Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de Água – Controle automatizado melhora desempenho das especialidades químicas

Marcelo Furtado
13 de setembro de 2012
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    A Ashland já instalou uma unidade com BAC na produtora de metanol GPC Química, no Rio de Janeiro, onde se utiliza água de alimentação de torre com muita contaminação orgânica, proveniente de reúso. “Eles dosavam muito hipoclorito e isso ocasionava uma alta corrosividade aos equipamentos”, relatou Aguirre. Biodegradável, o produto deve ser especialmente indicado para torres com ciclos altos de concentração de sais. Mais caro do que produtos concorrentes, sobretudo o cloro, sua relação custo/benefício nesses casos pesará a seu favor, na opinião do diretor.

    Dióxido de cloro – Um outro biocida oxidante que concorre em alguns casos com o cloro é o dióxido de cloro, introduzido há mais tempo no Brasil para sistemas de resfriamento, mas que na opinião dos próprios fornecedores da área ainda não deslanchou comercialmente nessa aplicação. É o que pensa o gerente da divisão Purate da Akzo Nobel, José Gobbi, que fornece a tecnologia pela rota do clorato de sódio com peróxido de hidrogênio em reação com ácido sulfúrico in-situ. Segundo explica, no Brasil, as indústrias ainda não foram totalmente convencidas daquilo que ele considera como as principais vantagens do dióxido de cloro como biocida oxidante de torres. Em primeiro lugar, a possibilidade de dosagem por períodos muito curtos, de três a quatro horas de dosagem, ao contrário do hipoclorito de sódio, que precisa ser dosado 24 horas.

    Química e Derivados, José Gobbi, Gerente da divisão Purate da Akzo Nobel, Tratamento de Água

    José Gobbi: dióxido de cloro poderia diminuir uso de químicos

    “A ação oxidante forte do ClO2, além de proteger o sistema e melhorar a qualidade da água, diminui a necessidade de outros produtos, como biocidas não-oxidantes e inibidores de corrosão”, disse. Para ele, há um interesse muito forte dos fornecedores de todas as gamas de produtos usados para tratar a água de torres para não deixar a tecnologia se difundir, em detrimento do que ocorre na Europa, por exemplo. “O uso dele reduziria a venda desses produtos, o que pode não ser agradável para os tratadores”, disse. Gobbi ressalta ainda que a rota do clorato de sódio não gera cloretos – como ocorre com a rota do clorito de sódio com hipoclorito de sódio e ácido clorídrico, comercializada pela Clariant –, mas apenas pequenas quantidades, inofensivas ao sistema, de sulfato de sódio, ao contrário dos corrosivos cloretos.

    Essa reticência do mercado de resfriamento industrial faz a Akzo Nobel ter mais esperanças em outros potenciais segmentos, como, por exemplo, o de potabilização de água. Isso porque no final de 2011 saiu nova portaria (2914), do Ministério da Saúde, que incentiva o uso de tecnologias como o dióxido de cloro, para principalmente evitar a formação de trihalometanos durante a pré-oxidação de água usada para potabilidade. “Ela está incentivando o estudo e o uso do ClO2 como pré-oxidante, já que, ao contrário do cloro, ele não forma com matéria orgânica os THMs”, disse. A alternativa aí inclui a chamada dupla barreira, onde na desinfecção o cloro gás complementa o tratamento da água potável. Segundo estimativas de Gobbi, há 40 geradores de dióxido de cloro da tecnologia Purate em operação no Brasil, dos quais poucos em torres de resfriamento, como é o caso da Refinaria de Capuava, em Mauá-SP, da Revap, em São José dos Campos-SP, ainda não instalado, e do Aquapolo, na ETE ABC.

    Outras tecnologias – Apesar de os sistemas de automação e produtos para o mercado de resfriamento serem mais diversificados tecnologicamente, há algumas novidades em outras áreas. A Kurita, por exemplo, para a área de polieletrólitos para tratamento de efluentes, internalizará no mercado brasileiro em breve o sistema Kurisonic, uma espécie de sonar imerso dentro de decantadores. Com uma câmera, o sistema analisa e mostra em um computador como está a floculação. “O técnico vê as partículas se formando e percebe se há algo de errado, mudando a dosagem se for necessário”, explicou Aguiar. O sistema já está no Brasil e em breve será instalado em algum cliente para teste de campo.

    Outro sistema interessante em lançamento é o Sonoxide, da Ashland. Trata-se de sistema por ultrassom e bolhas de ar com a capacidade de colapsar o metabolismo de bactérias, uma opção para controle microbiológico em torres pequenas e médias e outros processos. “Ele não desinfeta, é bom ressaltar, apenas impede o crescimento das colônias”, explicou Aguirre. Pode ser empregado em sistemas menores, sem contaminação, e apenas deve ser submetido depois de análise criteriosa com kits microbiológicos para se averiguar a possibilidade de uso.

    Há 600 unidades instaladas no mundo, algumas delas em conjunto com biocidas e pelo menos uma delas no Brasil, na unidade de pneus da Bridgestone-Firestone, em Santo André-SP. “A borracha é sensível ao uso de biocidas; e com a tecnologia o processo melhorou muito”, complementa.

     



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