Tratamento de Água: Retrofitting ganha força para ampliar capacidade e modernizar ETEs e ETAs

Química e Derivados, Elaine Conchon, Diretora de tecnologia e aplicação da Neotex, Tratamento de Água: Retrofitting ganha força para ampliar capacidade e modernizar ETEs e ETAs
Elaine: VRM se mostrou mais viável do que tecnologia tubular

A operação rotativa da Huber começa com o enchimento do tanque, com a unidade de membranas, com lodo ativado vindo da estação de aeração. Após isso, a rotação da unidade se inicia com velocidade de uma a três voltas por minuto, o que cria um fluxo cruzado (cross-flow) na superfície da membrana e previne a formação de camadas biológicas. De forma adicional, a rotação cria turbulências na câmara de filtração e aí gera uma mistura intensa do efluente. Ao mesmo tempo, bolhas de ar grandes são injetadas por um eixo central, mantendo a superfície da membrana mais limpa.

O processo de filtração funciona, de início, com a bomba do permeado criando uma pressão negativa dentro da placa da membrana. A água clarificada, nessa etapa, é succionada através da membrana por uma mangueira de coleta. Os sólidos, germes e vírus que ficam impregnados na superfície das membranas são constantemente removidos pela rotação em cross-flow e pelo borbulhamento de ar. De forma cíclica, depois de cada nove minutos de filtração, a bomba do permeado para por um minuto para permitir uma limpeza intensa da membrana, em um processo chamado de relaxation (relaxação).

Além da unidade na Coteminas, a Neotex já fechou contrato para fazer retrofitting com a tecnologia VRM na indústria têxtil Canatiba, uma das maiores fabricantes de tecido denim do Brasil, em sua sede em Santa Bárbara D’Oeste-SP. Com estação de tratamento de efluentes de lodos ativados em operação desde 1988 – aliás, obra também da Neotex –, sua capacidade atual de 90 m3/h precisará ser aumentada para 120 m3/h em projeto de expansão. “Da mesma forma, vamos usar o VRM para não precisar de mais terreno para a ampliação, além de permitir o reúso dos efluentes pelo cliente, maior estabilidade do sistema e simplicidade operacional”, concluiu Elaine Conchon.

Química e Derivados, Tratamento de Água: Retrofitting ganha força para ampliar capacidade e modernizar ETEs e ETAs
O sistema de membranas planas a vácuo e rotativo dobrou ETE da Coteminas

MBBR – Além da sofisticação do uso de membranas, no mercado de tratamento de água e efluentes, quando se fala em retrofitting uma tecnologia que vem muito em mente é aquela em que reatores biológicos são aperfeiçoados com o uso de peças plásticas (carriers, ou transportadores) para aumentar a superfície de contato, fazendo a biomassa se aderir a elas. Quando bem projetada, essa técnica pode quase duplicar a capacidade de remoção de carga de estações de tratamento de efluentes.

Aliás, esse conceito de retrofitting, por ser aparentemente simples, visto se basear na adição de peças plásticas no tanque biológico, teve até sua reputação abalada pela entrada no mercado de alguns aproveitadores. É o que explica José Corrêa Carmo Jr., consultor técnico da Centroprojekt, empresa de engenharia que possui acordo com a israelense Aqwise para uso da tecnologia de MBBR (Moving Bed Bio-Reactor, ou biorreator de leito móvel) baseada em carriers de plástico especialmente projetados. “Depois que algumas tecnologias chegaram ao Brasil, muita gente passou a cortar conduíte e jogar nas estações, pensando que bastava isso para melhorar o tratamento”, disse Corrêa.

Química e Derivados, José Corrêa Carmo Jr., Consultor técnico da Centroprojekt, Tratamento de Água: Retrofitting ganha força para ampliar capacidade e modernizar ETEs e ETAs
Carmo: uso de carriers amplia remoção de carga

Com casos instalados em indústrias de celulose, onde de anos para cá houve muita expansão produtiva que gerou cargas orgânicas maiores nos efluentes, porém com mesmas vazões (em virtude dos processos estarem racionais no uso da água), o consultor ressalta que o retrofitting precisa ser bem calculado e contar com carriers de boa qualidade. As peças israelenses, segundo diz, aumentam a cada metro cúbico delas adicionadas no tanque cerca de 650 metros de área real de carga. “A biomassa se adere dentro da estrutura dela. Quando fica velha, se desprende, mantendo um ciclo contínuo que pode durar até trinta anos”, completou. Os projetos de enchimento dos reatores com as peças variam de 20% a 70% do volume do tanque.

Segundo Carmo, um bom sistema precisa contar com peças com densidade ideal, que não afundem e nem flutuem no tanque. E isso precisa ser calculado com um projeto de injetores de difusores de ar, com bolhas grossas ou finas, para manter a mistura correta. Ao contrário de sistemas concorrentes, complementa o consultor, o da israelense Aqwise funciona bem com a injeção de bolhas finas, que consomem até 40% menos energia por contar com melhor dissolução de oxigênio. “Mas se o cliente já tiver sistema com bolhas grossas, podemos utilizá-lo também”, disse. Importante ainda para o bom funcionamento é a retenção hidráulica ser dimensionada de acordo com a carga a ser removida.

O investimento nesse retrofitting é bem menor do que o feito, por exemplo, quando se usa membranas, tecnologia que a Centroprojekt também se especializou por meio de parceria com a japonesa Kubota. “Só é necessário um rearranjo do sistema de aeração, para incrementar a vazão de ar”, disse. Tamanha simplicidade está fazendo a Centroprojekt oferecer a tecnologia para companhias de saneamento, sobretudo para as concessionárias privadas que assumem estações públicas antigas e passam a ter metas de ampliação de tratamento de esgotos.

BioBob – Outra OEM ofertando tecnologia de retroffiting de sistema biológico é a Fluid Brasil, de Jundiaí-SP. Nesse caso, a retrofitting conta com parceria com outra nacional, a Bio Proj, de Ribeirão Preto-SP, que desenvolveu um transportador para imobilização celular empregado com suporte de biomassa em sistemas biológicos. Denominado BioBob, de acordo com o gerente-comercial da Fluid, Francisco Faus, o sistema aumenta em até quatro vezes a eficiência do reator, podendo reduzir o tamanho dos tanques em plantas novas  e aumentando a carga tratada em antigos, permitindo tratamentos anaeróbios ou aeróbios ou combinados.

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