Transporte químico: Segurança e confiabilidade

Segurança e confiabilidade determinam escolha dos modais

Disponibilidade de infraestrutura, segurança, custos compatíveis e capacidade de entrega estão entre os fatores determinantes da escolha dos melhores modais voltados ao transporte de produtos químicos.

Mas para ser confiável, a movimentação deve ser feita com equipamentos em conformidade com as características desse transporte, pessoal capacitado e treinado.

Tais exigências decorrem da especificidade dessa logística, cujos volumes são classificados, legalmente, como perigosos e não perigosos.

O ideal para longas distâncias, acima de 500 km, são os modais de larga escala, capazes de diminuir os custos e aumentar a competitividade da indústria química nacional, defende Luiz Shizuo, gerente de gestão empresarial da Abiquim.

A indústria química, como todos os outros setores, segundo ele, procura trabalhar com baixo nível de estoques, operando com prazos reduzidos, confiáveis e sistemas seguros.

Desta forma, a combinação dos modais, terminais, manuseio dos equipamentos e tempos de operação fazem toda a diferença na hora de escolher um sistema logístico mais eficiente.

Em se tratando de produtos químicos, a segurança prioriza a busca das melhores opções de transporte.

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Shizuo: Abiquim estuda matriz do transporte químico no país ©QD Foto: Divulgação

Contudo, face à necessidade de agilidade e de credibilidade dos serviços, existem fatores inerentes à indústria química, tais como volumes sobre demanda, que dificultam as contratações em virtude da inexistência no setor químico do 4PL (Four Position Logistics), esclarece Shizuo.

Este modelo representa o gestor da cadeia de suprimentos, com responsabilidade de gerenciar o fornecimento ao cliente, considerando a integração entre os diversos recursos das demais organizações.

Shizuo ressalva, porém, que o transporte rodoviário nunca deixará de existir, por ser insubstituível na distribuição direta para o consumidor final e no acesso às indústrias, centro de distribuição etc.

“Vale destacar, sobretudo, sua facilidade, flexibilidade, disponibilidade e rapidez no atendimento às demandas do setor químico”, justifica.

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Glória: rodovias precárias causam perdas elevadas ©QD Foto: Divulgação

Mas, ao mesmo tempo em que garante grande capilaridade e atinge as mais longínquas distâncias do País, o transporte rodoviário apresenta uma série de inconvenientes, argumenta Glória Benazzi.

Dentre elas, a assessora de logística da Associquim destaca o custo elevado, atrasos, perdas e acidentes. Esses, segundo ela, são causados pelas condições precárias da maioria de nossas rodovias.

Quando se trata do transporte de produtos perigosos, o caminhão ganha destaque no território nacional pela eficácia e rapidez em entregas de curta distância, observa Maria dos Anjos, assessora técnica da ABTLP.

Além disso, apresenta flexibilidade de tráfego e se adapta facilmente aos demais modais.

Em contrapartida, circula em uma infraestrutura que recebe menos investimento que nos grandes centros urbanos, disputando o mesmo espaço com uma grande quantidade de veículos.

Os produtos perigosos podem e são transportados também por via marítima e aérea, informa Maria dos Anjos.

Mas esse último modal é bem menos usado, face às características da operação e o grau de risco da carga.

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Maria dos Anjos: caminhão é imbatível nos trajetos curtos ©QD Foto: Divulgação

Ou seja, “se houver um vazamento dentro de uma aeronave, não dá para parar o avião no posto mais próximo e sanar o problema”, afirma

A escolha de outros meios de transporte para esse tipo de carga, segundo ela, deve priorizar padrões de segurança e deslocamento dos produtos.

Prevalecem válidos também os itens observados nos demais modais, como o volume, dimensões, o prazo para entrega e custos competitivos.

Os caminhões podem também operar como parceiros altamente eficientes de uma ferrovia, observa Bianca Neidert Kulakowski, gerente de contas do setor de agroquímicos da Brado.

Nessa condição, segundo ela, esse tipo de modal circula em trajetos mais curtos, proporcionando maior segurança e menos riscos, devido a uma jornada menor do operador ao volante.

Em sua opinião, embora o transporte de produtos químicos possa ocorrer pela via rodoviária ou de cabotagem, a ferrovia tem se mostrado como um modal eficiente e seguro em grandes distâncias, dentro do sistema de multimodalidade da companhia.

 Transporte químico: Segurança e confiabilidade determinam escolha dos modais ©QD Foto: iStockPhoto

Os trilhos são operados pela Brado por meio da Rumo, que é a empresa gestora da malha ferroviária, responsável pelo fluxo entre Mato Grosso e São Paulo.

Nesse percurso, são movimentados mais de 25 tipos de cargas, entre elas fertilizantes, defensivos agrícolas e produtos de higiene e limpeza, apoiados por terminais de transbordo em Sumaré-SP e Rondonópolis-MT, ambos equipados e preparados para efetuar a carga e a descarga.

 

Transporte químico: Combinação de modais permite reduzir custos ©QD Foto: Divulgação
Bianca: ferrovia demonstra ser modal eficiente e seguro

Bianca explica que o transbordo ocorre quando a responsabilidade pelas pontas rodoviárias é do cliente e ele não realiza a carga e descarga dos contêineres.

Nessas situações, segundo ela, é necessário que a carga passe pelo terminal a fim de que seja realizado o cross para o tipo de caminhão (no caso do destino) ou contêiner (no caso da origem) adequados.

Na prática, caixas de agroquímicos e um contêiner, despachados em Sumaré, pela operadora, por exemplo, são transferidos para um caminhão do cliente ao chegar no terminal de Rondonópolis.

O cross consiste, portanto, no transbordo da carga de um modal para outro.

Ou seja, as caixas e o contêiner foram transportados em um trecho por ferrovia, mas, o restante do percurso foi percorrido em outro veículo,

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