Logística, Transporte e Embalagens

Transporte: Transporte químico combina modais para cortar custos

Marcelo Fairbanks
3 de fevereiro de 2001
    -(reset)+

    Toda operação logística da Copesul segue as normas internacionais para transporte de produtos químicos e petroquímicos, relativas à construção das embarcações e às rotinas de navegação, para garantir a segurança da tripulação, das comunidades, do meio ambiente e da carga transportada. Os navios contratados para as operações foram construídos com fundo e costado duplos e estão rigorosamente dentro dos padrões da Internacional Maritime Organization (IMO), agência da Organização das Nações Unidas, responsável pela observação da navegação internacional. Por exigência da Copesul, os contratos com empresas de navegação incorporam rigorosas cláusulas adicionais de segurança, saúde ocupacional e preservação ambiental. Nos dois terminais portuários e no percurso as embarcações são checadas quanto ao atendimento das normas de segurança operacional e de proteção ao meio ambiente.

    Ainda assim, a preocupação com a segurança em transporte é constituída nos mínimos detalhes. A Copesul e as demais empresas do pólo mantêm equipes de plantão permanente para atender emergências com cargas petroquímicas, que possam ocorrer no transporte hidroviário. O sistema compreende ações específicas de controle para situações anormais e ao longo do trajeto. Neste caso a Copesul apóia as ações coordenadas pela capitania dos portos e corpo de bombeiros. A empresa realiza estudos capazes de identificar os riscos associados às operações de carga, descarga e transporte, com objetivo de prevenir possíveis acidentes. As equipes de controle dispõem de modernos equipamentos de comunicação, barreiras, contenção de produtos, captador de óleo (tipo skimmer), lanchas adequadas ao controle da poluição hídrica e canhões-monitores para aplicação de água e espuma. Os profissionais recebem treinamento específico periódico, incluindo a realização sistemática de situações simuladas.

    Embora a quase totalidade de exportação da Copesul seja movimentada em hidrovias, aproximadamente 1,5% do material viajou em carretas em 2000. São líquidos, como o benzeno e solventes, comercializados no eixo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, ou em países do Mercosul. Para isso, a empresa construiu um terminal rodoviário dentro do pólo petroquímico, onde logística e normas de segurança atuam em sintonia. O local é o único do seu porte na América Latina equipado com uma unidade de captação e recuperação de vapores dos produtos químicos liberados durante a operação de carregamento dos caminhões-tanque.

    O sistema reduz em mais de 99% a emissão de hidrocarbonetos na atmosfera, equivalente 300 litros/dia. A aquisição e instalação dos equipamentos dessa tecnologia mobilizou U$ 2 milhões em investimentos próprios da Copesul. Os vapores são recolhidos por uma tubulação conectada ao bocal superior e conduzido à unidade de recuperação, onde são adsorvidos por um sistema de carvão ativado, retornando para o processamento na unidade produtiva. O ar restante é liberado para a atmosfera com menos de 1 ppm de resíduo. No sistema tradicional, o ar é liberado diretamente pelo bocal superior da carreta para a atmosfera, contendo até 15% de hidrocarbonetos.

    Além disso, a área de logística começou a estudar a viabilidade econômica do escoamento de gasolina que passou a produzir no ano passado, a partir da nova regulamentação criada pela ANP. A idéia é movimentar a carga no modal ferroviário. No entanto, a ALL ainda não reativou o ramal que atravessa o pólo petroquímico. Por enquanto o combustível viaja para as distribuidoras a bordo de carretas.

    Tubovias – Para receber gás, nafta e condensados provenientes de refinarias do País e exterior, usados como matéria-prima em sua planta industrial, a Copesul opera 100% no mar. A rede de dutos tem como ponto de partida as monobóias estacionadas na costa da praia de Tramandaí, litoral Norte do Estado, a aproximadamente 200 km da área de produção industrial da empresa. Ali se descarrega a nafta armazenada nos navios, seguindo por dutos até a central. Há ainda uma tubovia, interligando a Copesul à Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, afastadas de 50 km. Os dutos também ligam a central ao terminal de Santa Clara. (MF e Fernando de Castro)

    Navio e trem batem caminhão na Bahia

    Há quatro anos o caminhão deixou de ser o meio de transporte exclusivo e absoluto dos produtos químicos e petroquímicos procedentes da Grande Salvador e destinados ao Sul e Sudeste. Neste ano, pela primeira vez, mais da metade dessa produção deverá ser conduzida por navio ou trem, previsão embasada na crescente participação desses dois modais no volume total: no ano passado, das quase 2 milhões de t produzidas em Camaçari, apenas 55% seguiram de caminhão, 23% de trem e 22% de navio, proclama Paulo Villa, vice-presidente do comitê formado no âmbito da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) para estudar e propor soluções logísticas e redutoras de custos na atividade transportadora.

    Limitar o transporte rodoviário de produtos químicos e petroquímicos, metalúrgicos e outros a destinos situados a menos de 600 km e, a partir dessa distância, recorrer, prioritariamente, pela ordem, aos “modais marítimo e ferroviário” é meta logística, confirma Villa. A Fieb parte do princípio de que no mundo globalizado a tarifa ferroviária tende a ser pelo menos um terço mais barata do que a rodoviária, e a marítima, metade da ferroviária. Para a Bahia, que produz principalmente semimanufaturados, produtos sensíveis ao custo relativo do frete por apresentar baixo valor agregado, uma estratégia logística passou a ser essencial depois da liberação do comércio.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *