Logística, Transporte e Embalagens

Transporte: Transporte químico combina modais para cortar custos

Marcelo Fairbanks
3 de fevereiro de 2001
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    Química e Derivados: Transporte: Cabianca (e.) e Uceda - burocracia inibe exportação.

    Cabianca (e.) e Uceda – burocracia inibe exportação.

    “Os produtos químicos representam cerca de 10% do nosso faturamento no Brasil”, avaliou Marcello Cabianca, representante de vendas para a área química, na qual pontificam clientes com contratos internacionais de cadeia de suprimentos. Entre eles, a Clariant, Rhodia, Avon, Bik, Merck e até a brasileira Petroquímica União, que usa os hubs (armazéns de trânsito) da Schenker em Roterdã como apoio para exportar resinas de petróleo.

    Operações críticas – O transporte de produtos químicos é considerado um ponto crítico pelas indústrias produtoras em todo o mundo. Durante as operações esses materiais, muitas vezes perigosos, ficam muito próximos da população, ganhando grande visibilidade. Além disso, ficam mais sujeitos a acidentes do que se estivessem dentro dos sites produtores, equipados e projetados para tal atividade. Por isso, a exigência do setor químico quanto à qualidade do serviço contratado tende a ser muito rigorosa.

    “Os fretes já estão no valor mínimo, não dá mais para baixar sem comprometer a qualidade e a segurança do transporte”, disse Rosa Polesello, chefe do departamento de atendimento ao cliente da Ipiranga Petroquímica (IPQ). “A indústria química precisa trabalhar junto com o transportador para resolver a questão, sem se limitar a negociar o preço do frete.”

    No mesmo sentido, César Francisco Garcia, coordenador da comissão de transportes da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), entende que fretes aviltados hoje resultarão em frota inadequada de veículos de transporte para produtos químicos no futuro. “O frete não pode ser extorsivo, mas também não pode ser tão baixo que comprometa a qualidade da operação”, afirmou. A Abiquim lançará nos próximos meses um sistema de avaliação de saúde, segurança, meio ambiente e qualidade dos prestadores de serviços de transporte rodoviário e terminais marítimos, de modo a gerar um banco de dados com as empresas qualificadas, com a finalidade de padronizar exigências do setor e reduzir o custo na seleção de transportadoras. Aliás, essas qualificações constam do programa Atuação Responsável.

    Para Garcia, a baixa nos fretes reflete a situação de oferta abundante e demanda reduzida em todos os ramos de atividade, a partir do desenvolvimento dos modais ferroviário, marítimo e de dutos. “Grãos, minérios e combustíveis já estão usando mais essas alternativas, liberando caminhões, fato que gera concorrência predatória capaz de prejudicar a rentabilidade de empresas qualificadas”, comentou Garcia.

    No opinião do coordenador, a cadeia de suprimentos da indústria química precisa ser eficiente. Para isso, é preciso firmar parceria com transportadoras ou operadores logísticos, de modo a identificar gargalos ou ineficiências operacionais e propor alternativas. “Trabalhando com poucos, porém bons parceiros, fica mais fácil mapear os problemas, principalmente quando eles estão dentro das fábricas, como as longas esperas para carregar e descarregar”, disse. Os passos futuros contemplam a transferência de serviços adicionais para os parceiros. “Antigamente, os custos logísticos eram irrelevantes quando comparados ao preço dos produtos e às margens de lucro, mas isso mudou e hoje se tornaram pontos vitais para o negócio”, comentou.

    O maior e mais exigente embarcador de produtos químicos do Brasil, a Rhodia, contratou 42 mil viagens rodoviárias em 2000, as quais teriam percorrido aproximadamente 14 milhões de km, distância suficiente para dar 350 voltas ao redor da Terra, carregando um milhão de toneladas de itens diversos, produzidos ou consumidos nas várias unidades da companhia na América Latina. Desde os anos 80 a empresa qualifica as transportadoras que lhe prestam serviços, fiscalizando o cumprimento dos requisitos legais vigentes. A partir de 1998, a Rhodia instituiu um processo de medição de desempenho dos transportadores rodoviários, atribuindo-lhes notas para seis quesitos, como pontualidade, reclamações dos clientes e terceiros, qualificação dos motoristas, condição dos veículos, acidentes e cumprimento da programação, permitindo gerar um ranking, cujo primeiro colocado em âmbito anual recebe um prêmio. “No ano passado conseguimos um índice de desempenho de 99,4%, o que significa que a cada 200 viagens temos apenas uma não-conformidade”, explicou o gerente de logística da Rhodia Brasil América Latina, José Eduardo Sartor.

    Apesar de exigente, a companhia não é reconhecida no mercado por pagar fretes mais caros. “Somos altamente competitivos em custo de transportes”, admitiu Sartor, apontando a necessidade de enfrentar produtos importados de várias origens. “Nossa experiência atesta que quanto mais a transportadora investe, mais caem seus custos”, afirmou. Para atender a todas as suas unidades produtivas (exceto a RhodiaSter) e à ampla linha de produtos, com graus variados de periculosidade, a companhia conta com 33 transportadoras qualificadas, das quais oito são as mais solicitadas. “O transportador sai ganhando porque o volume transportado é muito grande e, como somos muito exigentes, trabalhar com a Rhodia serve como um atestado de qualidade do serviço”, afirmou.



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