. A esperança no novo modelo de aquisição de ativos é tanta que faz não só grupos como a EcoAqua reforçarem a sua divulgação no mercado como provoca o interesse de outros competidores. É o caso da White Martins Soluções Ambientais, empresa pertencente ao grupo norte-americano produtor de gases industriais que se especializou na prestação de serviços de tratamento de água e efluentes industriais.

    Química e Derivados, Paulo Bon, gerente geral da White Martins, Tratamento de Efluentes

    Paulo Bon aposta nos AOOs e AOTs para manter crescimento em 2009

    Já com carteira de clientes extensa em BOTs de tratamento de efluentes e reúso de água na indústria e no mercado institucional, como shopping centers, hospitais e prédios comerciais, a White Martins aposta nos AOOs e AOTs para manter um ritmo de crescimento que vinha ininterrupto desde quando foi fundada há sete anos. E isso mesmo com as perspectivas não tão animadoras previstas para 2009. “É uma forma criativa de fugir da visível retração nos negócios”, afirmou o gerente geral, Paulo Bon.

    A ideia é propor a compra de estações para melhorias imediatas na operação, que se refletem em economias consideráveis no custo da água, ou substituições de equipamentos para aperfeiçoar o tratamento. Para custear essas operações financeiras ousadas, a White Martins Soluções Ambientais pretende continuar a usar a retaguarda de seu grande grupo controlador, empregando recursos próprios para os investimentos. Até o momento essa mesma estratégia proporcionou a geração de dez BOTs em operação por todo o Brasil, dentro de indústrias do setor químico, têxtil, automobilístico e de alimentos e no mercado institucional, em condomínios comerciais, hospitais etc.

    Um exemplo possível de AOT em tratamento de efluentes, segundo Bon, pode ser feito na indústria têxtil. Fornecedora de sistemas para tratamento com base em suas tecnologias de geração de gases (foi a partir daí que a White Martins passou a fornecer para o setor ambiental na década de 80), a empresa pode instalar sistemas de remoção de cor de efluentes com ozônio, substituindo os tradicionais tratamentos físico-químicos. “A unidade antiga poderia ser empregada em outro uso, enquanto prestaríamos o serviço com a geração in-situ do ozônio, muito mais eficiente nessa aplicação”, disse. Bom acrescentar que a White Martins já possui um BOT com base na tecnologia de remoção em uma indústria têxtil.

    O modelo do AOT é novo apenas na área ambiental, segundo explicou Paulo Bon. Isso porque a própria White Martins, na sua longa experiência de fornecedora de gases industriais, várias vezes comprou unidades geradoras dos clientes para passar a ser a prestadora de serviço, sobretudo no fornecimento de oxigênio na indústria siderúrgica. “O modelo já é conhecido na indústria, basta passar a fazer a oferta que há muita chance de ela ser adotada também em estações de tratamento de água e efluentes”, afirmou Bon.

    Química e Derivados, MBR tem sido muito empregado em BOTs, Tratamento de Efluentes

    MBR tem sido muito empregado em BOTs

    MBR e O2 – A ligação da White Martins com gases não teria como não ser transportada para seus negócios na área ambiental. Aliás, o seu início na área, quando ainda não contava com empresa específica, foi no meio da década de 80 com a venda de oxigênio para melhoria de tratamento biológico, de gás carbônico para neutralização, ozônio (O3) para desinfecção e nitrogênio para flotação. Com a compra da empresa Neotex em 2000, a estratégia passou a ser completa, de projeto, construção e operação de estações, mesmo que ainda agregada muitas vezes à venda de gases.

    Esse know-how levou a empresa a conjugar tecnologias para ofertar sistemas de reúso de água. Um exemplo foi iniciar a dosagem de oxigênio em sistemas de biorreatores a membranas (MBR), que empregam membranas de ultrafiltração para remoção de contaminação orgânica (sólidos coloidais e suspensos, bactérias e vírus). Sistema patenteado, o oxigênio empregado no reator melhora o rendimento da biota, permitindo compactar mais a estação.



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    Um Comentário


    1. mara da Conceição

      Trabalhei nessa empresa e percebi sua responsabilidade com os outros principalmente, o gestor Alain Arcalji que sempre se dirigiu a mim com muito respeito .

      Hoje professora de uma rede municipal, e vendo o crescimento dessa empresa e esse gestor integro atuando não poderia deixar de enfatizar minha admiração.



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