Tratamento de Água

Tratamento de Água: Setor sucroalcooleiro quer usar melhor os recursos hídricos

Hamilton Almeida
8 de outubro de 2017
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    O segundo passo trata da caracterização das várias correntes de maneira que se tenha uma visão em perspectiva das suas qualidades relativas. “Em geral, essa informação é apenas estimada nas unidades, mas é um dado que, complementado pelas vazões medidas, permitirá definir onde se deve dar eventual esforço de reaproveitamento, uma vez que correntes com vazões elevadas, porém muito contaminadas, requerem um investimento muito elevado para reutilização. A mesma dificuldade ocorre se a corrente for pouco contaminada, mas com muito baixa vazão”, ressalta Zuntini.

    Assim, investimentos em reaproveitamento de água deverão atender ao balanço entre vazão/contaminação para serem viáveis sob o ponto de vista técnico e econômico. Outro ponto que deve ser destacado, instrui o gerente de produto, é a condição, muito comum no setor, de mistura de vários tipos de condensado (provenientes de vapor de diversas classes de pressão e de origem vegetal), o que reduz a qualidade do fluxo resultante, impedindo sua utilização em processos mais exigentes, como alimentação de caldeiras de alta pressão.

    “Essa vazão deve ser compensada por água de estações de desmineralização, aumentando o volume captado, e em detrimento da eficiência energética. A segregação dos vários condensados, portanto, traz um potencial de ganhos bastante significativo, embora haja dificuldades na sua implementação, dado o investimento necessário para a adequação de linhas etc.”

    Prado pondera que, na produção de açúcar e álcool, existem muitos processos de transferência de energia e a sua otimização tem trazido às usinas ganhos significativos em termos de lucratividade.

    Uma boa parte dessa otimização está relacionada com o núcleo vapor: a melhora da qualidade da água, associada a um tratamento químico e vinculada a um sistema de automação que responda às variações típicas da dinâmica nos processos de geração de vapor, têm trazido ganhos significativos por meio do incremento dos ciclos de concentração nas caldeiras que, consequentemente, impacta na redução do consumo de combustível e descarte de água, além de minimizar o risco de problemas relacionados com corrosão de depósitos neste tipo de sistemas.

    Assim, a recuperação e controle de contaminação dos condensados, além de reduzir a captação de água, também contribui para o aumento da eficiência energética, como um todo.

    Sistemas de resfriamento – Prado enfatiza que as torres de resfriamento são grandes consumidoras de água, devido à evaporação característica desse tipo de sistema. “A tecnologia 3D Trasar, da Nalco Water, conta com tratamento químico de alto desempenho, uma plataforma de automação e gestão de informações em tempo real, e um centro de monitoramento contínuo e remoto (System Assurance Center) que permite a melhor gestão possível do sistema de resfriamento”.

    Acrescenta que, em relação à automação e gestão do tratamento, o dimensionamento adequado do programa químico e o avançado algoritmo de controle da tecnologia 3D Trasar, denominado Nalco Scale Index, permite o incremento ou a diminuição dos ciclos de concentração do sistema de resfriamento em relação ao stress pontual do sistema, podendo diminuir as descargas de água ao incrementar os ciclos de concentração quando exista baixa demanda térmica ou baixa carga de sais minerais na reposição.

    Química e Derivados, Central de monitoramento remoto da Nalco/Ecolab opera 24 horas por dia

    Central de monitoramento remoto da Nalco/Ecolab opera 24 horas por dia

    Nesse contexto, a plataforma Web Nalco enVision permite o monitoramento online de todos os dados dos sistemas dos clientes em tempo real, 24 horas por dia, 7 dias por semana, proporcionando melhor gestão de todo o processo de tratamento de água.

    Considerando que os sistemas de resfriamento são os primeiros candidatos a consumir águas de reúso, dadas as elevadas vazões relacionadas, Zuntini informa que o programa de tratamento para águas de resfriamento deve ser cuidadosamente dimensionado para fazer frente às criticidades, que são muito particulares a cada unidade. Essas podem ser as mais diversas, variando de valores de pH em seus extremos, elevadas quantidades de matéria orgânica e sais, entre tantos outros.

    Portanto, a seu ver, não existe uma única tecnologia que deva ser aplicada em todos os casos, mas diversas, que são indicadas conforme as características únicas de cada situação. Uma coisa, porém, é comum a todas elas: os limites de stress a que estão sujeitas devem ser suficientemente elevados para garantir a sua aplicabilidade, mesmo em condições de grande variabilidade de parâmetros. Essa é outra característica de sistemas abastecidos com águas de reúso, a elevada variabilidade de seus parâmetros físico-químicos e de sua carga orgânica, advinda de variações do processo no qual a corrente de água é gerada.

    Como afirmou Zuntini, também é sabido que tais sistemas são muito propensos a contaminações, inerentes à operação das usinas. Naturalmente, boas práticas operacionais devem ser capazes de reduzir esses níveis de contaminação de processo e avaliações constantes das causas raízes de eventuais ocorrências devem ser discutidas para que não se repitam.

    Além disso, pelo fato de as unidades se encontrarem em ambiente rural, somam-se às contaminações de processo aquelas outras advindas do meio, como alta concentração de poeira (devido à movimentação de veículos de transporte de cana), bagacilhos de cana, entre outros.



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