Logística, Transporte e Embalagens

Transporte: Transporte químico combina modais para cortar custos

Marcelo Fairbanks
3 de fevereiro de 2001
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    O modal rodoviário é usado para a entrega nos clientes, cada vez mais avessos a manter estoques de resinas. Por ter desenvolvido parceria com transportadoras, a IPQ se vale do modal inclusive para avaliar o grau de satisfação dos clientes com as rotinas de pós-venda da companhia. “Ainda fazemos uma checagem dos relatórios das transportadoras, mas esse é um serviço que pode ser feito por elas”, observou. Atualmente, a entrega com qualidade é um diferencial de mercado, pois os clientes exigem as resinas na quantidade, dia, hora e local combinados, sem falhas.

    Para facilitar as operações, a IPQ incentiva seus clientes a adotar os silos, de modo a ampliar as entregas a granel, com a ressalva que o uso dos cinco graneleiros disponíveis só é viável em raio de 300 km de distância. A petroquímica gaúcha foi pioneira na paletização de sacaria, de modo a acelerar as operações de carga e descarga. Também foi incentivadora das entregas em bulks, ainda mais econômicas, Neste ano, a inovação da empresa é a aposição de etiquetas com código de barras em cada palete, contêiner ou carreta que sai de sua fábrica. “O código de barras facilita a movimentação interna de materiais, permite a identificação e caracterização das entregas, acelerando até a emissão de notas fiscais”, informou Rosa. Os clientes podem adotar o sistema, facilitando a recepção de resinas e os procedimentos de gerenciamento de materiais.

    Química e Derivados: Transporte: Navio especial sai de Santa Clara com carga quimica.

    Navio especial sai de Santa Clara com carga quimica.

    A inovação é coerente com os esforços da companhia de evitar tempos parados para os veículos de carga a seu serviço. “Na nossa base, um caminhão leva no máximo 20 minutos para carregar e enlonar o material, permanecendo na área de empresa no máximo por 40 minutos”, disse, escudada por levantamento estatístico. O alto grau de automatização de procedimentos oferece ganhos admiráveis, como a emissão de nota fiscal em apenas um minuto.

    O uso da Cabotagem ainda é limitado pela falta de estrutura nos portos e das transportadoras, embora seja muito viável para longas distâncias, como o atendimento a um cliente da IPQ em Fortaleza-CE. A companhia está construindo ramal ferroviário próprio para levar as resinas da fábrica até um ponto situado a apenas 1 km do terminal de Santa Clara, ligação necessária com o Porto de Rio Grande, que opera tanto com a cabotagem, quanto com navegação de longo curso. “Nossas exportações para Europa e África são feitas em regime FOB a partir desse porto”, explicou. O atendimento a clientes no Mercosul pode usar navegação costeira, mas também os outros modais, sempre com vendas CIF. “Como ainda não há um operador logístico confiável, preferimos assumir a responsabilidade pela entrega e garantir a satisfação dos clientes”, comentou. Ela mencionou o aparecimento até de empresas internacionais iniciando atuação no Brasil, mas as classifica como inexperientes nos problemas locais.

    Básicos vão de navio – A Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) escolheu o sistema de transporte por rio e mar como base principal de sua logística para o escoamento dos produtos não consumidos dentro do Pólo Petroquímico de Triunfo. No ano passado, a empresa assim exportou 98,5% das 425 mil toneladas excedentes de olefinas, o equivalente a 16% da matéria-prima processada na primeira geração petroquímica gaúcha. A grande parcela de aproximadamente 2,6 milhões de toneladas foi consumida pela segunda geração local, chegando à segunda geração gaúcha pela rede de tubovias instalada em Triunfo.

    O ponto de partida da operação de exportação da Copesul é o terminal fluvial de Santa Clara, um miniporto de uso privativo da empresa, cuja construção demandou a criação de um lago artificial nas imediações da planta industrial, e um canal, interligando-o ao Jacuí, rio que deságua no estuário do Guaíba. Este, por sua vez, encontra-se com a Lagoa dos Patos, ganhando acesso ao mar.

    A opção pelo transporte hidroviário fez com que a Copesul contratasse três navios de baixo calado (17 pés) denominados chemical tanks, dois por fretamento e um comprado em definitivo. As três embarcações fazem a rota entre o pólo e o terminal da companhia na cidade portuário de Rio Grande. Lá a carga é transferida para embarcações oceânicas de grande porte, que a transportam para os países compradores. Em 2000, 58% das olefinas exportadas pela Copesul foram desembarcadas em portos da América Latina, sendo que 12% tiveram ponto de consumo em solo europeu.

    Eventualmente, as pequenas embarcações, que atravessam o estuário do Guaíba e a Lagoa dos Patos até Rio Grande, esticam a rota até o Rio da Prata para a entrega de encomendas em Montevidéu e Buenos Aires, descarregando propeno, eteno ou butadieno.

    Diversos fatores influenciaram a opção da Copesul pelo uso praticamente absoluto de embarcações nas operações de exportação. Para Luciana Wolwacz, operadora da área de negócios da companhia – setor que também gerencia a logística – o transporte hidroviário é o modal que apresenta os resultados mais adequados em termos econômicos, de segurança e ambientais. Como os volumes transportados por navios são muito superiores à capacidade das carretas, o número de viagens torna-se menor, minorando os riscos de acidentes no escoamento de cargas. “Um navio carregado representa 120 carretas a menos circulando nas estradas”, explica. “Além disso, transportar produtos petroquímicos por navio é 2,3 vezes mais barato do que por caminhão.”



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