Meio Ambiente (água, ar e solo)

Tratamento de Água – Controle automatizado melhora desempenho das especialidades químicas

Marcelo Furtado
13 de setembro de 2012
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    Sistema de controle baseado nas taxas dos parâmetros torna a operação mais racional e econômica, na opinião de Magno Meliauskas, o gerente regional de vendas da Ashland. Isso porque a dosagem dos produtos é regulada conforme a necessidade. “Quando as taxas caem, em determinada fase do tratamento, os produtos são menos dosados, evitando desperdício”, disse. Essa tendência no mercado vem no contraponto do que até pouco tempo era divulgado como o mais avançado para controlar as dosagens: a tecnologia de traçantes fluorescentes, que são  agregados em percentuais pequenos aos químicos empregados, para assim um equipamento de medição atestar que a “receita” se mantém contínua, conforme o determinado para a operação.

    “Os traçantes apenas medem e garantem que os produtos estejam sendo dosados como proposto, não controlando o desempenho de acordo com as variações da água. Isso não só pode causar desperdício, quando se dosa a mais, mas principalmente pode deixar o sistema desprotegido quando há a necessidade de aumentar a dosagem, hipótese perigosa para um grande sistema”, explicou Aguirre. “A tecnologia por traçantes não muda o tratamento quando necessário”, disse.

    Química e Derivados, Norris Johnston, Gerente de aplicações e desenvolvimento da matriz norte-americana da Ashland, Tratamento de Água

    Norris Johnston: conhecimento do processo incorporado à lógica do controle

    Embora a Ashland tenha sua própria versão do traçante (tendo em vista que a patente da Nalco, proprietária da tecnologia Trasar, já expirou), a empresa não coloca a tecnologia como foco. “Usamos os traçantes em alguns casos não muito críticos, sem variações e com ciclos baixos de concentração. Mas toda a nossa pesquisa e a estratégia comercial estão voltadas para difundir o uso do PBC e, em breve, para um aperfeiçoamento da tecnologia, o KBC (Knowledge Based Control, ou controle baseado em conhecimento)”, revelou o gerente de aplicações e desenvolvimento da matriz norte-americana da Ashland, Norris Johnston.

    O KBC consegue confrontar as diversas informações coletadas pelo monitoramento on-line para provocar alterações nas dosagens para melhorar o desempenho. Isso é possível não só por causa do controle on-line das taxas de corrosão, incrustação e de lama biológica, mas também porque o conhecimento acumulado do sistema em tratamento foi incorporado à lógica de controle. Isso significa, por exemplo, que, ao detectar aumento da taxa de corrosão e de incrustação em um sistema de resfriamento, o equipamento tem condições de compreender que o problema está na verdade no controle biológico, cuja dosagem do biocida pode estar sendo feita em demasia. Um ajuste na aplicação do produto, e não do anti-incrustante ou do inibidor de corrosão, solucionaria a questão. Segundo Johnston, somente incorporando os dados de conhecimento adquirido do sistema, por meio de novos algoritmos da automação do controle, é que se tornam possíveis manobras desse tipo no tratamento. Bom ressaltar que ainda os dois sistemas não foram introduzidos no Brasil (o KBC está em fase final de patente internacional), mas em breve serão adotados em grandes contas da Ashland, hoje muito forte em clientes da indústria de celulose e papel e com planos e em início de disputa de contas na petroquímica.

    All-in-one – A Kurita também está para introduzir no mercado brasileiro um sistema semelhante de gerenciamento de tratamento: o S. Sensing AIO (all-in-one). Trata-se de modelo também para grandes unidades de resfriamento. De acordo com o superintendente da Kurita, José Aguiar Jr., o sistema mede todas as variáveis da água, desde pH, condutividade elétrica, cloro e a dosagem de polímeros, dispersantes e inibidores de corrosão. E o melhor: ele verifica as taxas de corrosão e de incrustação de lama biológica. “Automaticamente ele corrige on-line qualquer alteração e pode, por telemetria, avisar os engenheiros por celular sobre as variáveis alteradas”, explicou.

    Química e Derivados, José Aguiar Jr., Superintendente da Kurita, Tratamento de Água

    José Aguiar Jr.: sistema AIO mede todas as variáveis e corrige problemas on-line

    O sistema inclui sensores de controle da Kurita com linhas colorimétricas, pré-tratamento por filtragem das amostras e uso de um reagente só. “Isso permite que os instrumentos fiquem até seis meses sem calibrar, o que é necessário apenas quando há troca de equipamentos”, explicou. Segundo Aguiar, o AIO é o único sistema do mercado cujos equipamentos são totalmente integrados. Além disso, uma webcam permite a visualização remota no tubo de amostra. O equipamento normalmente é instalado no local de retorno da água para a torre, onde há consumo elevado de água.



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