Logística, Transporte e Embalagens

Transporte: Transporte químico combina modais para cortar custos

Marcelo Fairbanks
3 de fevereiro de 2001
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    Apesar de evolução quanto à produção normativa, Tardivo aponta fatos que atestam a pouca importância dada pelos legisladores ao tema. “A lei das cargas perigosos de 1983 previa cursos para a formação e qualificação de motoristas, mas isso só foi regulamentado em 1985, embora seja esse o fator que mais acidentes causa”, criticou.

    Além disso, até 1998 não era prevista em norma a necessidade desses motoristas passarem por cursos periódicos de reciclagem. “Até o novo Código de Trânsito falhou, pois não previa cursos de reciclagem e ainda admitia o treinamento de motoristas à distância, feito por videocassete”, comentou. Segundo ele, as entidades envolvidas com a atividade protestaram veementemente, e a reciclagem voltará a ser exigida, porém só depois de 2005, enquanto o treinamento por vídeo foi suspenso. Tardivo defende a reciclagem, até mesmo no retorno das férias dos profissionais, apesar de elogiar os cursos de formação de 40 horas ministrados pelo Sest/Senat. “O curso é bem elaborado, mas é difícil mudar hábitos e costumes das pessoas”, afirmou.

    Frente à situação, Tardivo ressalta e elogia o esforço de programas de entidades como a Abiquim, com o Atuação Responsável, a Associquim, com Distribuição Responsável, e iniciativas isoladas de transportadoras e embarcadores em manter treinamento constante de seus funcionários e contratados. “Um empresário do setor me disse que investiu US$ 200 mil em treinamento e, com isso, evitou despesas de US$ 1 milhão em reparação de danos”, afirmou.

    Interessante é a tendência de aumentar o comprometimento dos motoristas com a segurança da atividade, instituindo rotogramas. “São mapas do percurso, nos quais os motoristas anotam quais os pontos críticos, como trechos em obras ou de ocorrência de neblina, e sugerem as velocidades admissíveis em cada trecho”, explicou Tardivo.

    Esporadicamente surgem normas específicas que complicam a vida dos transportadores, sem apresentar vantagens equivalentes para a sociedade. Tardivo comandou a luta contra a imposição de películas refletivas em várias partes dos caminhões, tendo conseguido suspender ou tornar opcional sua aposição. “Não somos contra a aplicação de refletivos, que tornam visíveis os caminhões mesmo nos casos de pane elétrica total, contribuindo para reduzir os acidentes”, explicou. “Somos contra imposições descabidas, que foram criadas para favorecer um único fornecedor, além da exigência de adoção em toda a frota nacional de modo imediato, quando mesmo nos Estados Unidos isso foi feito paulatinamente.” (MF)

    Pólo de triunfo desafoga rodovia

    O Pólo Petroquímico de Triunfo-RS, considerado o mais moderno do País, desenvolve alternativas para escoar seus produtos por modais diferentes do rodoviário, embora este ainda represente a fatia mais significativa dessas operações. Amparadas pela situação geográfica peculiar, que facilita tanto a navegação como o escoamento por ferrovia, as empresas do pólo elaboram modernas alternativas logísticas, acompanhando as necessidades de seus clientes.

    “Um estudo feito durante a ampliação do pólo revelou que, mantida a antiga matriz de transporte, seria colocado um caminhão a cada dois minutos na rodovia Tabaí-Canoas para escoar produtos petroquímicos”, comentou Rosa Polesello, chefe de departamento de atendimento ao cliente da Ipiranga Petroquímica (IPQ). Mesmo duplicada, a rodovia não suportaria tamanho fluxo de veículos sem aumentar o tempo de percurso e multiplicar o risco de acidentes. Em 2000, a empresa enviou pelo modal rodoviário 70% de seus produtos, 25% por ferrovias e 5% por navios, tendo sido verificado significativo crescimentos dos dois últimos. “Eles só não crescem mais rápido pela falta de definição de quem será o operador logístico para integrar os modais”, comentou. Entre ferrovias, transportadoras e agentes marítimos, ela não identifica nenhum deles como capacitado para desempenhar a função. Ao mesmo tempo, os preços dos fretes rodoviários foram reduzidos, mantendo a competitividade. “As empresas de transportes não enxergam o serviço todo, como entrega, pós-venda, monitoramento; elas precisam aprender a fazer logística”, recomendou.

    A previsão de esgotamento da rodovia e a necessidade de cortar custos para ser competitiva nas regiões Sul e Sudeste, seus principais mercados, fizeram a IPQ investir, já em 1997, na construção de ramal ferroviário cativo, interligando a fábrica à malha da ALL Logística. A ferrovia leva grande quantidade de resinas da IPQ para Araucária-PR, onde a transportadora Delara – uma das quatro que atuam com a empresa em todo o Brasil, selecionadas há cinco anos – construiu um armazém para 4 mil t sobre terreno cedido em comodato pela ALL, dotado de ramal, este construído pela ferrovia. “Temos em Araucária um contrato de cinco anos, suficiente para permitir o retorno dos investimentos”, comentou.

    O armazém de Araucária alimenta carretas e caminhões para atender os clientes do Paraná e, principalmente, de todo o Estado de São Paulo. Com o desenvolvimento das operações do terminal de cargas da ALL em Tatuí-SP, é possível rever a estratégia de transporte, ampliando o uso do trem. “Entre Triunfo e Araucária, o frete ferroviário fica 30% mais barato que o rodoviário”, afirmou.



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