Logística, Transporte e Embalagens

Transporte: Transporte químico combina modais para cortar custos

Marcelo Fairbanks
3 de fevereiro de 2001
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    A criatividade da burocracia nacional gera a emissão de documentos variados, que tornam as operações de comércio exterior extremamente complexas. “Não é um bicho de sete cabeças, talvez de cinco”, brincou Uceda. “O maior problema é que as empresas brasileiras têm pouca experiência com essas operações.” A título de comparação, o gerente geral cita o exemplo dos Estados Unidos, onde a mesma fatura usada nas vendas dentro do país é usada para exportação, sem a necessidade de emitir outro documento. “O Brasil precisa simplificar seus procedimentos e popularizar os mecanismos de exportação, até para reduzir o déficit comercial”, recomendou.

    Nas operações internacionais, a Schenker aproveita o poder de compra junto às empresas mundiais de navegação, conseguindo fretes competitivos. “Os produtos químicos apresentam uma dificuldade adicional por exigirem condições especiais de transporte, estabelecidas em normas internacionais de segurança”, disse Marcello Cabianca. Por isso, cada consulta feita pelos clientes precisa ser estudada meticulosamente. A empresa está desenvolvendo sua política de atuação logística com produtos químicos no Brasil. “Queremos participar da cadeia de suprimentos dos clientes, cuidando do transporte, armazenamento e distribuição”, comentou. Segundo Cabianca, embora altamente rentáveis, os fretes de materiais explosivos militares não são aceitos pela empresa.

    Química e Derivados: Transporte: Rosa Polesello - integração dos modais amplia mercado.

    Rosa Polesello – integração dos modais amplia mercado.

    Uma das apostas da Schenker é o fortalecimento das importações de fármacos a partir da evolução do consumo de medicamentos genéricos. Como se trata de produtos de alto valor e baixo volume, pode ser viável usar o modal aeronáutico, uma especialidade da empresa, classificada no grau “A” da Iata, tendo realizado 70 mil embarques via aérea em 1999.

    Rosa Polesello, da Ipiranga Petroquímica, vê na cabotagem a melhor alternativa para atender clientes muito distantes do Pólo Petroquímico de Triunfo-RS. “Esse modal tornou viável atender um cliente estratégico que temos em Fortaleza-CE, apesar da competição com resinas fabricadas na Bahia”, afirmou.

    No entanto, a navegação costeira é uma preocupação constante para a companhia. “Falta comprometimento da empresa de navegação com os clientes”, criticou. Como exemplo, citou o comportamento da América Latina Logística (ALL), operadora ferroviária da malha do Sul do Brasil. “Quando o trem não chega na hora para o carregamento, nós embarcamos as resinas de caminhão e a ferrovia paga o frete”, disse a chefe do departamento de atendimento ao cliente. Já nos navios, os atrasos e os problemas de movimentação de cargas nos portos não são compensados.

    Apesar da preocupação, o uso da cabotagem permite transportar resinas do Sul para Fortaleza a custo 29% abaixo do frete rodoviário entre Salvador e a capital cearense. “Talvez seja preciso ter um armazém para estocar resinas no destino, de modo a absorver as falhas operacionais do modal, mas isso implica carregar custos”, avaliou. Ela ponderou que a IPQ poderia atender clientes em outros portos, como Santos, Rio de Janeiro e capitais do Norte e Nordeste, de forma econômica, fosse mais eficiente e confiável a cabotagem. “Não vale a pena ganhar 29% e perder o cliente por falta de qualidade na entrega”, disse.

    Química e Derivados: Transporte: Carga química cresce na precária malha ferroviária.

    Carga química cresce na precária malha ferroviária.

    Ferrovia sai das trevas – Embora ainda estejam longe da condição ideal apara atrair mais clientes de cargas químicas, as ferrovias brasileiras pós-privatização (na verdade, contratos de concessão com duração de vinte anos) já conquistaram adeptos e devem manter o ritmo de crescimento de negócios nos próximos anos. “Alguns investimentos precisam ser feitos, a começar pela recuperação das linhas férreas, que ficaram abandonadas por muitos anos”, comentou Paulo de Tarso Martins Gomes, da Ultracargo Logística. A estrutura precária limita a velocidade das composições e a sua capacidade de carga. “As pontes mais velhas podem não suportar o peso”, comentou. A situação já foi pior. “Pelos menos hoje os vagões contam com localizadores do tipo GPS e não desaparecem mais, como acontecia no passado”, comentou.

    A Ultracargo estudou a viabilidade de operar mais com as ferrovias, a despeito dessas limitações, mas encontrou outro obstáculo: “Faltam armazéns e terminais adequados nas pontas, de modo a regularizar as cargas e racionalizar as transferências para caminhões”, comentou, mencionando que o mesmo se dá quanto à cabotagem.

    Consultada por um cliente para receber resina termoplástica por trem, a Ultracargo só conseguiu tornar viável a operação construindo unidade de estocagem com silos modernos em Paulínia-SP, situada ao lado de ramal ferroviário. Os silos enchem carretas graneleiras especiais, dotadas de um pistão que as inclina, de modo a gerar uma pressão interna e auxiliar a descarga nas instalações dos clientes. O problema é a falta de vagões para granéis sólidos desse tipo, que obriga a introduzir operações contraditórias de enchimento de sacos, para depois “granelizar” o produto nos silos. O cliente da Ultracargo envia as resinas em contêineres especiais, os sea-bulks. “Os grandes clientes preferem receber resinas a granel ou em big bags”, comentou.

    Nas cargas líquidas, a empresa também opera terminal para receber em Paulínia o paraxileno obtido em Camaçari, zelando pela sua entrega regular ao comprador. “Os contratos com a ferrovia são feitos em forma de parceria, em que nos cabe a armazenagem para determinados clientes e não a contratação do frete”, comentou Gomes. A explicação reside na confusa estrutura tributária nacional. Se a Ultracargo contratasse o frete e o embarcasse em vagões da ferrovia, a tributação incidente seria maior do que no esquema atual. Quanto menor o número de transferências, menor o imposto.



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