Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de Água – Controle automatizado melhora desempenho das especialidades químicas

Marcelo Furtado
13 de setembro de 2012
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    Já bastante empregado no Japão, onde tem obtido resultados satisfatórios, as demais subsidiárias, como na Alemanha, Estados Unidos e Brasil, foram notificadas a introduzir nos respectivos países as tecnologias. No Brasil, a intenção é até outubro colocar um sistema para operar em um grande cliente, para servir de primeira experiência local. “Sabemos que para fazer o investimento precisa ter retorno, não dá para colocar em todos os clientes. Operações críticas, que demandam controle mais apurado, com grande consumo de água, serão os alvos”, disse.

    Mas o fato de o foco do S. Sensing AIO ser mais para grandes clientes (não custa lembrar que a Kurita é muito forte no tratamento de torres de resfriamento de refinarias de petróleo, siderurgia e petroquímica em geral) não significa que a empresa não esteja preparando novidades para o mercado de indústrias médias. Uma tecnologia recentemente comunicada pela matriz japonesa, com propósito de globalização, é o Sun Catch. Trata-se de inovador sistema baseado em coletor solar para acionar dosadores em torres médias e pequenas. “A célula solar fica no topo da torre conectada aos dosadores. O sistema é projetado para continuar a funcionar por até 15 dias sem sol. O equipamento é pequeno (21 cm X 30 cm X 26 cm), fácil de instalar, econômico e, principalmente, não demanda o emaranhado de fios para funcionar”, explicou. Nesse caso, o ideal é agregar o Sun Catch com o produto multipropósito Tower Clean NT, que age com uma única formulação contra os três parâmetros principais de controle (corrosão, incrustação e microbiologia). Indústrias como a de alimentos e bebidas, por exemplo, seriam ótimas clientes da tecnologia.

    De olho no residual – A outra norte-americana também confiante na ascensão dos sistemas de controle, a GE Water and Process, divulga o equipamento medidor de residual de produtos denominado True Sense, que, segundo o diretor comercial da subsidiária brasileira, Fernando Uebel, é ofertado para tratar torres de resfriamento como uma plataforma que inclui ainda produtos da linha GenGard, uma molécula de polímero dispersante tolerante ao stress, e ainda biocidas (bromo ou cloro) e inibidores de corrosão de ortopolifosfato. “Nós medimos o residual dos produtos on-line, o que significa que podemos saber se eles estão sendo dosados suficientemente para combater os efeitos nocivos da água ao sistema. Caso haja descompasso, e tenha residual a mais ou a menos, ele regula o tratamento”, disse Uebel.

    “Se houver uma contaminação por alumínio, por exemplo, o analisador de residual do polímero vai sinalizar que houve queda do produto para combatê-lo. Automaticamente o sistema vai regularizar e ajustar a dosagem do dispersante”, disse. O mesmo ocorrerá se houver ferro ou cálcio na água, haverá a precipitação com o fosfato do inibidor de corrosão, gerando os agentes incrustantes. O sistema tem condições de regularizar todas essas hipóteses comuns no dia a dia do tratamento medindo o residual dos produtos.

    Para Uebel, um grande trunfo para operar com o True Sense de forma mais efetivamente complexa, também levando em conta os insumos químicos, é conjugar o tratamento com os dispersantes resistentes aos halogênios, em específico o cloro, o mais barato e ainda o mais eficaz na sua opinião para o controle microbiocida. “Toda a linha do GenGard é resistente, acabando com um grande problema do tratamento de torres: o ataque do oxidante aos outros produtos utilizados para condicionar a água no sistema de resfriamento”, disse. “O cloro oxida tudo, não só os microrganismos, mas os dispersantes e os inibidores de corrosão, o que foi sempre um desafio para os tratadores”, disse. Na sua opinião, além da solução tecnológica ter evitado que a GE partisse para o uso de oxidantes mais caros, também garantiu aos clientes a proteção à formação da Legionella, evitada com mais de 0,5 ppm de cloro livre na água. Quanto ao fato de o cloro deixar o nível de cloretos alto, prejudicial corrosivamente em aços inox, Uebel afirma que esse problema pode ser evitado mantendo o sistema limpo, sem depósitos.

    BAC – Se a saída para a GE continuar a usar o cloro como biocida oxidante nas torres de resfriamento foi tornar seus insumos resistentes ao halogênio, a Ashland pretende divulgar com mais força no Brasil uma nova alternativa de oxidante. Trata-se da cloramina ativada por brometo (BAC), formada pela reação controlada da solução de brometo de amônio (NH4Br) com um hipoclorito de sódio, em um processo patenteado pela empresa. A reação é: NH4 + NaOCl ? [NH2Cl] Br + Na+ + H2O.

    O oxidante é gerado in-situ com equipamento próprio. Seu principal diferencial, segundo explica o diretor José Armando Píñon Aguirre, é o alto poder biocida aliado ao baixo poder de oxidação, o que em outras palavras significa que o produto debela com eficiência a matéria orgânica com uma taxa de corrosão muito baixa. Por ser um oxidante moderado, que não participa das reações colaterais indesejadas (sem ser consumido pela demanda tradicional no sistema), ele não precisa de uma alimentação constante e elevada. “Além disso, ao contrário de oxidantes fortes do mercado, o BAC não reage prontamente com os contaminantes de processo na água de resfriamento”, completou Aguirre.

    Química e Derivados, Magno Meliauskas, Gerente regional de vendas da Ashland, Tratamento de Água

    Magno Meliauskas: controle evita desperdício e desproteção de sistemas críticos

    Mais tecnicamente, o controle microbiológico do BAC é atingido em um ORP (potencial de oxidação e redução) menor; e assim o controle corrosivo também é melhorado. Para sistemas de recirculação de torres de resfriamento, o ORP menor, de até 275 mV, contra mais de 500 mV de oxidantes fortes, minimiza a corrosão. “Os oxidantes tradicionais são ineficazes no ORP do sistema menor do que 400 mV para valores de pH neutro ou alcalino”, acrescentou Meliauskas. A cloramina ativada com brometo demonstrou ser eficaz para algas e para bactérias sésseis como as planctônicas (incluindo a espécie Legionella) no ORP inferior. Além disso, a faixa de pH para o BAC pode ser mais abrangente, de ácida a alcalina.



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