Logística, Transporte e Embalagens

Transporte: Transporte químico combina modais para cortar custos

Marcelo Fairbanks
3 de fevereiro de 2001
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    Na opinião do consultor Nelson Bindi Filho, muitas transportadoras ainda falham no planejamento interno de atividades. “Em geral, essas empresas possuem departamentos de manutenção e de operação que não conversam entre si, são até antagônicos”, explicou. O ideal é conjugar as atividades, de modo a contar com manutenção excelente aliada à ocupação máxima da frota. “O planejamento integrado precisa envolver também o treinamento dos motoristas, prevendo os dias nos quais eles precisam parar para reciclagem e atualização de conhecimentos, hoje uma necessidade para quem opera com cargas químicas”, informou.

    No campo da segurança, o consultor recomenda investir em infra-estrutura de apoio nas principais rotas de tráfego, dividindo percursos em trechos com pontos de checagem pré-establecidos. “Dessa forma é possível atuar com rapidez no controle de emergências, como acidentes, e também prestar socorro mecânico de qualidade, uma das deficiências das estradas brasileiras”, disse.

    Abiquim padroniza processo de seleção

    Aguarda definição de data para lançamento o Sistema de Avaliação em Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade em Prestadores de Serviços de Logística (Sassmaq), nos módulos de transporte rodoviário e terminal marítimo, elaborados pela comissão de transportes da Abiquim. O trabalho reflete o esforço da associação para prestar serviços a seus membros e também complementar atividades previstas no programa de Atuação Responsável, sob a rubrica de Código de Transporte e Distribuição.

    “As empresas precisam qualificar cuidadosamente as transportadoras para reduzir riscos e tornar mínimos os efeitos em caso de acidente”, afirmou o coordenador da comissão César Francisco Garcia. Cada empresa química, em geral as de grande porte, possui padrões próprios de seleção e avaliação de prestadores de serviços. No entanto existe um núcleo comum de dados que pode e deve ser compartilhado, a fim de agilizar os procedimentos seletivos e reduzir custos, tanto para a indústria química, quanto para as transportadoras, que ficariam dispensadas de apresentar a cada cliente os mesmos relatórios básicos. “O sistema não elimina os padrões específicos de segurança de cada empresa ou produto, mas permitirá gerar uma base de dados geral, além de homogeneizar os procedimentos de avaliação”, explicou.

    A Abiquim cotejou vários sistemas internacionais e adotou como modelo de partida o elaborado pelo Conselho Europeu da Indústria Química (Céfic), adaptando-o às condições brasileiras. Em linhas gerais, o sistema foi dividido em módulos, sendo o primeiro voltado para o transporte rodoviário, o mais usado no País. Esse módulo constitui-se de dois questionários de preenchimento obrigatório, o primeiro versando sobre aspectos gerenciais da empresa de transportes, e o segundo sobre as operações rodoviárias propriamente ditas. “São mais de 500 perguntas com respostas padronizadas”, comentou Mirtes Suda, assessora técnica da Abiquim, participante do projeto.

    As perguntas compreendem itens mandatórios que, se não atendidos, bloqueiam o andamento do processo, impedindo a inclusão da transportadora no banco de dados até auditoria futura, realizada com intervalo mínimo de seis meses; indicações gerais da indústria, compreendendo aspectos geralmente adotados pelas companhias brasileiras; e os itens desejáveis pelo setor.

    Uma vez lançado o programa, as transportadoras interessadas em participar devem solicitar avaliação no Sassmaq. A entidade indicará entidades certificadoras já preparadas pela própria Abiquim para aplicar os questionários e verificar in loco a coerência com a realidade da empresa solicitante. Esse serviço será remunerado diretamente à certificadora escolhida, sem intervenção da Abiquim. Concluído o procedimento e, portanto, satisfeitos os itens mandatórios, a transportadora recebe o questionário auditado, enquanto à Abiquim é enviado o certificado de conclusão do trabalho. “Com isso, o nome da empresa fará parte de um banco de dados, aberto aos associados”, disse Garcia. Caso algum deles precise contratar uma transportadora, pode consultar os nomes no catálogo e solicitar às empresas escolhidas o envio do questionário, verificando se atendem às suas necessidades básicas, para depois verificar as exigências específicas.

    Garcia acredita que mesmo as empresas de maior porte do setor usarão o sistema, porque os questionários de avaliação são até mais abrangentes que os procedimentos existentes. Já as empresas de pequeno e médio porte, para as quais o custo de manter sistemas próprios de auditoria é impeditivo, aparentemente têm mais a ganhar com o Sassmaq. “Quem atua com produtos de alto risco vai continuar exigindo mais dados, mas quem está no médio ou baixo riscos podem até dispensar providências adicionais”, afirmou. Ele salientou que o sistema não prevê a inclusão de transportadores autônomos independentes, mas apenas os vinculados a transportadoras.

    Garcia informou que o sistema já passou por testes-piloto com a participação de duas transportadoras (Gafor e Luft), duas certificadoras (SGS e BVQi) e de técnicos da Abiquim. Isso permitiu ajustar os questionários e acertar os procedimentos.

    Outro módulo do Sassmaq em desenvolvimento é de terminais marítimos. “Nesse caso, nós adotamos integralmente o modelo do Chemical Distribution Institute (CDI), ligado ao Céfic”, explicou o coordenador. As auditorias serão feitas por inspetores acreditados pelo CDI, dispensando a figura dos certificadores. Os relatórios de inspeção somente serão divulgados com anuência do terminal auditado e o banco de dados gerado será disponível apenas para os afiliados do CDI. (MF)



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