Tratamento de Água: Economia de utilidades dá o tom nas concorrências

Com o encarecimento da água e da energia, grandes clientes industriais priorizam sistemas com campanhas longas e ciclos altos, favorecendo a adoção de produtos químicos sofisticados com resultados de longo prazo

Para a maioria dos fornecedores de insumos químicos para tratamento de água, o mercado está passando por uma fase de amadurecimento.

Depois de muito brigarem por causa de preço, forçando a redução das margens de lucro nos bons contratos, as principais empresas começam a perceber nos clientes uma tendência de relegar ao segundo plano a questão imediata das propostas, ou seja, o valor da implantação do processo. No entendimento predominante do setor, hoje o critério das licitações e tomadas de preço leva em conta muito mais os ganhos a médio e longo prazos.

De forma mais concreta, isso significa que a preocupação com o preço do quilo de inibidores, dispersantes, antiespumantes, entre outros insumos, tem hoje peso muito menor em comparação com a economia de água e energia conseguida com o sistema. Não por menos, tornou-se prática comum em licitações estipular índices de produtividade almejados. Essas exigências contemplam sobretudo objetivos com o período de campanhas e o número de ciclos de concentração de sais atingidos em torres e caldeiras. Mas ainda engloba o nível de automação dos sistemas e, no caso de algumas indústrias, chega-se até a determinar metas limites para a quantidade de combustível ou água consumida por produto gerado.

Química e Derivados: Tratamento de Água: Mazza agora participa de todas concorrências.
Mazza agora participa de todas concorrências.

Fenômeno recente, a nova forma de encarar o tratamento de água já deveria ter sido compreendida antes pela indústria, tendo em vista a pouca participação do preço dos produtos químicos na conta final. Pelo menos essa é a opinião do gerente nacional da Nalco, Raul Mazza, para quem o gasto com insumos no sistema, mesmo os de última geração, não ultrapassa 3% do custo total de operação. “A água, cada vez mais cara, e a energia, cujo risco de escassez também é real, são as grandes preocupações dos clientes”, diz. “Qualquer pequena redução do consumo multiplica-se em ganhos relevantes.”

Consciente dessa mudança de visão, a Nalco, segundo Mazza, passou a participar de licitações em que antes não comparecia por se basearem no critério do preço mais baixo. Como muitos dos seus produtos são fruto de tecnologia recém-desenvolvida (a empresa consome US$ 80 milhões anuais em pesquisa), e por estarem agregados a sistemas de monitoramento digital, a aceitação de suas propostas, em alguns casos mais caras, cresceu em vários mercados.

Conforme o gerente nacional, a taxa de incremento nas vendas deste ano oscila desde 15% até 20%, dependendo do setor. Aliás, com as incorporações da Adesol e da Kenisur, segundo ele hoje a Nalco lidera o mercado nacional, com participação de 34% do faturamento total de cerca de US$ 150 milhões e cerca de 2% à frente da segunda colocada, a BetzDearborn.

Reuso e reciclo de Água

Um efeito imediato do amadurecimento dos clientes é a maior receptividade a produtos e sistemas com a concepção de reuso, conservação e reciclo de água. Embora a lei nacional de cobrança pelo uso da água captada continue estacionada na burocracia estatal (fala-se na possibilidade de entrar em vigor em 2001), apenas o encarecimento do metro cúbico pelas companhias de saneamento já leva as empresas a terem mais preocupação com o assunto.

Apresentar propostas de economia, e depois provar a eficácia sob um certo período de aplicação, tornou-se ferramenta para tomar clientes dos concorrentes. E o foco principal tem sido o reuso ou a conservação, pois essas alternativas demandam muito menos investimentos em comparação ao reciclo, no qual normalmente se requer equipamentos para tratar a água ou recuperar o efluente. A Nalco, por exemplo, pertencente ao grupo francês Suez Lyonnaise des Eaux, quando percebe ser a alternativa melhor a reciclagem, passa a responsabilidade do serviço para a empresa-irmã Degrémont, especializada em equipamentos e unidades de tratamento.

A outra grande empresa do setor, a BetzDearborn, também se concentra no reuso e conservação, cujas principais vertentes de atuação são a redução de descarte, reaproveitamento de purgas de torres e caldeiras, e a operação com altos ciclos de concentração de sais, usando água de má qualidade. Como sua concorrente global, em caso de necessidade de acoplar algum equipamento para reaproveitamento pode contar com a parceria estratégica mantida com a OTV/US Filter, do grupo francês Vivendi.

Química e Derivados: Tratamento de Água: Fernandes - resistência aos halogênios.
Fernandes – resistência aos halogênios.

Documentação

Para demonstrar os ganhos conseguidos com o reuso e a conservação, e até para usá-los no convencimento de novos clientes, a BetzDearborn instituiu no final de 1999 um programa denominado Proof Not Promisses (provas e não promessas). Com o programa, para todo o cliente, no começo da implantação do sistema, concebe-se uma meta de economia de água. Caso a promessa, após o prazo estipulado, seja cumprida, a BetzDearborn premia o técnico responsável pela conta (um troféu e uma quantia em dinheiro) e também o cliente (apenas o troféu).

De acordo com o gerente de marketing da BetzDearborn, Ricardo Fernandes, desde a instalação do programa já se contabiliza uma economia acumulada em água de US$ 4,5 milhões. Toda a documentação, especificando onde foi conseguida a conservação ou o reuso, fica à disposição de possíveis novos clientes. Com o mesmo princípio, há também a premiação Return On Environment (ROE). Nesse caso, apenas é concedida se o projeto atestar uma diminuição de impacto ao meio ambiente, como, por exemplo, se a empresa deixar de descartar zinco ou dosar menos fosfato no efluente.

Por enquanto, já foram premiadas com o Proof Not Promisses empresas como a Copene, Nitrocarbono, Champion, PQU, Polibrasil Bahia, Rhodia Química e CBA. As quatro primeiras também receberam o ROE. Na Copene, por exemplo, onde a Betz é a responsável pelas torres da Cemap 2 A e 2 B, desde 1998, e pela torre da Cemap 1, a partir de junho de 2000, os ganhos com água nas torres já tratadas há dois anos somam uma economia de 290 mil m3 por ano. Para receber também o ROE, o critério foi a redução de uso de inibidores de corrosão à base de zinco, com a diminuição correspondente de suas emissões em 1 t/ano, bem como a de fosfato (2 t/ano).

Para Ricardo Fernandes, a base dos ganhos está na linha Dianodic Plus de inibidores de incrustação para carbonato de cálcio (AEC, alquil epóxi carboxilado), de dispersante inorgânico (co-polímero sulfonado HPS-1) e de inibidores de corrosão para cobre (HRA, de halogen resistant azois), produzidos há um ano em Sorocaba-SP (a unidade está sendo transferida para Paulínia-SP). Por serem moléculas estáveis a halogênios, podem ser aplicadas em sistemas com alto teor de material orgânico e demanda química de oxigênio (DQO) elevada, que demandam muito cloro para desinfecção, sem perderem a eficácia. A outra alternativa para combater a água com muita contaminação microbiológica, sem afetar os inibidores, seria usar biocidas não-oxidantes em grande quantidade. Mas, nesse caso, o custo do tratamento subiria a ponto de inviabilizar o processo.

“Muitas empresas desistem do reuso e da operação com ciclos altos de concentração para não gastar muito com biocidas e porque, se aumentarem a dose do cloro, bastante corrosivo, tornam o tratamento instável com os inibidores convencionais”, afirma Fernandes. Além da resistência aos halogênios, diz o gerente, outras vantagens para aumentar o leque de aplicações desses produtos são a possibilidade de operar com água de alta dureza, o alto teor de sólidos suspensos, a condutividade elevada e sem limite de pH.

Um exemplo de aplicação no qual outros fatores além da resistência aos halogênios foram importantes ocorreu na Rhodia Química, em Santo André-SP. Com água subterrânea com alto teor de ferro, a Rhodia não a aproveitava porque os dispersantes utilizados tinham limite operacional para 3 ppm do metal. De acordo com Fernandes, com o dispersante HPS-1 foi possível alimentar a torre de resfriamento mantendo o ferro solúvel a um nível de até 20 ppm. Aliada à água de poço, a Rhodia também começou a usar efluente industrial e doméstico como make-up da torre e contabiliza US$ 250 mil/ano de economia.

Química e Derivados: Tratamento de Água: Aguiar - mais forte nos clientes médios.
Aguiar – mais forte nos clientes médios.

Contraponto – Outro player importante, a Kurita, não encara a simples documentação dos resultados de economia como a forma mais eficaz de conquistar clientes. Segundo seu superintendente de operações, José Aguiar Jr., até mesmo por uma questão lógica não se pode demonstrar ganhos em uma indústria como se o mesmo pudesse ser feito em outro lugar com características diferentes. “Cada região tem suas peculiaridades e um tipo de processo pode não ter a melhor relação custo-benefício em um local e tipo de indústria diferente”, explica Aguiar. “Aliás, o cliente dificilmente arrisca fazer testes apenas se baseando em cases.”

Também na forma de ofertar suas propostas, a Kurita, de acordo com Aguiar, não compartilha da mesma opinião dos respresentantes da Nalco e BetzDearborn. Não são todos os clientes, diz, a colocar a economia de água e energia como cruciais no sistema. Esse universo estaria mais limitado aos grandes clientes, com consumo extremado de utilidades, caso da petroquímica, papel e celulose e siderurgia. Clientes médios, e até refinarias de petróleo, mesmo também preocupados com o custo, se contentam com programas mais simples, não encarecedores das despesas com torres de resfriamento e caldeiras.

Quando a preocupação é maior com ganhos a longo prazo, com campanhas longas e ciclos altos, cuja economia de água e energia será fundamental, a Kurita oferece os dispersantes Kuriroyal. Trata-se de linha com 16 produtos cujas moléculas podem operar com água mais suja, pH variável, halogenidade, entre outros agravantes. Já para clientes médios, cujo preço baixo ainda é preponderante nas concorrências, os programas oferecidos, mais em conta, são o Kurisour ou o Tower Clean. Há ainda uma linha para grandes clientes, o PPA-Plus, com moléculas um pouco mais simples, em comparação ao Kuryroyal, usada por exemplo em refinarias da Petrobrás, onde a lei 8666 de licitações ainda privilegia o preço.

Essa diversificação nos programas também encontra equivalência na atual carteira de clientes da Kurita. Se no final de 1999 possuía 320 clientes, hoje estão na casa dos 410. Além de figurar em mais segmentos médios no consumo de água, como o automobilístico, farmacêutico, alimentos e químico, também ampliou sua atuação em tratamento de efluentes e caldeiras. Sempre muito centrada em sistemas de resfriamento para grandes empresas, nesses “novos” negócios a Kurita crescerá este ano cerca de 25%, afirma Aguiar Jr.

Outra participação reforçada foi na Petrobrás, na qual a Kurita venceu e renovou algumas contas. Hoje trata o sistema de resfriamento de metade das suas refinarias (cinco unidades), da usina de xisto no Paraná, e ainda no Cenpes, no Rio. Esses bons resultados, somados ao recorde de vendas em dólares em cinco regiões do País (exceto Paraná e Nordeste), compensam a perda de seu principal cliente: a torre da Cemap 1, da Copene, na Bahia.

Presente na central nordestina há 22 anos, em maio de 2000 a Copene convocou nova concorrência (antes do término do contrato), cuja vitória foi assegurada à BetzDearborn. Para o superintendente, por antes ter diversificado sua clientela, o impacto foi plenamente absorvido. Não por menos, em 1983 a Copene representava 70% do faturamento da Kurita, mas hoje não ultrapassava os 10%. Aliás, neste ano a empresa deve fechar com receita de US$ 16,2 milhões, frente aos US$ 15 milhões de 1999.

Novos produtos – Embora haja consenso de o produto químico representar pouco do custo final do tratamento de água, novos desenvolvimentos e a nacionalização da produção da maior parte dos polímeros consumidos no Brasil continuam a atrair a atenção do mercado sobre os insumos. Não faltam novidades brotando dos centros de pesquisa das grandes companhias, agora mais rapidamente lançadas e/ou produzidas no Brasil, e há também iniciativas interessantes, em termos de produção, em empresa nacional ainda preservada do furor comprador dos grandes grupos franceses ou americanos.

Para começar pelos lançamentos das transnacionais, a Nalco está promovendo uma série de seminários técnicos pelo País para mostrar suas novas linhas. Para tratamento interno de caldeiras, os dispersantes NexGuard (co-polímero acrílico sulfonado) prometem maximizar os ciclos de concentração de sais de 10 para até 20, sobretudo por não permitir a precipitação de acrilato de cálcio na água. A formação desse agente incrustante é muito comum em caldeiras em razão de fugas de cálcio e magnésio da desmineralização ou do abrandamento anterior, que precipitam junto com os polímeros convencionais. “Esses novos dispersantes podem estar na água sem precisar ter relação estequiométrica com os sais”, afirma o gerente de distrito da Nalco, Valmor Alves.

Ainda em aplicações-teste, o NexGuard se apresenta em duas formulações. A 22300 é recomendada para sistemas operando na faixa de pressão de 600 a 1.000 psi (41 a 69 bar), onde se requer estabilidade térmica. Além de ser apropriada para caldeiras com essas pressões, também visa atender equipamentos com fugas de dureza elevadas ou com problemas de decomposição do polímero em razão de oxigênio dissolvido. O outro grade, o 22310, com as mesmas características, é para caldeiras com pressão até 600 psi.

O co-polímero possui ainda estabilidade superior ao oxigênio e maior resistência térmica em comparação aos polímeros acrilatos comuns (em pressão de 600 psi e pH 11 tem vida média de 558 horas contra 182 horas dos acrilatos). Outra vantagem apontada por Valmor Alves nesses polímeros é eles serem conjugados com os traçadores por fluorescência Trasar. Isso permite o controle da dosagem correta do polímero por meio de monitoramento on-line e controle automático, possível de ser feito inclusive com aparelho portátil à bateria.

Outra novidade da Nalco, um inibidor de corrosão (com princípio ativo mantido em segredo), visa atender o tratamento de sistema de condensado de caldeiras Trata-se do ACT (Advanced Condensated Treatment), cujas principais características consistem em não provocar mau odor (como as mais usadas aminas) e criar uma barreira física no metal contra os agentes corrosivos. Essa propriedade, aliada à não toxidez e à não geração de voláteis orgânicos, torna esse inibidor apropriado para aplicações na indústria de alimentos. Com ponto de combustão superior a 200º C, também tem a vantagem de não requerer controle de pH e de ser aplicado direto no vapor por meio de injetor ranhurado.

Química e Derivados: Tratamento de Água: Hanssen - poliaminas ampliam uso no País.
Hanssen – poliaminas ampliam uso no País.

Quando em breve começarem a ser comercializados, os novos produtos da Nalco serão produzidos na unidade de Suzano-SP, a qual recentemente passou de uma capacidade de 24 mil t/ano de polímeros para 40 mil t/ano. Além desses polímeros, faz parte ainda dos lançamentos a nova versão do traçador por fluorescência Trasar, versão 3000, cujo preço foi reduzido para também tornar-se acessível a sistemas de pequenas vazões.

Há mais novidades. Para começar, a Kurita está lançando um novo seqüestrante de oxigênio, substituto para a hidrazina, a aminopirrolidina, de menor toxidade. Para controle, a empresa a partir de 2001 comercializará um sistema de monitoramento de dosagem para dispersantes, o Aquacon PA, analisador on-line das formulações presentes no circuito e que envia sinais para o bombeamento conforme a necessidade.

Também a BetzDearborn possui novas alternativas para controle e sistemas para caldeiras. Seu BPS (boiler precision system) promove controle automático de pH e de teor de fosfato para caldeiras de alta pressão, no qual produtos líquidos como os dispersantes para ferro e cobre também são dosados de acordo com o necessário. A indústria de papel e celulose tem sido receptiva ao controlador. Ainda para caldeiras, a empresa intensifica a venda dos seqüestrantes de oxigênio hidroquinona, para substituir a mais carcinogênica hidrazina.

Poliaminas alastram

Por falar em fosfatos e hidrazinas para caldeiras, uma tecnologia substituta para combater corrosão e incrustação, a das poliaminas alifáticas, lançada há um ano no Brasil pela empresa de origem suíça Helamin teve desempenho comercial dos mais satisfatórios.

Pelo menos essa é a visão do diretor da empresa, Christian Hanssen. Nesse curto período, a empresa conseguiu fechar 15 grandes negócios e hoje já fornece 4 t/mês de suas formulações à base de polialquilaminas tensoativas de cadeia  longa e polieletrólitos aniônicos.

Com ação responsável pela formação de uma película protetora, contra os sais, na superfície metálica, essas poliaminas foram empregadas no Brasil em 70% dos casos em tratamento de caldeiras e os outros 20% em torres de resfriamento e 10% para circuitos fechados de água gelada. Substituem os dispersantes inorgânicos fosfato e sulfito, e os seqüestrantes de oxigênio, principalmente a hidrazina e a hidroquinona, mas também as mais recentes carboidrazina e a morfolina. “Mesmo sendo essas alternativas à hidrazina e à hidroquinona menos prejudiciais, elas são termicamente instáveis e geram ácidos orgânicos corrosivos, como o acético”, afirma Hanssen.

Conforme o gerente da Nalco, Valmor Alves, porém, as aminas, e todos os seus derivados, por possuírem molécula de nitrogênio na cadeia, também podem ser consideradas tóxicas.

Entre os clientes indústrias químicas de grande porte, como Clariant e Bayer, mas ainda presente nos setores de alimentos, papel e celulose, têxtil, fertilizantes e açúcar e álcool, Hanssen diz que a metade deles já deixou de lado completamente os sistemas tradicionais e a outra metade está fazendo uma troca paulatina. Custando cerca de R$ 20 o quilo, o produto é dosado em quantidades modestas, entre 3 ppm e 20 ppm, cerca de um terço do necessário nas aplicações de fosfato, por exemplo. Portanto, segundo o diretor, o preço não tem sido impeditivo.

Uma alternativa em crescimento para as poliaminas é a passivação de equipamentos para proteção contra magnetita, o óxido de ferro formado pela reação entre água, ferro e temperatura elevada. Problema sobretudo de caldeiras de alta pressão, visto que a desmineralização anterior ao make-up de caldeiras não livra a ocorrência dessa corrosão uniforme do óxido de ferro, a magnetita pode ser evitada sem precisar das usuais paradas para lavagem ácida.

No caso da solução da Helamin, explica Hanssen, bastam duas operações prévias com a dosagem apropriada de poliaminas catiônicas e poliacrilatos aniônicos, por períodos de 24 horas cada e sob 80% da pressão de trabalho. Após isso, a formulação influencia a solubilidade da magnetita, formando apenas uma película bastante fina e hidrofóbica, a qual, ao invés de prejudicar o metal, acaba por protegê-lo. Além desse enfoque de passivação, a empresa no Brasil pretende intensificar suas vendas para o mercado petroquímico.

Química e Derivados: Tratamento de Água: Degan - produção local de polímeros.
Degan – produção local de polímeros.

Polímero nacional – Nesses tempos de desnacionalização do setor, cujas novidades vêm sempre do Exterior, vale a pena ressaltar a atuação da Art Aratrop, produtor naiconal de monômeros e polímeros acrílicos em Jardinópolis-SP, integrada à região rica de Ribeirão Preto. Não pela exclusividade da produção, visto Nalco e outras também terem as mesmas linhas no Brasil, mas por ter conseguido enveredar por tecnologias não tão simples sem contar com o feedback de uma matriz endinheirada e, muito menos, o apoio governamental com seus quase inexistentes financiamentos para as pequenas e médias empresas.

Fundada em 1982, em São Paulo, como distribuidora da Petrobrás, quando ainda era apenas Aratrop, há quatro anos a empresa foi para Jardinópolis para se fixar no mercado no qual vinha mais se desenvolvendo: o de açúcar e álcool. Durante um ano continuou apenas a formular e produzir polímeros para processo e tratamento de água para as usinas. Mas no ano seguinte começou a projetar unidade produtiva do floculante-coagulante PAC (polialumínio clorado) e outra para o monômero de acrilamida. A primeira ficou pronta em seis meses e a segunda, em mais um ano. As iniciativas fizeram a empresa se interessar em expandir seus negócios para outros segmentos, sobretudo o de tintas e o de tratamento de água, e a começar a produzir poliacrilamidas.

A unidade de PAC parte das misturas em reatores distintos da alumina em pó com ácido muriático, formadora do cloreto de alumínio, e da mesma alumina com soda 50% líquida, a qual resulta o aluminato de sódio. Os dois ingredientes são polimerizados em outro reator, junto com barrilha leve, para formar o PAC, também possível de ser fornecido aditivado com polímeros aniônicos e não-iônicos com baixo peso molecular para reforçar seu poder floculante.

Química e Derivados: Tratamento de Água: Unidade de polímeros (à esq.) da Aratrop - 15 t-dia.
Unidade de polímeros (à esq.) da Aratrop – 15 t-dia.

O PAC pode ser empregado em qualquer separação líquido-sólido, desde processo de produção de açúcar, papel e celulose, até em tratamento de água e efluentes. Segundo o diretor-presidente da Art Aratrop, José Vagner Degan, porém, nessas últimas aplicações ganha mais força, sobretudo em grandes empresas interessadas em substituir floculantes convencionais, como o sulfato de alumínio, cloreto férrico ou sulfato férrico.

Conforme ele, além de reduzir a formação de lodo, não gerar residual metálico, o PAC também não altera o pH da estação de tratamento, dispensando cal, barrilha e outros produtos para estabilização. A atual capacidade de produção da unidade é para 300 t/mês, mas até março de 2001 chegará a 1.000 t para atender contratos de fornecimentos já fechados.

Já a unidade de monômero de acrilamida foi fundada há pouco mais de um ano. Seu objetivo, em uma primeira fase, foi tirar a dependência de compra de monômero em pó para as formulações de dispersantes, antiincrustantes e outros polímeros fornecidos até então. Depois de pronta, sob um projeto que contempla a reação da acrinolinitrila da Acrinor, de Camaçari-BA, com água, o catalisador de cobre metálico e os inibidores de polimerização (cobre iônico ou monometil éter hidroquinona), a produção de 100 t/mês visou apenas as formulações da própria Aratrop.

A partir da metade deste ano, porém, uma alta demanda dos mercados de tintas e vernizes, mas também de água, fez a empresa triplicar sua produção, batendo nas 300 t/mês. “Antes, os clientes ficavam na dependência de um único produtor local (Adecom) e da importação do monômero em pó, e quando tomaram conhecimento da nossa unidade, passaram a nos visitar e a fazer pedidos seguidos”, explica Degan.

Daí para partir à unidade de polimerização, e finalizar uma primeira etapa de investimentos em produção de US$ 2,5 milhões, foi um pulo. Inaugurada em outubro, contempla três reatores, um de pré-preparo, o de polimerização e o último para ativação. Com capacidade para 15 t/dia (3 bateladas), pode produzir polímero aniônico (acrilamida + ácido acrílico), não-iônico (acrilamida em emulsão) e o catiônico (acrilamida + um derivado do ácido acrílico com caráter catiônico, o Adanquat, da francesa Elf Atochem).

Os monômeros e polímeros próprios, diz Degan, tornam a empresa mais forte para, no próximo ano, dobrar o faturamento atual de R$ 12 milhões para R$ 25 milhões. “Além de estarmos mais competitivos, produzindo nossas matérias-primas, também devemos nos consolidar como fornecedor até mesmo para concorrentes nos setores de água e em processos industriais”, afirma. Isso porque a nacionalização da produção, sobretudo quando se fala no câmbio de volta à realidade brasileira, interessa inclusive aos grandes grupos estrangeiros.

Tabela com empresas que realizam tratamento de água nos estados

Nalco finaliza reestruturação

A partir de 2001, a Nalco do Brasil passará a ser só Nalco. Pode parecer redundante, mas é isso mesmo. As adquiridas Adesol (posteriormente renomeada Adecom) e Kenisur perderão suas logomarcas e serão absorvidas pelo grupo de origem americana já há uns dois anos sob controle dos franceses da Suez Lyonnaise des Eaux.

A perda dos nomes foi apenas a conclusão de uma reestruturação iniciada com a onda de aquisições promovida pelo board das multinacionais. Isso porque os clientes, a mão-de-obra (85% foi mantida) e as poucas tecnologias preservadas das duas empresas já estavam absorvidas nas divisões estruturais da Nalco, que por sinal também foram remodeladas.  Agora o negócio de água da Nalco, nome mundial que servirá como o braço de produtos e sistemas químicos da Suez Lyonnaise des Eaux, se divide em quatro áreas: municipal; industrial (papel e celulose, petroquímica, siderúrgica e refinarias); Unisolv (famacêutico, bebidas, grãos, cosméticos); e Watergy (conforto, prédios, hospitais, ar condicionado).

A Adecom, forte em indústria em geral, mas também atuante em municipalidades, foi absorvida pelas três primeiras divisões. Já a Kenisur, cuja participação maior sempre foi no mercado institucional, concentrou-se mais na divisão Watergy. Um outro sinal da total incorporação das empresas foi o descontinuamento da fábrica de emulsões poliméricas da Adesol, em Ribeirão Pires-SP, fechada por não atender às exigências mínimas de segurança e de controle de instrumentação da matriz americana da Nalco.

Aliás, essa movimentação estrutural pela qual passou a Nalco pode se repetir em breve por sua principal concorrente. O presidente mundial da Hercules, empresa-mãe da BetzDearborn, Thomas Gossage, anunciou em novembro a intenção de colocar o grupo à venda ou de procurar um sócio com bom cacife econômico e estratégico.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.