Transporte químico: Logística leva clientes ao transporte Intermodal

Química e Derivados: Transporte: Unidade de lavagem de tanque - Sassmaq exige controle.
Unidade de lavagem de tanque – Sassmaq exige controle.

“A maior parte dos transportadores químicos não têm estrutura organizada de trabalho, daí a necessidade de gerar uma ferramenta para orientá-los nos procedimentos”, explicou a assessora técnica da Abiquim, Mirtes Suda. A orientação citada por ela, na verdade, é um questionário de 500 perguntas para sondar a existência na empresa de práticas corretas nas questões de segurança, meio ambiente e qualidade. Isso deu origem a uma publicação de quase 160 páginas, que orienta uma posterior auditoria na empresa transportadora desejosa de se submeter à avaliação.

Sistema rigoroso – O primeiro ano de experiência do Sassmaq deu provas de que o sistema, criado para atender ao código de transportes do programa Atuação Responsável, é considerado bastante rígido. Mas, segundo Mirtes Suda, o rigor aí reflete o baixo nível médio das transportadoras nacionais, ainda atrasadas em muitos aspectos. Das 22 avaliações já realizadas por auditores do BVQI e SGS, devidamente treinados pela Abiquim, apenas nove empresas foram aprovadas. E, para passar pela auditoria, a avaliada precisa atender a 100% dos itens mandatórios (os exigidos por lei) e a pelo menos 70% dos critérios de indústria, normalmente aqueles relacionados a práticas recomendadas pelo programa da Atuação Responsável. Há ainda os critérios desejáveis, mas que não precisam obrigatoriamente ser atendidos.

Química e Derivados: Transporte: Sartor - venda FOB é uma das grandes vilãs do transporte.
Sartor – venda FOB é uma das grandes vilãs do transporte.

“As reprovadas tiveram problemas principalmente em itens de meio ambiente, como gestão de resíduos e efluentes”, diz Mirtes. E esse descuido, para a avaliação, foi fatal, visto que 90% das questões (divididas entre específicas-técnicas e gerenciais) compreendem medidas não exigidas por lei, ou seja, são as recomendadas por sistemas de gestão. Em suma, isso significa que para passar no Sassmaq as transportadoras precisam estruturar na empresa procedimentos similares aos exigidos, por exemplo, por uma ISO 14001, ISO 9000, OHSAS 18001, ou por outros sistemas de gestão.

O rigor do Sassmaq, para os profissionais da indústria, deve proteger o setor da contratação de transportadoras mal preparadas. Compartilha dessa opinião o gerente de logística da Rhodia, José Eduardo Sartor, também coordenador de transportes da Abiquim. Para ele, a intenção é separar o “joio do trigo”. “Para quem trabalha com carga perigosa e produto químico, não basta ter um sistema, ele precisa ser bom”, ressalta Sartor. Pensando nisso, a própria Rhodia determinou a todas suas sete transportadoras de granel líquido contratadas a passarem pelo Sassmaq até janeiro de 2003. As de carga seca, até janeiro de 2004.

Essa nova exigência está se espalhando pelas demais associadas da Abiquim. E tem provocado uma correria, por parte das transportadoras, para se sujeitarem à avaliação. “Estamos começando a ter excesso de demanda e, em breve, deveremos treinar e ampliar o serviço a outras empresas de auditoria”, revelou Mirtes Suda. Apesar da pressa, José Eduardo Sartor recomenda cautela dos pretendentes: “O melhor é a transportadora passar por uma pré-auditoria para conhecer suas não-conformidades e corrigi-las a tempo”, diz.

Segundo Sartor, para as transportadoras acostumadas a trabalhar com as grandes indústrias, as quais possuem sistemas próprios de auditoria, o Sassmaq será mais fácil de ser atendido. Já as pequenas vão ter problemas para se adequar aos requisitos. Aliás, para se ter uma idéia da complexidade do Sassmaq, o gerente reconhece que o questionário da Abiquim é mais aprofundado em comparação com as auditorias dos grupos industriais. Tanto é assim que a Rhodia abandonou seu sistema e passará a usar apenas o Sassmaq.

Os transportadores precisam levar mais a sério a intenção da Abiquim. Isso porque, apesar de sua adoção ser voluntária nessa primeira fase, passará a ser mandatória às 22 transportadoras parceiras do Atuação Responsável. A exigência também será incorporada pelas indústrias químicas signatárias, cuja meta será trabalhar apenas com transportadoras avaliadas. Além disso, segundo Sartor, outros setores começam a se interessar pelo trabalho da Abiquim e devem fazer o Sassmaq tornar-se parte do mercado como um todo. A Associação Brasileira da Indústria de Álcalis e Cloroderivados (Abiclor) e o setor de petróleo e combustíveis já demonstraram apreço pela idéia.

Química e Derivados: Transporte: Tarso chama atenção para gargalos do Sassmaq.
Tarso chama atenção para gargalos do Sassmaq.

Outro aspecto favorável a difundir o programa na sociedade, para o gerente de logística da Rhodia, é o fato de a Abiquim possuir assento na comissão de transporte de cargas perigosas da Secretaria de Transportes de São Paulo. “A receptividade tem sido das melhores, em todos os setores, desde o poder público até os próprios transportadores”, diz. Para o primeiro, o motivo principal de interesse tem a ver com o Sassmaq reduzir acidentes. Já para os transportadores, a motivação é a redução de número de auditorias. Para atender as checagens de vários clientes, há empresas com a necessidade de criar departamentos específicos para receber os auditores. Com o Sassmaq, uma só auditoria, a cada dois anos, resolve o problema.

Críticas – Mas a visão das transportadoras, pelo menos no início do programa, não se revela tão receptiva. Há algumas críticas à forma como o questionário foi formulado. De acordo com Paulo de Tarso Martins Gomes, o presidente da Associação Brasileira dos Transportadores Rodoviários de Cargas Líquidas e Produtos Perigosos (ABTLP), a primeira versão do Sassmaq contém algumas incongruências com a realidade brasileira. Bom lembrar que o sistema de avaliação da Abiquim tomou como modelo o da comunidade européia, coordenado por sua associação da indústria química, a Céfic.

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